Publicado 09 de Setembro de 2021 - 9h31

Por João Lucas Dionisio/Correio Popular

Bruno Matheus de Almeida e seu Fusca fabricado em 1975: mudanças promovidas pela Susep abrem perspectivas de finalmente fazer o seguro do seu carro

Ricardo Lima

Bruno Matheus de Almeida e seu Fusca fabricado em 1975: mudanças promovidas pela Susep abrem perspectivas de finalmente fazer o seguro do seu carro

Para simplificar e flexibilizar o seguro de automóveis, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) modificou algumas regras para a contratação de apólices. Uma das principais novidades é a comercialização de coberturas de maneira personalizada, de acordo com as necessidades do condutor. Ou seja, o contratante poderá optar por pagar apenas pela cobertura contra acidentes e não para furto e roubo. Além disso, outra mudança importante é a possibilidade de o seguro ser vinculado apenas ao motorista, sem a identificação do veículo.

Com base no novo modelo, que será adotado pelas seguradoras em um prazo de até 180 dias, o condutor terá a opção de contratar o seguro apenas para uma parte do veículo ou por um determinado período de tempo. O consumidor, nesses casos, poderá pedir a proteção somente da dianteira, da traseira ou de um acessório do veículo ou, ainda, segurar o carro exclusivamente para uma viagem entre Campinas e São Paulo.

Por outro lado, algumas mudanças também passam a valer para as seguradoras. De acordo com o texto publicado no Diário Oficial da União, as companhias vão contar com a possibilidade de cobrar a franquia em casos de indenização integral, incêndio, queda de raio e explosão, o que era proibido anteriormente. Além disso, as empresas poderão exigir no contrato de serviço que os reparos necessários sejam feitos exclusivamente em oficinas da rede credenciada.

Em razão das alterações promovidas pela Susep, existe a expectativa de que as seguradoras passem a oferecer o serviço de proteção para carros mais antigos, com coberturas para pneus, vidros e outras peças. Para Bruno Matheus de Almeida, de 26 anos, que é proprietário de um Fusca 1975, encontrar uma seguradora que aceite trabalhar com automóveis antigos é uma missão complicada. "Não existe um preço exato de quanto vale um carro deste, nem por meio da Tabela FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Por isso, algumas seguradoras acabam se negando a prestar o serviço", revelou.

Ainda segundo Almeida, seria "sensacional" caso algumas seguradoras conhecidas começassem a aceitar veículos como o dele. Atualmente, sem poder contar com a proteção fornecida por um seguro, o proprietário do Fusca foi obrigado a instalar alguns equipamentos de defesa contra roubos e furtos. De acordo com ele, "os itens foram colocados para que eu possa ter pelo menos o mínimo de tranquilidade quando estaciono o veículo na rua."

Roubos

Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) indicam que entre os meses de janeiro e julho deste ano ocorreram 2.761 roubos ou furtos de veículos na cidade. Ou seja, em média, são 394 ocorrências por mês em Campinas, o que significa um veículo subtraído a cada duas horas. Apesar do número elevado, segundo o diretor regional do Sindicato de Empresários e Profissionais Autônomos de Corretagem e da Distribuição de Seguros do Estado de São Paulo (Sincor-SP), Adelairton Ferreira Eloi, dos 922 mil veículos registrados no município, apenas 30% possuem seguro automotivo.

Para Eloi, as mudanças impostas pela Susep serão analisadas com cuidado pelas seguradoras. "Não existe produto formatado para essas novas modalidades atualmente, por isso será necessário criar algumas regras e parâmetros dentro desse período de 180 dias que as empresas possuem para se regularizar", explicou o dirigente sindical, que não considera o novo mecanismo como solução dos problemas. Na opinião dele, "o ideal seria se todas as coberturas diminuíssem os preços praticados e não a remoção de alguns itens do pacote vendido."

Embora exista a possibilidade de uma maior aceitação de carros antigos por parte das seguradoras com a implantação das novas regras, para diretor regional Sincor a situação deve continuar complexa. "Nos moldes atuais, o proprietário de um veículo mais velho já encontra muitas dificuldades para contratar um serviço de seguro, pois não é considerado um bom negócio para a grande maioria das empresas", ressaltou Eloi. Ele reforça que as alterações exigirão muita atenção na oferta de novos produtos ao consumidor. "Alguns tipos de serviço, como a cobertura para uma viagem, vão exigir um estudo sobre a maneira como serão realizadas as vistorias", salientou o diretor.

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João Lucas Dionisio/Correio Popular