Publicado 06 de Setembro de 2021 - 19h25

Por Mariana Camba/ Correio Popular

Veículo da Guarda Municipal faz ronda no Largo do Pará, um dos locais das manifestações de hoje: esquema de segurança quer evitar conflitos entre os participantes dos atos

Diogo Zacarias

Veículo da Guarda Municipal faz ronda no Largo do Pará, um dos locais das manifestações de hoje: esquema de segurança quer evitar conflitos entre os participantes dos atos

Um esquema de segurança jamais empregado durante manifestações populares será adotado em Campinas nesta terça-feira (7), semelhante ao que ocorre na cidade em dias de dérbi entre Ponte Preta e Guarani. Guarda Municipal (GM), Polícia Militar (PM) e Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) farão um trabalho em conjunto para garantir a proteção de quem for participar das manifestações contra e a favor do governo Bolsonaro, no contexto do 7 de Setembro. Os locais de concentração serão os largos do Rosário e do Pará, no Centro, que estão separados por somente 700 metros.

O ato programado para o Largo do Rosário ocorrerá das 8h às 12h e reunirá apoiadores do atual governo federal. Os oposicionistas do governo Bolsonaro estarão concentrados no Largo do Pará, entre 9h e 13h. O compromisso é de que os dois grupos não deixarão os locais, para evitar que se encontrem. Segundo o subcomandante da GM de Campinas, Jaderson Gama, a organização dos agentes públicos é semelhante à que ocorre em dias de jogo entre Ponte Preta e Guarani. A premissa é evitar que os manifestantes se encontrem, assim como ocorre com os torcedores.

"É como se fossem duas torcidas. O nosso objetivo é evitar que tenha briga entre elas", afirmou Gama. O subcomandante da GM adiantou que as pessoas não serão revistadas nos locais porque os espaços são abertos, o que impede o controle de entrada ou saída dos manifestantes. Hoje, todo o efetivo da Guarda estará nas ruas, a partir das 6h30. Os GMs vão patrulhar as áreas próximas aos pontos de concentração e aos terminais de ônibus. Algumas equipes ficarão fixas nos locais dos atos. De acordo com o subcomandante, os GMs vão permanecer em lugares estratégicos para identificar a chegada dos manifestantes e o decorrer das atividades.

"Vamos embora somente depois da dispersão total do público", garantiu. O tradicional desfile cívico-militar que ocorre na Avenida Francisco Glicério, que este ano foi cancelado, demanda um esquema de segurança menor, comparou Gama. "Normalmente os eventos do 7 de Setembro são tranquilos. Nunca precisamos de um aparato tão grande como o de amanhã (hoje)", reafirmou. O serviço de inteligência da GM também tem monitorado as redes sociais para identificar eventuais manifestações de estímulo à violência.

De acordo com o serviço de comunicação do 8º Batalhão de Polícia Militar do Interior, a PM realizará o policiamento preventivo para garantir a segurança nos locais das manifestações. Os PMs vão contar com um drone como apoio de inteligência às equipes que estarão nas ruas. O aparelho será usado como suporte para que os policiais tenham uma visão mais ampla do local. Isso facilitará, por exemplo, o acompanhamento à distância do comportamento do público e a identificação de eventuais confusões. Estarão empenhados na ação o policiamento de Força Tática, o da Base Comunitária Móvel e o 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep).

Transporte

Segundo a Prefeitura de Campinas, a Secretaria de Transportes (Setransp) e a Emdec também realizarão uma operação especial de trânsito, no Centro, por causa dos atos marcados para a região. A ação acontecerá das 8h às 14h. A Avenida Francisco Glicério terá o trecho entre a Avenida Dr. Moraes Salles e a Avenida Aquidabã totalmente bloqueado. No entorno do Largo do Rosário e do Largo do Pará haverá bloqueios parciais, assim como em outros cruzamentos da região central. São eles: Rua Duque de Caxias x Rua Dr. Quirino; Rua Barão de Jaguara x Avenida Aquidabã; e Rua Cônego Cipião x Rua Regente Feijó. A orientação geral, de acordo com a Administração, é a de que os motoristas evitem circular pela região durante a operação.

O bloqueio de trecho da Avenida Francisco Glicério vai impactar no funcionamento de parte do sistema de transporte público que utiliza a via. Os pontos de parada no trecho serão desativados. As linhas 173, 253, 342, 344, 345, 349, 359, 360, 361, 366, 367, 395, 403, 408, e 499 seguirão itinerário normal pela parte liberada da avenida. Como rota alternativa para o trecho que estará com o acesso temporariamente interditado, as linhas citadas vão percorrer as avenidas Benjamin Constant, Senador Saraiva, Rua Costa Aguiar, Praça Marechal Floriano, Avenida Prefeito José Nicolau Ludgero Maselli, Rua Henrique Barcelos para depois retornar à Avenida Francisco Glicério, e dali poder retomar o itinerário normal.

Segundo o secretário de Transportes de Campinas, Vinícius Riverete, os desfiles tradicionais que ocorrem no 7 de Setembro demandam alterações no transporte público, mas não na mesma proporção das mudanças adotadas hoje. "Todo o cuidado é preciso", afirmou. Segundo ele, o trânsito é deslocado para evitar qualquer tipo de transtorno ou acidente. Sem os veículos, acrescentou, as ruas ficam livres para a ocupação dos manifestantes. "O nosso foco é a segurança do pedestre. Depois das 14h tudo voltará ao normal", concluiu.

Comércio

Comerciantes da região do Centro demonstraram medo de abrir o estabelecimento neste feriado. "Geralmente, quando tem manifestações, surgem alguns vândalos que aproveitam para fazer saques e depredar. Independentemente de ser de um grupo político ou de outro, decidi reforçar a entrada e manter o local fechado. Melhor não arriscar", disse um dono de restaurante, que pediu para não ser identificado.

O mesmo foi comentado por comerciantes de roupas e de calçados. "Além de ser feriado, acredito que as pessoas não vão tirar o dia para fazer compras. O melhor é ficar com o estabelecimento fechado. Tenho medo também de brigas", comentou a dona de uma loja de calçados.

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Mariana Camba/ Correio Popular