Publicado 02 de Setembro de 2021 - 9h57

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

Maquinário pesado trabalha na construção da barragem de Pedreira e Duas Pontes, projetadas para abastecer 23 municípios da região: Sanasa deseja levar água do sistema direto para estações de tratamento em Sousas

Ricardo Lima

Maquinário pesado trabalha na construção da barragem de Pedreira e Duas Pontes, projetadas para abastecer 23 municípios da região: Sanasa deseja levar água do sistema direto para estações de tratamento em Sousas

Apesar de garantir que a atual escassez hídrica, que já ameaça o abastecimento de água em diversas cidades da região, não trará impactos aos campineiros e que o Município será poupado de racionamentos ou corte do fornecimento pelo menos neste ano, a direção da Sanasa, empresa responsável pelo abastecimento de água na cidade, já trabalha com uma estratégia para usar água do Rio Jaguari, a fim de aumentar a capacidade de abastecimento da cidade.

A proposta levada ao governo do Estado, segundo a companhia, ainda em caráter de "sugestão", é a construção de um sistema adutor regional para fazer essa captação de água do Rio Jaguari direto a uma estação de tratamento em Campinas. Esse sistema ligaria as represas de Pedreira e Amparo, ambas em fase de construção, até as estações de tratamento 3 e 4, da Sanasa, instaladas em Sousas, ao lado do clube Cultura Artística.

No entendimento dos técnicos da empresa, a construção desse sistema adutor regional fazendo a ligação direta da água represada até as estações de tratamento seria uma decisão mais prática e que beneficiaria diretamente a cidade com a ampliação da capacidade de tratamento e distribuição de água para os campineiros. Atualmente, 95% da água que abastece a casa dos campineiros vêm da captação do Rio Atibaia.

Ainda conforme informações da Sanasa, não é possível saber qual o volume que será captado do Rio Jaguari, uma vez que isso depende de uma outorga a ser definida pelo Estado, caso o projeto de ligação de um sistema adutor regional direto das barragens de Pedreira e Amparo entre em operação.

De acordo com a Sanasa, a expectativa para a consolidação do projeto é bastante positiva, uma vez que a "sugestão" foi bem aceita pelos técnicos do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), do governo do Estado, responsáveis pelo projeto de construção das barragens de Pedreira e Duas Pontes, a segunda projetada para ser construída em Amparo. O projeto das barragens tem previsão de aumentar a segurança hídrica de 23 municípios na bacia do Piracicaba, Capivari e Jundiaí, beneficiando 5,5 milhões de habitantes.

A proposta da empresa de saneamento campineira é uma alternativa a outro projeto inicialmente formulado pelo Estado que, diferentemente do da Sanasa, prevê a construção do sistema adutor levando a água das barragens até o Rio Atibaia, em um ponto acima do local onde é feita a captação atual pela empresa campineira. Se aprovada, a Sanasa ficará responsável pela administração do trecho do sistema adutor. O projeto está sendo elaborado com a expectativa de lançamento de um edital para os próximos meses, ainda este ano. O custo das obras de construção da adutora deve ser financiado pelo Estado.

Discussão antiga

A discussão sobre a captação da água do Rio Jaguari para suprir a crise hídrica da região é antiga. Desde a seca de 2015, ela vem se materializando até chegar a construção das barragens. Caso a construção do sistema adutor regional seja realmente consolidada nos moldes sugeridos pela Sanasa, levando diretamente a água do Rio Jaguari até as estações de tratamento em Sousas, o próximo passo será a construção de uma barragem no Rio Atibaia.

Anunciado na gestão do ex-prefeito Jonas Donizette, o projeto foi orçado em mais de R$ 300 milhões e prevê trazer independência do abastecimento da cidade do Sistema Cantareira. O Rio Atibaia, que serve ao abastecimento de água de Campinas, é ligado ao sistema da capital paulista.

A Sanasa informa ainda que a autonomia atual que Campinas possui, mesmo diante da situação de escassez hídrica, ocorre devido à conscientização da população de uso racional da água e a investimentos da empresa em troca de redes e redução no desperdício durante a distribuição. Segundo a Sanasa, Campinas possui 20% de perda de água durante o abastecimento, enquanto a média nacional é de 36%.

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular