Publicado 21 de Agosto de 2021 - 10h18

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

Com o decreto que autorizou a abertura total do comércio, uma multidão de pessoas, a maioria de máscara, tomou conta da Rua 13 de Maio

Diogo Zacarias

Com o decreto que autorizou a abertura total do comércio, uma multidão de pessoas, a maioria de máscara, tomou conta da Rua 13 de Maio

Com a flexibilização das medidas restritivas adotada na última segunda-feira (16) em Campinas, e que promoveu praticamente a liberação total das atividades, a cidade vivencia a taxa de isolamento mais baixa desde o início da pandemia. Dados do Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), por meio da plataforma que mede os índices de isolamento dos municípios paulistas, apontam que Campinas alcançou um isolamento de 33%, mesmo índice registrado em fevereiro de 2020, quando iniciou a pandemia no país.

Desde o começo da luta contra o coronavírus na cidade, esse índice variou conforme a adesão da população às medidas de isolamento promovidas pelo poder público dentro do período de quarentena. Em 26 de fevereiro de 2020, 13 dias após a cidade confirmar o primeiro caso de contaminação pela covid-19, por exemplo, a taxa de isolamento social era de 36%. Na última semana de março deste ano, durante o pico da chamada segunda onda, o índice alcançou quase 50%.

Dos municípios que integram a Região Metropolitana de Campinas (RMC), Artur Nogueira e Monte Mor aparecem entre os 20 municípios do Estado, com as melhores taxas de isolamento social. No último dado divulgado, enquanto Campinas aparece com 33%, Artur Nogueira conta com índice de isolamento de 45% e Monte Mor com 52%, ocupando a 17 ª e 5ª posições no top 20, respectivamente.

Desde meados de julho, quando as medidas de restrição começaram a ser mais flexibilizadas, as taxas começaram a despencar, em Campinas, que acompanhou as reduções ocorridas no Estado. Para especialistas, a situação era esperada, no entanto, nem um pouco desejável tendo em vista a ameaça corrente da nova variante Delta, que vai brigar por espaço com a atual variante dominante, a Gama. Em Valinhos, um caso já foi confirmado.

Preocupação

A médica infectologista, Raquel Stuchi, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que as flexibilizações deveriam ter esperado uma redução mais sustentada dos números e um avanço da vacinação mais uniforme em todo o país.

"A grande preocupação é como será a chegada da variante Delta. Pois com a flexibilização, as pessoas estão circulando mais e, praticamente, com a vida de volta ao normal e acabam se esquecendo das barreiras que é a higienização das mãos evitar aglomeração e o uso correto de máscaras", disse.

Pesquisadores afirmam que a população idosa e mais vulnerável é a que pode ser a primeira impactada em um avanço da variante Delta. Mesmo já vacinadas e com uma vacina excelente, possuem organismos com baixa imunidade, já que o imunizante não tem o mesmo efeito para as novas variantes do vírus.

Para os especialistas, o momento ainda é de muita pressão política, desinformação e negação à ciência. E isso ainda coloca o controle da pandemia no país em um momento muito delicado, apesar do avanço da vacinação.

Durante a semana, e ainda na noite de ontem, cenas de bares e restaurantes cheios, lojas e calçadas lotadas de clientes se tornaram comuns.

O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), no entanto, segue confiante nas orientações de uso de máscara e álcool em gel, assim como o distanciamento social. Sobre a taxa de isolamento, a direção do departamento diz considerar compatível com as recomendações em relação ao isolamento social e restrições de atividades vigentes no Plano São Paulo.

O professor da Faculdade de Química e membro da força tarefa da Unicamp de combate à pandemia, Luiz Carlos Dias, avalia que a flexibilização deveria ocorrer quando a pandemia estivesse devidamente controlada no país. "Existe desde o começo uma desinformação. Um total descompasso. Ações desencontradas entre as esferas nacional, estadual e municipal. E uma pandemia se combate com ações coordenadas", explica.

Para os especialistas, as taxas de isolamento social baixas, tornam o momento muito delicado e exigem avanço da vacinação. O Estado de São Paulo está avançado, mas não vivemos numa redoma e as pessoas circulam por pensar que a situação da pandemia está contornada", conclui o pesquisador.

As medidas de flexibilização adotadas em Campinas seguiram os indicadores precoces desenvolvidos para o combate à pandemia. As taxas de internações, novos casos e óbitos seguem em queda, segundo a Prefeitura. No entanto, desde o fim das medidas restritivas, na última segunda-feira, em quatro dias, mais de mil novos casos de coronavírus foram registrados. Até ontem, a cidade totalizou 133.028 casos e 4.260 mortes.

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular