Publicado 20 de Agosto de 2021 - 10h41

Por João Lucas Dionisio/Correio Popular

Funcionárias da Artesp posicionam-se nas proximidades da praça de pedágio da Rodovia Anhahguera, em Valinhos: combate ao transporte clandestino intermunicipal

Diogo Zacarias

Funcionárias da Artesp posicionam-se nas proximidades da praça de pedágio da Rodovia Anhahguera, em Valinhos: combate ao transporte clandestino intermunicipal

A diretoria de planejamento e logística da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) - que coordena o Programa de Concessões Rodoviárias do Governo do Estado há mais de 20 anos - realizou ontem uma operação de fiscalização de transporte intermunicipal de passageiros na praça de pedágio em Valinhos, que fica localizada na Rodovia Anhanguera. Visando uma maior eficiência na intervenção de veículos que praticam o deslocamento clandestino, irregular ou com a ausência de documentação, o procedimento foi organizado em sigilo na tentativa de surpreender os motoristas que colocam em risco a segurança de outros usuários. Até o fechamento desta edição, o balanço final da blitz com o número de autuações e apreensões de veículos não foi divulgado. O resultado da fiscalização deve ser divulgado hoje.

O Sistema Anhanguera-Bandeirantes, que é composto pelas duas rodovias, recebe mais de 200 mil veículos diariamente, muitos deles são ônibus intermunicipais que estão em situação irregular. "Com a fiscalização, é possível inspecionar se esses veículos possuem, por exemplo, a autorização da Artesp para efetuar o serviço de transporte de passageiros", ressaltou Pedro de Sá Rigoldi, que é agente de fiscalização da empresa. Para obter o documento de legalização, é necessário que o ônibus seja submetido a diversas inspeções. Isso garante que a segurança dos passageiros seja preservada.

A operação, que contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, aconteceu uma semana após a colisão entre dois ônibus urbanos na Avenida Prestes Maia, em Campinas, que deixou mais de 30 pessoas feridas. Apesar de a ação ter o objetivo de averiguar os veículos de transporte intermunicipais, o acidente demonstra a importância da fiscalização nesse tipo de deslocamento. "Esse tipo de procedimento ocorre diariamente nas rodovias de todo o Estado de São Paulo. O número de autuações, entretanto, depende do dia e também do trecho em que o trabalho está sendo realizado", detalhou Rigoldi. Dependendo do tipo de irregularidade, o ônibus pode ser apreendido. Nesses casos, se houver passageiros, o dono da empresa é orientado a solicitar outro veículo, que esteja regularizado, para o prosseguimento da viagem. Caso isso não ocorra, a própria Artesp solicita um transbordo.

De acordo com Pedro Rigoldi, é muito importante que os passageiros se informem sobre a empresa que está prestando o serviço de transporte. "Todos os passageiros que embarcam em uma rodoviária são obrigados a se identificar. Isso gera uma segurança para as pessoas que estão a bordo do ônibus", reforçou. Todos os veículos que partem desses terminais municipais estão devidamente cadastrados na Artesp e possuem a documentação legal para o transporte.

O passageiro que faz a opção de viajar com uma empresa que oferece passagens abaixo do preço comum, está economizando em espécie na hora do pagamento, entretanto, deixa de valorizar a segurança, que é um item primordial. "Existe uma equação do risco com a consequência. O transporte que oferece mais riscos acaba sendo mais caro, justamente para que o usuário não sofra a consequência", salientou o especialista em mobilidade, Creso de Franco Peixoto, que é professor da Faculdade de engenharia civil, arquitetura e urbanismo da Unicamp.

Uma empresa que oferece passagens pela metade do preço praticado por outra companhia, na maioria das vezes, utiliza veículos velhos e sem uma manutenção adequada. "O passageiro não verifica se os pneus estão bons ou se os freios possuem condições. Por isso, um ônibus regularizado pela Artesp oferece mais segurança aos usuários, já que são inspecionados de maneira regular", revelou Peixoto. O veículo que possui a autorização do órgão, além das frequentes análises, possui uma idade máxima para rodar. Segundo o professor, "a troca desses veículos é necessária para que o transporte continue sendo realizado com os cuidados necessários."

Em alta no Brasil, o transporte de ônibus por aplicativos abre espaço para uma discussão fundamental. Com preços bem abaixo do normal, geralmente, os veículos são de propriedade de empresas de fretamento e não utilizam as rodoviárias municipais. Entretanto, de acordo com Peixoto, "um veículo que sai da rodoviária tem gratuidade ou desconto para militares, aposentados e professores, por exemplo. O impacto disso no preço da passagem é enorme. Da mesma maneira que a viagem por aplicativo não oferece a maioria destes benefícios, o que também interfere no custo do bilhete."

Na década de 70, para uma viagem de carro ter o mesmo custo por pessoa de um deslocamento de ônibus, era necessário quatro passageiros no veículo para dividir as despesas. Atualmente, o número não passa de duas pessoas. "A inércia dos preços e do sistema levou ao encarecimento no preço dos bilhetes", ressaltou Peixoto, que considera urgente a necessidade da criação de um sistema de fiscalização para que o transporte de ônibus por aplicativo seja consolidado como uma opção segura e viável.

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João Lucas Dionisio/Correio Popular