Publicado 20 de Agosto de 2021 - 10h33

Por Mariana Camba/Correio Popular

Movimentação no Terminal Metropolitano Prefeito Magalhães Teixeira, no final da tarde de ontem: moradores de cidades vizinhas aguardam ônibus para voltarem a suas casas

Diogo Zacarias

Movimentação no Terminal Metropolitano Prefeito Magalhães Teixeira, no final da tarde de ontem: moradores de cidades vizinhas aguardam ônibus para voltarem a suas casas

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou na última quarta-feira a criação da Região Metropolitana de Piracicaba, que será formada por 24 municípios: Piracicaba, Limeira, Rio Claro, Araras, Capivari, Elias Fausto, Iracemápolis, Pirassununga, Charqueada, Cordeirópolis, Analândia, Santa Gertrudes, Conchal, Rafard, Corumbataí, Leme, Ipeúna, São Pedro, Águas de São Pedro, Mombuca, Rio das Pedras, Saltinho, Santa Cruz da Conceição e Santa Maria da Serra. A nova região metropolitana entrará em vigor após a sanção do governador João Dória.

Outras regiões próximas à Campinas, como Jundiaí e São João da Boa Vista, estão passando por análise para que também se tornem centros administrativos no Estado. Para o professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Núcleo de Estudos de População (Nepo) "Elza Berquo", José Marcos Pinto da Cunha, tais conjuntos, antes mesmo da formalização de suas configurações como unidade ou agrupamento, já possuem como característica a fluidez da população entre seus territórios.

Segundo o docente, as regiões metropolitanas são formadas devido às conexões socioeconômicas entre os municípios. "As fronteiras dos territórios tornaram-se tênues perante a circulação constante de pessoas que transitam por até três cidades no mesmo dia. O espaço de vivência da população é mais amplo que os limites físicos dos municípios", afirmou. De acordo com o docente, apesar de positivas, o ideal seria que as regiões metropolitanas contassem com uma governança metropolitana, única ao grupo, o que não se disseminou no Brasil, por isso o seu potencial de desenvolvimento não acontece de maneira completa.

"Muitas questões, como transporte, segurança, abastecimento de água e saúde, tornaram-se comuns diante da interligação dos territórios. Afinal, são questões que interferem na região como um todo", informou.

Cunha ressaltou que devido à conexão entre as cidades, a discussão de tais assuntos em prol de um benefício comum é essencial. A vida das pessoas não é mais resolvida em apenas um município, afirmou. Cerca de 40% da população ativa de Hortolândia trabalha em Campinas, segundo ele. Por isso, questões como a mobilidade se dão em um ambiente que "claramente" vai além de uma única Prefeitura. Problemas metropolitanos, portanto, não podem ser analisados e solucionados individualmente, declarou. "É uma necessidade que a organização metropolitana tenha mais eficácia", ressaltou. Mas, ainda assim, Cunha reiterou que essa é uma iniciativa positiva por reconhecer a existência de uma dinâmica interconectada, que precisa ser respeita e avaliada em todos os processos de planejamento.

O trânsito constante de pessoas entre cidades conurbadas é uma característica dessas regiões, explicou. "Reconhecer essa interconexão em uma aglomeração urbana, seja ela qual for, garante um olhar mais claro às especificidades de cada região, que possuem demandas e realidades distintas", garantiu. Trata-se de uma relação funcional que se estabelece naturalmente. Ao fazer com que todos de determinado agrupamento caminhem na mesma direção, o desenvolvimento dos territórios ocorre de maneira mais acelerada. A contiguidade sócio-espacial é quando os limites entre os municípios passam despercebidos, explicou. Isso ocorre entre Campinas e Hortolândia, por exemplo.

De acordo com o docente, as cidades precisam se preparar para receber as pessoas e lidar com essa realidade interconectada. "É uma troca constante", ressaltou. Todo o processo de regionalização tem uma lógica de aglutinação que demanda o planejamento administrativo, explicou. "Isso é bom, porque em um estado grande como São Paulo as regionalizações tornam-se evidentes inevitavelmente, diante das semelhanças e proximidades que as atraem. Isso precisa ser aproveitado", acrescentou.

Segundo o presidente do conselho da Região Metropolitana de Campinas (RMC), Gustavo Reis, o conjunto dos vinte municípios que compõe o grupo, o qual foi formado no ano 2000 é necessário para que os problemas comuns às cidades possam ser debatidos. "Não vivemos em uma ilha, isolados. As cidades são conurbadas, portanto, as ações precisam ser pensadas diante das demandas desse grupo. Assim conseguimos mais força para buscar recursos importantes a todos os municípios", declarou. De acordo com o presidente, a melhoria da qualidade de vida é de interesse comum, por isso as decisões precisam se tomadas em conjunto.

O maior empenho de todos, acrescentou, é na saúde. Por isso, declarou, a luta pela construção do hospital metropolitano. "Essa é uma saída para desafogarmos a Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (CROSS) e fornecer um atendimento ágil para quem não tem como esperar. Se cada prefeito puxar para um lado, não teremos um desenvolvimento harmônico", concluiu. Os recursos utilizados, segundo Reis, para realizar os projetos coletivos, provêm do conselho da RMC, da Agência Metropolitana de Campinas (Agemcamp), e do Fundo de Desenvolvimento Metropolitano de Campinas (Fundocamp). O Fundocamp é ligado à Agência e atua na aplicação dos seus recursos abrangendo o interesse comum da Região Metropolitana de Campinas.

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Mariana Camba/Correio Popular