Publicado 20 de Agosto de 2021 - 7h42

Por Mariana Camba/ Correio Popular

Monik Fischer Ortiz usam as redes sociais pessoais para divulgar a importância da vacina contra a covid-19 e combater o negacionismo

Diogo Zacarias

Monik Fischer Ortiz usam as redes sociais pessoais para divulgar a importância da vacina contra a covid-19 e combater o negacionismo

O movimento nas redes sociais em prol da vacinação contra a covid-19 tem formado uma campanha eficiente de divulgação da importância da imunização contra a doença. Para o professor titular do Instituto de Química (IQ) e membro da força tarefa no combate à covid-19 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luiz Carlos Dias, esse foi um meio de as pessoas se unirem a favor do bem coletivo diante da ausência do governo federal em produzir uma campanha de conscientização sobre a vacina, que estimulasse a adesão da população. "Isso deveria estar sendo divulgado em todos os canais de comunicação. Como, até o momento, não houve essa iniciativa, a população tem agido de maneira voluntária, se auto-organizando entre os mais diferentes setores da sociedade. Esse foi o meio que encontramos para lutar pela sobrevivência", explicou.

Segundo Dias, a cada foto publicada nas redes sociais, maior fica a rede de empatia e de respeito à vida, que reconhece a ciência como única alternativa para vencer essa guerra pandêmica. "Eu postei uma foto quando recebi a vacina. Fiz por ser algo positivo, que gera uma mensagem de esperança. Precisamos validar a ciência, o profissional da saúde e propagar este ato seguro", afirmou. Em momento de tanta fake news e notícias negacionistas, acrescentou, fazer-se presente e lutar contra esse mal é essencial. Para o docente, as redes sociais tonaram-se um canal de combate à desinformação.

Para Dias, a informação segura é capaz de salvar vidas. No entanto, comentou, ela tem partido de baixo para cima, quando a ordem deveria ser inversa. Chegar até às pessoas e não partir delas. "Mas, ao menos, podemos contar com o senso de responsabilidade social", enalteceu. De acordo com ele, a pandemia impôs a luta contra o novo coronavírus e à fake news. "As notícias falsas também matam", lamentou. Por isso, informou, todos possuem a responsabilidade cívica de mostrar respeito à vida e não compactuar com a propagação negacionista, que insiste em tornar a imunização algo político e polarizado, quando, na verdade, é "a salvação".

"Precisamos combater o movimento anticiência e criar cada vez mais canais de interface para transmitir informações verdadeiras. É um pacto coletivo", considerou. O docente ressaltou que o movimento contra a vacina é considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das dez ameaças à saúde global. "Na falta das estratégias nacionais, cabe a nós agirmos". O docente entende que quanto maior o contingente de pessoas engajadas, mais informações corretas serão propagadas. É necessário mostrar que as vacinas são o grande legado dessa pandemia, acrescentou, por ser uma resposta fantástica contra a doença.

Para o professor, as doses são uma ferramenta de saúde pública, e caso a população não se dê conta disso, as perdas podem ser irreparáveis. "A doença não tem lado político. Se não for possível compreender isso, vai ficar difícil defender qualquer coisa com base na ciência daqui em diante", concluiu. Para o criador e membro do Grupo de Estudos de Desinformação em Redes Sociais (EDReS) da Unicamp, Leandro Tessler, as redes sociais são amplificadores de informação. "Em geral, nós transmitimos conteúdos com os quais concordamos. As fake news, neste contexto, são muito mais fáceis e simples de tornarem senso comum. Por isso o perigo", declarou.

Em relação à vacina, lembrou Tessler, há também os que participam do movimento contra os imunizantes. "Por isso, quanto mais pessoas postarem fotos e vídeos recebendo a dose, mais o coletivo pró-vacina ganha força". Essa exposição da luta pela vida nas redes tem sido de grande valia, com efeito positivo em curto e longo prazo, garantiu.

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Mariana Camba/ Correio Popular