Publicado 19 de Agosto de 2021 - 14h10

Por Gilson Rei/ Correio Popular

Vanessa Andrade, moradora do condomínio Pitangueira, mostra uma das rachaduras: financiado por 30 anos, apartamento virou motivo para dores de cabeça

Kamá Ribeiro

Vanessa Andrade, moradora do condomínio Pitangueira, mostra uma das rachaduras: financiado por 30 anos, apartamento virou motivo para dores de cabeça

Trinta famílias estão desalojadas e proibidas de entrar em seus apartamentos depois que dois blocos do condomínio Pitangueira, localizado na Vila São Francisco, em Hortolândia, foram interditados pela Defesa Civil por causa do surgimento nas edificações. Os moradores tiveram que deixar suas moradias às pressas e procurar um abrigo temporário. Eles dizem aguardar uma manifestação da construtora Rossi, responsável pelas obras do condomínio, para saber como e quando os problemas serão resolvidos.

O bloco 5 do Pitangueira, que abrigava 14 famílias, foi interditado na noite de terça-feira passada por causa do surgimento de diversas rachaduras na parede. O mesmo ocorreu no bloco 10, onde vivem 16 famílias, em junho. Os moradores dos dois blocos conseguiram apoio de familiares, mas afirmam que não receberam respaldo ou resposta da construtora. A Prefeitura de Hortolândia chegou a oferecer um ginásio de esportes para atender os desalojados, que preferiram buscar o apoio de familiares.

A construtora Rossi foi procurada pela reportagem ontem, mas não deu retorno ao pedido de informações. Os dois blocos que apresentaram problemas estruturais foram construídos há dez anos. Técnicos da Defesa Civil de Hortolândia decidiram pela interdição devido ao risco de desabamento. O comentário entre moradores é que as edificações apresentariam problema na fundação, mas um laudo técnico é que apontará a real causa e extensão dos danos.

Os moradores foram surpreendidos com a interdição. Vários disseram que não puderam entrar nem para tirar os móveis dos apartamentos. Na estrutura, as rachaduras são visíveis e estão tanto na parte interna dos apartamentos como na parte externa dos prédios. Thalita Fernanda de Souza Coelho, síndica do condomínio, disse que há divergência entre moradores e construtora em relação à causa das rachaduras.

"A Rossi emitiu uma nota alegando que foi o paisagismo que causou as rachaduras, mas não tem lógica, pois engenheiros foram contratados e disseram outra coisa. Os laudos realizados indicaram que o problema é com a fundação e que a obra foi malfeita. No terreno, havia minas de água, o que contraindicaria a construção dos apartamentos", comentou a síndica.

A Thalita disse que a construtora foi procurada, mas não deu retorno. "Por isto, o jurídico está reunindo a documentação necessária para tentar acelerar os direitos dos moradores", informou. Como foi muito rápida a ação de interdição, a síndica contou que disponibilizou para os moradores a área do salão de festas para aqueles que não tinham para onde ir, mas eles conseguiram abrigo com familiares. "Esperamos que a construtora assuma a sua responsabilidade por tudo o que está acontecendo", comentou.

A Prefeitura de Hortolândia informou que acompanha de perto a situação dos moradores dos dois blocos, e que técnicos da Defesa Civil voltarão ao local para avaliar a situação. O órgão informou ter solicitado junto à administradora do condomínio um documento, a Anotação de Responsabilidade Técnica, para definição dos responsáveis técnicos pela execução de obras e a possível suspensão da interdição do bloco 5. O mesmo já foi solicitado em relação ao bloco 10, mas até agora o documento não foi apresentado.

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Gilson Rei/ Correio Popular