Publicado 18 de Agosto de 2021 - 10h03

Por Gilson Rei/Correio Popular

Com a liberação do comércio com 100% da capacidade de lotação e sem horário limite de funcionamento, as pessoas voltaram a frequentar academias de ginástica, salões de beleza e, no final dia, curtir um happy hour num boteco em Campinas; apesar da flexibilização total, os protocolos sanitários devem ser mantidos com rigor

Diogo Zacarias

Com a liberação do comércio com 100% da capacidade de lotação e sem horário limite de funcionamento, as pessoas voltaram a frequentar academias de ginástica, salões de beleza e, no final dia, curtir um happy hour num boteco em Campinas; apesar da flexibilização total, os protocolos sanitários devem ser mantidos com rigor

Apesar da pandemia da covid-19 ainda não estar controlada, a maioria da população de Campinas entrevistada aprovou as medidas que começaram a vigorar ontem, estabelecidas pelo Plano São Paulo e pelo decreto municipal publicado no Diário Oficial. As pessoas demonstraram alívio com a liberação de atividades com capacidade de 100% e sem horário limite de funcionamento. Alegaram também que é fundamental manter os cuidados sanitários e a vacinação em massa para que haja um retorno mais próximo da normalidade anterior à pandemia.

As regras que começaram a valer dão maior liberdade a diversos setores: comércios, shoppings, igrejas, academias, salões de beleza, parques, clubes e condomínios, que passaram a ter medidas mais flexíveis, com respeito rigoroso dos protocolos sanitários. Para qualquer atividade autorizada na cidade, a Prefeitura exige que seja cumprido o distanciamento de um metro, no mínimo, entre as pessoas. As fiscalizações vão continuar.

André Amorin, sócio de uma casa noturna, disse que foi importante esse novo direcionamento. "Agora a vida começa, principalmente para o comércio noturno, que foi o mais afetado com as medidas de restrição. Com a retomada dos horários e das pessoas nos estabelecimentos, a expectativa é positiva", explicou. "É lógico que será necessário manter as regras de segurança para evitar contágios em locais que reúnem muitas pessoas", disse.

O comerciante mantém a preocupação em seguir com a proteção contra o vírus. "A gente sabe que a pandemia não acabou e que o principal objetivo é o bem estar dos clientes e dos funcionários. O uso de máscara será obrigatório na maior parte das áreas, assim como a oferta de álcool em gel", afirmou. "Para o futuro vejo uma luz no final do túnel quanto ao combate à pandemia, com a conscientização da população e o avanço da vacinação. Espero que a população esteja familiarizada com as novas regras, que incluem a lavagem das mãos e uso de máscara e álcool gel", finalizou.

Monique Volpini, relações públicas, que estava em um salão de beleza, disse que a volta de horários mais esticados e outras ampliações de atividades para o comércio são muito importantes. "É ótimo para a economia este retorno. As pessoas precisam manter os cuidados, pois a variante Delta está assustando.

Acho que é fundamental voltar com todos os meios de proteção, desde máscara e álcool gel, até a manutenção do distanciamento social e das medidas de higienização. Se todos tomarem cuidado e vacinar as doses, as coisas vão voltar mais rápido", revelou.

Rodrigo Caratto, gerente e cabeleireiro de um salão de beleza, destacou que as novas regras serão benéficas para a saúde do comércio e dos empregos, porém com todos os cuidados. "A flexibilização é algo muito bom, não só para os comerciantes, mas também para os clientes e população em geral. Depois de quatorze meses enjaulados, com limitações de trabalho, tenho as melhores expectativas possíveis", disse.

O cabeleireiro destacou a segurança. "É lógico que a gente também vai cuidar da segurança. O uso de máscara, álcool em gel, ações de limpeza e higienização são ainda imprescindíveis para prevenção. Temos que seguir as regras e agilizar a vacinação até que todos estejam cem por cento imunizados. A expectativa é muito positiva", disse. "As vacinas são fundamentais para este novo começo. É bom lembrar também a lição tirada nesta pandemia, que foi a valorização da higienização, da limpeza, do uso de máscaras e dos cuidados com os protocolos de serviço", resumiu.

Algumas pessoas não concordaram com a maior flexibilização. Tânia Gonçalves, dona de casa, que estava também ontem no salão de beleza, disse que a flexibilização não deveria ocorrer neste momento. "É muito cedo ainda e acho que deveriam manter as regras de restrições mais rígidas até a vacinação em massa. Tem a variante Delta surgindo em algumas cidades e nem todos estão com a proteção", afirmou.

A falta de consciência foi lembrada por Tânia. "A questão preocupante é que as contaminações podem voltar a lotar os hospitais com esta liberação. Estou no cabeleireiro hoje porque vi que estão seguindo as medidas de proteção com rigor. Fico preocupada com as aglomerações, festas e outros locais que juntam muita gente que não respeitam as regras", comentou.

Atividades Físicas

Ana Carolina Ortolani, gerente de uma academia de esportes, que oferece diversas modalidades de atividades físicas, desde natação e pilates, até fit, yoga e ballet, afirmou que esta flexibilização chegou no momento certo e com proteção. "O ideal é manter todos os cuidados que já estavam sendo aplicados, incluindo totem de proteção, máscaras, álcool em gel, higienização dos espaços e locais de maior uso", disse.

A volta consciente foi defendida por Ana Carolina. "Percebemos que as pessoas estão voltando às atividades na academia, aos poucos, sempre depois de ter passado pela vacina. Os profissionais que dão aulas estão todos vacinados também e isto garante maior segurança. Os protocolos de higienização nos ambientes continuam e vão continuar por muito tempo, mesmo depois da pandemia. Houve também um treinamento de procedimentos com todos os profissionais, incluindo o pessoal da limpeza", afirmou.

A flexibilização surgiu, segundo ela, para salvar o comércio e os empregos. "A abertura veio em bom momento, pois a academia ficou fechada por cinco meses e reabriu com poucos alunos por muito tempo. Perdemos a metade dos inscritos na escola, mas acredito que vão voltar com a melhoria gradual da situação", afirmou.

Renata Caltabiano, publicitária, mãe do Murilo, de 5 anos; e da Manuela, de 8 anos; alunos de natação, que estavam ontem na academia, afirmou que a flexibilização foi muito bem vinda. "A abertura mais ampla é imprescindível principalmente para as crianças. Tanto na atividade física, como na escola. As crianças não têm esta dimensão de confinamento que surgiu na pandemia. Eles não gostam de ficar trancados dentro de casa e precisam se relacionar, correr, brincar e praticar esportes", afirmou.

O retorno mais flexível será bom para a saúde, segundo Renata. "Confinadas, as crianças sofrem fisicamente e psicologicamente. Tem crianças que engordaram, outras perderam a coordenação motora e a atividade física é muito importante para o desenvolvimento e, se não praticam, terão problemas sérios no futuro. A vida das crianças deve se manter dentro do normal e, mesmo neste período de pandemia, procurei sempre levar para espaços mais desertos para prática de esportes, bicicleta e patins com todo o cuidado necessário", explicou.

Renata finalizou lembrando a importância da vida social. "É essencial também manter a sociabilização. É primordial para o aprendizado e o crescimento saudável, afinal as crianças estão na fase de desenvolvimento intelectual e físico. A segurança é possível fazer, usando espaços mais vazios e seguros", destacou.

Para qualquer atividade autorizada na cidade, a Prefeitura exige que seja cumprido o distanciamento de um metro, no mínimo, entre as pessoas. As fiscalizações por órgãos municipais vão continuar.

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Gilson Rei/Correio Popular