Publicado 18 de Agosto de 2021 - 9h13

Por João Lucas Dionisio/Correio Popular

Terminal de Cargas do Aeroporto de Viracopos: desempenho do terminal aéreo referente ao transporte de mercadorias no primeiro semestre de 2021 foi superior ao do mesmo período de 2019, na fase pré-pandêmica

Ricardo Lima

Terminal de Cargas do Aeroporto de Viracopos: desempenho do terminal aéreo referente ao transporte de mercadorias no primeiro semestre de 2021 foi superior ao do mesmo período de 2019, na fase pré-pandêmica

Porta de entrada e saída de cargas para diversas indústrias nacionais, o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, é o segundo mais movimentado do Brasil no setor, além de ser o único terminal do país que registrou números melhores no primeiro semestre deste ano, com uma alta de 53,3% em volume de cargas, do que no mesmo período de 2019, que antecedeu a pandemia. Os dados também indicam um aumento de 38,23% na movimentação de cargas se comparado aos seis primeiros meses de 2013, ano que deu início à concessão de Viracopos. O índice positivo se deve ao aumento nos setores de importação, exportação, remessas expressas e cargas nacionais, com destaque para os segmentos de tecnologia, farmacêutico, químico, vestuário, calçados, frutas, autopeças, automotivo e papelaria.

De janeiro a junho deste ano, 168.924 toneladas foram embarcadas ou desembarcadas por Viracopos. O destaque é o mês de junho, que registrou 30,2 mil toneladas, índice 73,6% maior do que o mesmo período de 2019, ano tomado como base de comparação, por ser o período imediatamente anterior à pandemia de covid-19. De acordo com o diretor de operações do aeroporto, Marcelo Mota, que também foi responsável por quase uma década pelo terminal de Toronto, no Canadá, Viracopos possui especialidade em transporte de cargas desde a sua criação.

O aumento no número de movimentação de cargas, de acordo com o diretor, é decorrência dos impactos gerados pela covid-19. "Existem duas formas do deslocamento de encomendas na aviação: o chamado 'puro', que é feito por meio de aeronaves específicas, e a de 'barriga', que transporta a carga utilizando o porão dos aviões comerciais de passageiros", detalhou Mota. Segundo ele, o número de voos internacionais de passageiros caiu drasticamente devido à pandemia, o que fez com que empresas migrassem seus produtos para as aeronaves cargueiras. Como o aeroporto de Campinas tem especialidade neste tipo de transporte, "a opção foi por um terminal que tinha infraestrutura adequada para o escoamento dessas cargas, que é o caso de Viracopos", justificou.

Em média, Campinas recebe 17 aviões de cargas por dia. Na lista dos dez maiores aeroportos brasileiros em movimentação de carga aérea no primeiro semestre de 2021, Viracopos é o segundo colocado, ficando atrás apenas de Guarulhos. "Transportamos mais de 41% de toda a carga aérea do Brasil, ou seja, é o maior aeroporto em número de declaração de importação e exportação e em valor de encomendas, além de obter a segunda maior receita da alfândega nacional", exemplificou o diretor.

Além da importância do terminal de cargas, Viracopos também se tornou a maior porta de entrada de vacinas contra a covid no país. Segundo dados divulgados pelo diretor de operações, o aeroporto recebeu até aqui 38 milhões de doses. Até o final do ano, deve receber mais 168 milhões apenas da empresa Pfizer. "Realizamos um trabalho de 'desembaraço sobre as nuvens', em conjunto com a Receita Federal e com a Anvisa, o que facilita o desembarque e o escoamento pelo transporte terrestre", afirmou Marcelo Mota.

Geralmente, em outros aeroportos, a carga só é verificada após a chegada ao Brasil. Entretanto, com o modelo adotado por Viracopos, os documentos já são mandados para análise no momento da decolagem. Segundo o diretor, "quando a aeronave aterrissa, é feita uma conferência física e a liberação acontece de maneira rápida. Um processo que, em alguns locais, pode durar mais de seis horas, em Campinas não leva mais do que 20 minutos", assegurou Mota.

Primordial

Vice-diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) em Campinas, José Henrique Toledo Corrêa considera que Viracopos é primordial para as empresas e para a população de todo o Estado de São Paulo. "É algo fantástico contar com um aeroporto desse porte em uma região tão importante. É possível acessar praticamente todas as localidades do Brasil sem precisar se deslocar para São Paulo", analisou. Apesar da distância teoricamente pequena para Guarulhos, segundo o vice-diretor, "o preço e a produtividade gerada pelo fato de contar com um terminal aéreo próximo é significativo para as empresas da região".

Os custos de transporte mundial, de acordo com Corrêa, estão altos em consequência da pandemia. "Além da doença, as indústrias estão tendo que enfrentar outros problemas econômicos que foram gerados por ela, tudo isso acaba ocasionando em um aumento nos preços do deslocamento", explicou. Entretanto, acrescentou o dirigente, "com o aumento da competitividade das companhias aéreas, haverá uma precificação mais justa para as empresas que dependem desse tipo de transporte, o que vai beneficiar o setor industrial". Além disso, para o vice-diretor do Ciesp, o chamado "custo Brasil" também corrobora para a diminuição do fluxo dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Escrito por:

João Lucas Dionisio/Correio Popular