Publicado 18 de Agosto de 2021 - 9h11

Por Da redação

Equipe que integra um dos órgãos de combate às queimadas da Prefeitura de Campinas tenta controlar fogo em trecho da Mata de Santa Genebra: período de estiagem contribui para o surgimento de focos diários

Kamá Ribeiro

Equipe que integra um dos órgãos de combate às queimadas da Prefeitura de Campinas tenta controlar fogo em trecho da Mata de Santa Genebra: período de estiagem contribui para o surgimento de focos diários

Por conta do longo período sem chuvas, Campinas registrou um aumento de 78% nos registros de incêndios florestais em 2021, em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo os órgãos municipais, a maior parte das ocorrências de fogo está relacionada às ações humanas, tanto de maneira acidental quanto intencional. Entre os meses de junho e setembro, a incidência é maior pelo fato de a estiagem facilitar a propagação do fogo. Visando controlar o número de queimadas, o município conta, desde 1991, com a Operação Estiagem, que realiza um monitoramento aéreo e terrestre da área.

Atualmente, a iniciativa conta com o auxílio de drones e de equipes terrestres na tentativa de identificar e combater os possíveis focos.

O fogo não controlado em florestas, vegetações variadas e áreas naturais ou rurais recebe o nome técnico de "incêndio florestal". Estes eventos prejudicam, de maneira importante, o meio ambiente, causando, entre outros danos, a morte de animais silvestres, o aumento da poluição no ar e a diminuição de fertilidade do solo. Provocam, ainda, acidentes com vítimas em estradas e problemas respiratórios na população. Para atenuar esses problemas, entidades ligadas à Prefeitura de Campinas, como a Defesa Civil, monitoram a qualidade do are o nível da temperatura, além de realizarem a emissão de alertas à população por meio de mensagens instantâneas.

Segundo o diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, o período de seca na região facilita o surgimento de queimadas. Segundo dados obtidos pelo monitoramento realizado pelo órgão, entre os meses de maio e junho foram registrados 237 focos de incêndios na cidade, além de 86 boletins de estado de atenção, alerta e emergência em decorrência da baixa umidade do ar no município, de ondas de frio e de possibilidades de chuvas fortes. Os números representam um aumento de 78,2% em relação ao ano passado, quando foram registrados 133 episódios.

"A Defesa Civil realiza um monitoramento bastante detalhado por meio de satélite e, se houver necessidade de mais informações específicas, utilizamos drones e veículos terrestres. Essas informações são fundamentais para que se possa evitar algum principio de incêndio, principalmente nos distritos de Sousas e Joaquim Egídio, além da Mata Santa Genebra", detalhou Furtado.

Estado

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em julho deste ano, 789 focos de incêndios foram detectados no Estado de São Paulo por meio de satélite. Para efeito de comparação, no mês anterior foram registradas 136 ocorrências. O ano de 2020, entretanto, exemplifica a necessidade de prevenção dos focos de incêndios florestais. Durante o período, mais de 90% dos 269 focos foram causados por ações humanas que poderiam ter sido evitadas. A quantidade de problemas com fogo em áreas de preservação ou reserva também preocupam as entidades. No ano passado, cerca de um milhão de hectares foram destruídos por causa das queimadas. Apenas no primeiro semestre de 2021, mais de três milhões de hectares foram comprometidos pelo fogo, ocasionando um prejuízo incalculável para o meio ambiente.

O Sistema de Prevenção Estadual, também conhecido como Operação Corta-Fogo, é formado por diferentes órgãos estaduais e municipais, como o Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental, Defesa Civil, entre outros. Dividido em três fases durante o ano, o programa desenvolve uma série de atividades de forma permanente. A fase verde, que vai de janeiro a março e de novembro a dezembro, é dedicada às atividades de planejamento e início dos trabalhos de prevenção e preparação.

A segunda parte da bandeira verde, que ocorre nos últimos dois meses do ano, é palco de uma avaliação da temporada. O segundo período, que é a Fase Amarela, ocorre em abril e maio com o objetivo de traçar as ações para combate dos incêndios. A terceira e última parte, entre junho e outubro, é chamada de Fase Vermelha, que é o período mais crítico, onde são realizados combates e fiscalizações repressivas.

Displicência

Para o tenente coronel do 7ª Batalhão do Corpo de Bombeiros de Campinas, Eglis Chiachirini, boa parte dos incêndios é causada por displicência do cidadão. "Com o objetivo de realizar uma limpeza nos terrenos, muitas pessoas promovem queimadas e, na maioria das vezes, acaba perdendo o controle e atingindo outras áreas. Além disso, nas rodovias, é perceptível o número de focos gerados por bitucas de cigarros", explicou o coronel. Entretanto, segundo ele, nos últimos meses aumentou a procura de condomínios em Campinas com interesse em cursos de prevenção ministrados pelos Bombeiros.

Visando o combate aos incêndios florestais, o governo do Estado de São Paulo investiu mais de R$ 7 milhões na Operação Corta-Fogo. O valor é utilizado para a contratação de bombeiros civis, compras de equipamentos de segurança, além da locação de máquinas e veículos que auxiliem durante a operação. Algumas aeronaves específicas para atuação em combate ao fogo foram contratadas por causa da eficiência, pois possuem capacidade de lançar até 1.500 mil litros de água sobre a floresta, facilitando o trabalho das equipes por terra.

As ocorrências, na maioria das vezes, são geradas, principalmente, pelo uso irregular do fogo em atividades agropecuárias, vandalismo e queda de balão, segundo dados do painel geoestatístico da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente. Para Sidnei Furtado, da Defesa Civil de Campinas, com exceção da queda de balão, os donos de terrenos respondem pelos incêndios. "O dono é o responsável. A maioria dos incêndios ocorre por conta de limpeza do terreno, o que é muito errado", afirmou.

Em 2016, Furtado lançou o sistema de avisos por meio de mensagens, que de acordo com ele tem sido "fundamental". "Desde aquele ano, quando tivemos o desastre provocado por um possível tornado, percebemos a necessidade de alertas antecipados para que a sociedade possa se preparar para uma chuva forte, por exemplo, ou evitar uma caminhada durante um período seco."

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