Publicado 10 de Agosto de 2021 - 11h45

Por Gilson Rei/Correio Popular

O técnico de apoio à pesquisa do Instituto Agronômico de Campinas, Carlos Ap. Fernandes, confere plantação de trigo na Fazenda Santa Elisa: 5G trará novas possibilidades ao agronegócio

Ricardo Lima

O técnico de apoio à pesquisa do Instituto Agronômico de Campinas, Carlos Ap. Fernandes, confere plantação de trigo na Fazenda Santa Elisa: 5G trará novas possibilidades ao agronegócio

A quinta geração de comunicação móvel, conhecida como 5G, vai provocar no Brasil uma revolução com a oferta de maior velocidade de internet, o que permitirá acelerar o processo de conexão entre diferentes tipos de máquina e equipamentos, impulsionando consequentemente a chamada "internet das coisas" (IoT) em diversos setores, principalmente no agronegócio.

Além de facilitar a vida das pessoas, variados segmentos produtivos, da indústria à medicina e da educação à logística em transporte, também serão beneficiados com a tecnologia. Em fase de implantação em 65 países, o 5G oferece maior velocidade de download e uma conexão mais estável e com menor latência, ou seja, com reduzido tempo de resposta entre um comando e sua execução. Estes e outros aspectos foram abordados ontem e continuarão sendo alvo de aprofundamento hoje, no webinário "5G: Desafios e Possibilidades", promovido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A organizadora do webinário, Marina Martinelli, doutoranda do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências (IG), defende uma tese focada no jogo de estratégias no leilão brasileiro do 5G. Ela destacou que o evento foi criado para debater pontos-chave da disputa das empresas que devem concorrer à implantação da nova tecnologia móvel, cujo edital deverá ser votado na Câmara dos Deputados ainda este mês.

O primeiro ponto abordado ontem por Marina foi o uso industrial, em setores como o agronegócio. "No agronegócio, há uma maior valoração dos produtos gerados, com alta qualidade e etiquetagem com certificação sustentável. No campo, a modelagem de dados permite a realização de estimativas de safras e o acompanhamento de plantações e animais, bem como a colheita e a pulverização automatizadas. A eficiência recai, por exemplo, sobre a detecção e controle de pragas", explicou.

Marina destacou que fontes internacionais estimam que os gastos globais em 5G pela agricultura cresçam de US$ 8 bilhões em 2021 para US$ 26 bilhões em 2030. A pesquisadora lembrou também que o relatório "IoT Solutions for Farming and Agriculture Overview" informou que as tecnologias de detecção e conectividade para implantação de 5G na agricultura é esperada no Brasil e no mundo em três setores principalmente: agricultura de precisão; estufas inteligentes; e rastreamento e monitoramento de gado.

Os agricultores podem usar sensores para serem mais eficientes na irrigação das plantações, ajustando automaticamente o uso da água com base em temperaturas em tempo real, mudanças climáticas e níveis de umidade do solo. Os sensores podem ajudar a prevenir o desperdício de alimentos de várias maneiras, desde ajudar a identificar o tempo ideal de colheita no campo até planejar as rotas de transporte mais eficientes e monitorar o frescor quando os produtos estão nas prateleiras do supermercado.

Para aumentar a eficiência, os especialistas em agronegócio apontam para o 5G na agricultura de precisão, que é um modelo agrícola que consiste na utilização de sensores para otimizar o uso de pesticidas, fertilizantes e água. A tecnologia entrou em uso na década de 1980, quando o GPS se tornou acessível a alguns agricultores, especialmente em países desenvolvidos, como os da União Europeia. A agricultura de precisão moderna também usa GPS, como sensores, tecnologia GIS e software avançado. Os métodos empregados dependem principalmente de uma combinação de tecnologia de navegação e posicionamento por satélite.

Sociais

A chegada do 5G poderá trazer mais velocidade de conexão às redes de banda larga, o que significa que mais pessoas poderão estar conectadas sem perda da qualidade do sinal. "Essa melhoria também permite a interconexão de vários equipamentos em casa ou no escritório, o que possibilita acesso das famílias aos produtos inovadores e utilidades domésticas que ainda não são utilizados no Brasil pela baixa capacidade de conexão", disse Marina.

No nível das smart homes (casas inteligentes), as geladeiras inteligentes permitem uma dieta eficiente, dado que o próprio sistema nela instalado estabelece o processo de compra e entrega dos alimentos conforme a necessidade do indivíduo. "As casas inteligentes terão economia dos custos de energia, o que as tornará mais sustentáveis. Por exemplo, conectar medidores de serviço a uma rede central significa que os fornecedores de energia podem detectar e responder às flutuações do uso", exemplificou.

Entre outras possibilidades que também estarão disponíveis aos usuários, está a detecção em tempo real de vazamento de gás, com a respectiva chamada de emergência. "As câmeras e campainhas estarão conectadas às fontes 5G. Os sensores do uso de água permitirão um maior controle do morador sobre os gastos, e as lâmpadas estarão conectadas por rede elétrica 5G", acrescentou a pesquisadora.

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Gilson Rei/Correio Popular