Publicado 10 de Agosto de 2021 - 11h37

Por Mariana Camba

No alto, entrada do Lar dos Velhinhos, onde 43 casos foram detectados; já na entidade Sênior Vit (abaixo), foram 47 positivados com covid-19

Diogo Zacarias

No alto, entrada do Lar dos Velhinhos, onde 43 casos foram detectados; já na entidade Sênior Vit (abaixo), foram 47 positivados com covid-19

Quatro surtos de covid-19 foram registrados em duas Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPIs) localizadas em Campinas. O problema ocorreu em três unidades da Sênior Vit e no Lar dos Velhinhos. No total, são 90 casos da doença confirmados, sendo que em 10 deles, os idosos morreram. Todos foram registrados entre os meses de julho e agosto deste ano.

O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) informou que as visitas em todas as unidades estão suspensas. O fato foi divulgado onze dias depois de a Prefeitura de Campinas anunciar a retomada de visitas às pessoas internadas nas ILPIs. Para o médico infectologista do Hospital PUC-Campinas, André Giglio, a liberação anunciada pela Administração foi uma medida pouco cautelosa.

No Lar dos Velhinhos, foram 36 casos confirmados entre os moradores e sete em trabalhadores, sendo que dois idosos e uma funcionária estão internados e seis idosos morreram. Na primeira casa da Sênior Vit, 14 idosos foram infectados e três estão internados. Entre os funcionários nesta unidade, sete adoeceram.

Na segunda unidade da mesma instituição sete moradores testaram positivo, sendo que três morreram e três estão internados. Além disso, três funcionários se infectaram. Na terceira casa da Sênior Vit, 12 idosos estão com covid-19. Destes, um morreu e três estão internados. Entre os trabalhadores, quatro adoeceram.

Investigação

O Devisa informou que os profissionais da Vigilância estiveram em todos os locais e adotaram as providências preconizadas, como busca ativa de infectados, avaliação dos processos de trabalho, orientações de medidas, como isolamento de sintomáticos, além de testes em todos os funcionários e moradores, com ou sem sintomas. "Importante ressaltar que a causa das mortes das pessoas está sendo investigada para que se esclareça se foram mesmo por covid-19 ou não. Afinal, todas tinham outras doenças", informou o município por meio de nota.

De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura, todos os idosos acometidos pela doença foram vacinados contra o novo coronavírus e a maioria dos funcionários estava imunizada.

Para Giglio, os episódios reforçam a necessidade de manter os cuidados contra a covid-19 mesmo depois de as pessoas receberem as doses dos imunizantes. Ainda não é possível afirmar que a transmissão da doença está controlada, informou. Por isso, acrescentou, é preciso ter maior rigor nas ILPIs para evitar que mais surtos da doença sejam registrados. "Esse são locais em que a transmissão do vírus se dá de maneira mais fácil, pois são várias pessoas convivendo em ambientes fechados, pelo menos na maior parte do tempo, como quando frequentam as salas ou quartos", explicou.

"A vacina tem o efeito protetor, mas nenhum dos imunizantes garante 100% de eficácia. Portanto, casos graves ainda podem ocorrer em vacinados. Qualquer descuido com as medidas de prevenção oferece risco", reiterou. Outro fator preocupante, segundo o médico, é a variante Delta.

De acordo com ele, em todo o Estado os casos positivos de covid-19 pela variante Delta representam 4% do total, e na região de São Paulo capital, o percentual sobe para 23,5%. Como essa mutação do vírus é mais transmissível, acrescentou, há a necessidade de manter o rigor nas medidas de prevenção contra o novo coronavírus. "O fato é que cada vez mais estamos identificando a presença dessa variante. Por isso, é bem provável que ela esteja circulando mais do que imaginamos."

Diante deste cenário, a retomada das visitas nas instituições e a flexibilização das medidas de restrição acabam por aumentar o risco de contaminação, segundo Giglio. Para ele, as ações têm sido adotadas de maneira precoce.

"Estamos no escuro em relação à presença das variantes. Precisaríamos ter esses dados e acesso à porcentagem de circulação das variantes diante todos os casos de infecção, mas não dispomos desse número", informou. Se esses dados fossem analisados e disponibilizados, acrescentou, as medidas de flexibilização possivelmente não seriam adotadas da maneira como vêm sendo conduzidas atualmente.

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Mariana Camba