Publicado 09 de Agosto de 2021 - 9h40

Por Gilson Rei/Correio Popular

Umas das deficiências crônicas do Campo Grande é a falta de áreas de lazer, o que leva os moradores ao improviso

Diogo Zacarias/Correio Popular

Umas das deficiências crônicas do Campo Grande é a falta de áreas de lazer, o que leva os moradores ao improviso

O distrito do Campo Grande tornou-se uma "região-dormitório" dentro de Campinas. Com uma população superior a 200 mil habitantes, aquela porção da cidade é desprovida de estrutura urbana e de equipamentos públicos, quadro gerado pelo adensamento demográfico desordenado. Este foi o principal diagnóstico apontado por especialistas durante debate sobre as políticas públicas e desenvolvimento local ocorrido na última semana na Comissão de Estudos sobre o Desenvolvimento do Campo Grande, instância da Câmara Municipal.

O debate, que contou com a participação de especialistas em questões urbanas, apontou para a necessidade da regularização fundiária e para a instalação de equipamentos públicos básicos nas áreas da Saúde, Educação, Esporte, Cultura e Transporte, dentre outras medidas que garantam à população do distrito mais qualidade de vida. Indicou também a necessidade de um regramento para impedir o surgimento de novas moradias populares, condomínios e loteamentos sem que seja criada antes infraestrutura básica para atender às novas demandas populacionais.

A reunião faz parte de um processo de aprofundamento de temáticas já discutidas pela Comissão de Desenvolvimento do Campo Grande no primeiro semestre deste ano. Segundo o vereador Cecílio Santos (PT), presidente do colegiado, o objetivo é incluir novas sugestões no relatório de propostas para o Plano Plurianual, que o prefeito Dário Saadi (Republicanos) pretende aplicar nos próximos quatro anos.

Santos disse que um relatório preliminar já foi entregue, mas novas propostas ainda poderão ser incluídas. "Nós já entregamos ao prefeito um relatório inicial com demandas do Campo Grande, a tempo para que sejam incluídas no Plano Plurianual. Vamos fazer outros estudos e queremos que as demandas também se convertam em políticas públicas", comentou.

Falta de equipamentos

Claudia Oliveira, socióloga cofundadora da ONG Minha Campinas, destacou que os habitantes do distrito não contam com equipamentos públicos e estrutura básica. Segundo ela, uma demanda importante a ser atendida é a questão da moradia, que mantém relação com o adensamento demográfico na região.

"No Campo Grande ocorreram muitas ocupações e a questão da regularização fundiária tornou-se fundamental. Por conta de vazios urbanos, as pessoas acabam indo para esses lugares e geram esta questão da falta de planejamento e de serviços. A região sofre, por exemplo, com deficiências na estrutura viária, na Saúde, na Educação e até com a falta de iluminação e transporte", elencou.

Um problema básico provocado pelo crescimento desordenado é percebido na Saúde, ressaltou a socióloga. "Com o adensamento desordenado nos bairros, a falta de atendimento é mais percebido. Faltam vagas, há demora, não se consegue agendamento. O poder público justifica que os bairros são muito distantes. Porém, é preciso resolver e garantir o direito à saúde em qualquer lugar do município. Este problema surgiu porque a cidade cresceu de forma espraiada e desorganizada", analisou.

Claudia lembrou que, no Jardim Bassoli, quase 12 mil pessoas foram morar em 2012 em um empreendimento popular, sem infraestrutura básica. "Não houve planejamento urbano e não pensaram no básico. As pessoas que moram lá são obrigadas a pagar altas tarifas de transporte precário para ir ao trabalho, ao estudo e outras questões básicas de saúde, cultura e lazer", insistiu.

Na visão da socióloga, o desenvolvimento deve ser algo compartilhado de forma democrática. "As oportunidades devem ser oferecidas para todos. Os bairros mais afastados devem ter uma facilitação do Poder Público na oferta de oportunidades", defendeu.

A solução, segundo a socióloga, é agir de forma igualitária em todos os setores e provocar o desenvolvimento local em conjunto com todas as ouras regiões. "Tem que reagir de uma forma sistêmica e ter uma política com visão de cidade sustentável. Tem que ter uma visão de cidade para daqui a 50 anos. Atualmente, o Poder Público age de forma pontual e não pensa no desenvolvimento conjunto", comentou.

Claudia disse que a participação da população nas decisões é fundamental. "Tem que fazer com a participação das pessoas. Tem que buscar soluções conjuntas e com participação social. Tentar pensar no envolvimento maior da sociedade para o desenvolvimento de Campinas. O Plano Diretor estratégico levantou um modelo de cidade para o futuro e isso deve ser refletido na legislação e nas ações públicas", finalizou.

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Gilson Rei/Correio Popular