Publicado 07 de Agosto de 2021 - 11h18

Por Rodrigo Piomonte/Correio Popular

Júlia, Lobélia e Elaine, integrantes do grupo: unidas na meta de ajudar na limpeza e proteção da APA

Ricardo Lima/Correio Popular

Júlia, Lobélia e Elaine, integrantes do grupo: unidas na meta de ajudar na limpeza e proteção da APA

Uma área de preservação permanente (APP), que fica no Jardim Miriam, em Campinas, vem sofrendo com o descarte irregular de resíduos. O local, onde se prevê a criação de um futuro parque linear, já foi alvo inclusive de mutirão de limpeza por parte de moradores do bairro e de condomínios vizinhos que se organizaram na tentativa de conter a degradação com as próprias mãos.

A falta da fiscalização da Prefeitura e de um local próximo e adequado ao descarte correto de resíduos sólidos - os chamados ecopontos - vem fazendo com que o problema persista, elevando, inclusive, os riscos novos incêndios na área, já que queimadas vêm sendo constantes na APP devido aos resíduos descartados de forma irregular e longo tempo de estiagem. A Prefeitura informou que já providenciou a limpeza das áreas de descarte. Para o rejeito ecológico de resíduos a cidade toda conta com 16 ecopontos.

A área de proteção permanente no Jardim Miriam fica localizada na região norte da cidade e é cercada por condomínios, entre eles o Alphaville e diversos outros, como o Casa Bela. Segundo os moradores, esse fato pode favorecer o descarte ilegal de resíduos na APP, já que prestadores de serviço dos condomínios e do próprio bairro, ao assumirem a responsabilidade da retirada e descarte dos resíduos, podem estar usando a APP como local de descarte.

Sacos de lixo reciclado e não reciclado, restos de construção, madeiras, pneus, sofás entre outros móveis e materiais são frequentemente encontrados em vários pontos ao longo da APP. Uma situação de impacto ambiental bastante negativa e que vai na contramão das políticas de meio ambiente defendidas pela cidade que, inclusive, possui um plano de manejo de área de proteção elogiado por especialistas.

A Prefeitura, por meio da Secretaria do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SVDS), comemorou o resultado de um Inventário Florestal, elaborado pelo Instituto Florestal do Estado de São Paulo, com imagens de satélite, que apontou que a cobertura vegetal atual do município aumentou nos últimos dez anos. Passou de 10,86% - conforme levantamento feito à época mediante um trabalho denominado de Mapeamento das Áreas Verdes de Campinas, efetuado em conjunto pela Prefeitura Municipal de Campinas e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - para os atuais 14% do território do município coberto por vegetação de importância ambiental.

Preocupados com a situação e com a reincidência de descarte mesmo após a limpeza das áreas, os moradores da região, que se organizaram em um grupo denominado de "Cuidadores da APP do Jardim Miriam", passaram a reivindicar a instalação de um ecoponto no bairro.

Segundo a engenheira eletricista, Liliam Duenas, moradora do bairro e que integra o grupo de cuidadores da APP, depois dos mutirões de limpeza, a esperança agora é a de que a instalação do ecoponto acabe com o descarte. Para ela, um local adequado ao descarte de resíduos mais próximo da APP pode fazer com que as pessoas passem a preservar o meio ambiente.

"Mesmo durante nossa limpeza, observamos novos descartes na área. Por isso, trabalhamos com foco na conscientização. Sem educação ambiental e um espaço fácil para que a população descarte seus resíduos, estes são descartados nos matos mais próximos, que, no nosso caso, são as áreas tombadas e APPs", disse.

Rede social

O apelo para a preservação do local - que inicialmente foi realizado por meio do mutirão de limpeza, plantio de árvores e instalação de placas no local, orientando sobre a área ser de proteção ambiental permanente - ganhou as redes sociais e um abaixo assinado virtual que já soma mais de 2 mil assinaturas.

A mobilização chegou, inclusive, à Câmara de vereadores. O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Campinas, vereador Luiz Rossini (PV), pediu, por intermédio de uma indicação encaminhada à Prefeitura, a instalação imediata de um Ecoponto no Jardim Miriam.

A pedagoga Helene Whyte, que também integra o grupo de Cuidadores da APP, disse que os moradores da região que buscam por um ecoponto para o descarte de resíduos sólidos precisam ir até o distrito de Barão Geraldo para faze-lo. "É muito longe para quem mora aqui na região do Jardim Miriam. Isso talvez explique os descartes que vêm há anos acontecendo na área de proteção ambiental", disse.

Segundo informações da Prefeitura, já foi solicitada a limpeza e retirada dos resíduos - fruto do descarte irregular da APP do Jardim Miriam. A Adminitração informou ainda que a cidade tem 16 ecopontos distribuídos em diversas regiões. Esses locais recebem recicláveis e outros resíduos levados pela população.

O Executivo municipal informou ainda que planeja ampliar gradativamente a coleta seletiva e os ecopontos. No entanto, alega que vários fatores precisam ser levados em conta para a instalação do equipamento, como estrutura a ser implementada, se há ponto viciado de descarte irregular na região, zoneamento, entre outros.

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Rodrigo Piomonte/Correio Popular