Publicado 05 de Agosto de 2021 - 11h00

Por Gilson Rei/Correio Popular

Vista do teatro interno do Centro de Convivência em obras; ao fundo, o fosso recuperado que voltará a ser utilizado pela Orquestra Sinfônica, graças ao rebaixamento do lençol freático

Kamá Ribeiro/Correio Popular

Vista do teatro interno do Centro de Convivência em obras; ao fundo, o fosso recuperado que voltará a ser utilizado pela Orquestra Sinfônica, graças ao rebaixamento do lençol freático

As obras no Centro de Convivência Cultural, iniciadas há dez meses em Campinas, estão dentro do cronograma estabelecido e apresentam avanços na recuperação do complexo, que está há 12 anos sem funcionar na cidade. Esta foi a constatação positiva da Comissão de Representação da Câmara Municipal, que foi inspecionar a reforma, nesta quarta-feira, acompanhada pelos responsáveis da obra.

Se tudo continuar neste ritmo, a primeira fase será concluída em outubro do ano que vem. Não há ainda expectativa de entrega da segunda fase - quando serão trocados os equipamentos da área cênica, iluminação, vídeo e acústica.

O engenheiro da Secretaria de Infraestrutura, Claudio Natal Orlandi, responsável pelos trabalhos, afirmou que, em dez meses de atividades no Centro de Convivência, o cronograma foi executado dentro da programação. "Toda a infraestrutura do teatro foi trabalhada. Primeiramente, foi realizada a parte de demolição na área interna e externa. Na sequência as caixas de acesso e as estruturas para instalações elétricas também foram trabalhadas em todo o entorno do teatro. A drenagem do fundo do palco e o rebaixamento do lençol freático, que foram grandes intervenções, já estão também realizadas", comentou.

Segundo o engenheiro, o rebaixamento do nível da água, por exemplo, vai viabilizar a utilização do fosso da Orquestra Sinfônica que ficou muitos anos sem utilização por conta deste problema. "Estas obras já estão prontas e o próximo passo está sendo iniciado com a impermeabilização do teatro de Arena que totaliza seis mil metros quadrados", afirmou.

Será utilizado na impermeabilização uma película de ponta de Polimetilmetacrilato (PMMA), importada da Alemanha, de ultima geração. Segundo o engenheiro esta película é utilizada em aeroportos e em grandes obras e tem uma grande eficiência e qualidade, que vai evitar novas infiltrações. Vale lembrar que a origem dos problemas no Centro de Convivência foi por conta de infiltrações que deterioraram as estruturas e as instalações elétricas.

Intercorrências

As intercorrências detectadas nestes dez meses e que ainda estão surgindo são relativas às demolições de fundo de laje no teatro de Arena. "Vimos nos testes que não há necessidade, por exemplo, de demolir toda a laje. Foram feitas também provas de carga em toda a área e ensaio do solo", disse.

"Foi identificado que a capacidade do solo e da laje está com o dobro do que a norma técnica da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) recomenda", afirmou Orlandi. "Isto foi bom porque auxiliou no bom andamento da obra. Esta medida foi retirada do projeto em detrimento de outras intercorrências que surgiram", disse.

O governo do Estado de São Paulo, que está aplicando R$ 17,8 milhões nesta primeira fase da obra, acompanha semanalmente os serviços e faz um monitoramento técnico. "Há uma fiscalização permanente do Estado, inclusive com fotografias de cada etapa. Todo o processo é submetido a aprovação e existe todo um tramite burocrático, que não deverá interferir no cronograma", afirmou o engenheiro.

"A expectativa é de terminar esta primeira fase em outubro de 2022, conforme foi previsto", disse.

Segunda fase

Na segunda fase, a obra vai contemplar a parte específica do teatro, com trabalhos na cenografia, acústica, áudio e vídeo. "Será o acabamento final do teatro e da sala Carlos Gomes, onde existia o Café La Recoletta e que está sendo preparado para voltar a ser um espaço para cafeteria e bar", disse.

O investimento nesta segunda fase deverá ser de R$ 20 milhões, que o Estado ainda não liberou e a Prefeitura já está tratando dos detalhes para viabilizar antes de terminar essa primeira fase.

Dentre as novidades para o Centro de Convivência, o engenheiro afirmou que a acessibilidade será de 100%. "Haverá um camarim novo, totalmente adaptado. A acessibilidade foi preparada para os camarins, palco e todas as áreas do teatro, incluindo as salas de ensaio da Orquestra Sinfônica", destacou.

Uma das novidades muito aguardadas pela comunidade de Campinas também será a volta do fosso para a Orquestra Sinfônica. "Isto vai permitir a volta de grandes musicais, óperas, produções e espetáculos que Campinas está carente", disse Orlandi. Os dois grandes espaços expositivos voltam também com qualidade e sistema de ar condicionado igual ao instalado no teatro Castro Mendes", comentou.

O número de camarins individuais aumentou de quatro para seis espaços, além do novo camarim com acessibilidade e a reforma de oito camarins coletivos. "Com este número de camarins será possível atender grandes produções e abrigar festivais de dança e de teatro, que a cidade recebia e tanto espera há mais de 12 anos. Será um resgate importante ter este complexo cultural de volta", disse.

O vereador Luiz Rossini (PV), presidente da Comissão de Representação, aprovou os serviços realizados até o momento. "Fiquei impressionado positivamente de ver que as obras estão acontecendo conforme o contratado e dentro do cronograma. Deu para ver o quanto é complexa esta obra e que não é simples a recuperação desta parte de infraestrutura e acabar com as infiltrações. Já resolveu, por exemplo, um problema que era eterno no fosso de alagamento. Vamos agora, como agentes políticos da Câmara, ajudar na liberação da verba estadual para a segunda fase", comentou.

O vereador Paulo Bufalo (PSOL), presidente da Comissão Permanente de Cultura da Câmara, destacou que foi importante ter acompanhado de perto as obras e constatar que o cronograma está dentro do previsto. "É positivo fazer esta vistoria porque havia uma comoção há mais de 12 anos pelas condições precárias que estava o teatro e pelo valor elevado do investimento estadual na obra. A cidade tem todo um carinho por este espaço. Esta primeira fase estrutural é fundamental e pudemos ver que a drenagem do fosso foi realizada, assim como a parte de acessibilidade. Fico feliz em ver que o teatro poderá voltar a viver para a cidade", declarou.

Além de Rossini e Búfalo, participaram da vistoria as vereadoras Guida Calixto (PT) e Mariana Conti (PSOL) e os vereadores Paulo Gaspar (NOVO) e Major Jaime (PP). A secretária de Cultura Alexandra Caprioli e o diretor Gabriel Rapassi acompanharam também a vistoria.

Histórico

Inaugurado em 9 de setembro de 1976, o Centro de Convivência Cultural está interditado há 12 anos. Reabriu parcialmente no início de 2012 para a Campanha de Popularização do Teatro. O projeto de recuperação foi elaborado pela empresa Falcão Bauer, custeado por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), e preserva a ideia original do arquiteto que projetou o local, Fábio Penteado.

O complexo é um patrimônio arquitetônico, um dos equipamentos culturais mais importantes de Campinas e região, e tem área de 6 mil metros quadrados. São 4 mil metros quadrados na área externa, onde fica o teatro de arena, com capacidade para 3 mil pessoas. Na área interna são 2 mil metros quadrados, com saguão, 6 salas (de espetáculo, de ensaio, técnica e administrativa), teatro Luís Otávio Burnier, com mais de 500 lugares (homenagem ao ator e diretor de teatro campineiro), 4 galerias, 8 camarins e banheiros.

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Gilson Rei/Correio Popular