Publicado 04 de Agosto de 2021 - 10h54

Por Rodrigo Piomonte/Correio Popular

Mata de Santa Genebra, em Campinas: Secretaria do Verde reconhece que a área vegetal da cidade deveria ser maior, mas comemora a recuperação ocorrida em 10 anos, fruto de uma interrupção na devastação ambiental

Ricardo Lima/AE

Mata de Santa Genebra, em Campinas: Secretaria do Verde reconhece que a área vegetal da cidade deveria ser maior, mas comemora a recuperação ocorrida em 10 anos, fruto de uma interrupção na devastação ambiental

A vegetação nativa remanescente de Campinas parou de encolher, após décadas de avanço da destruição do território verde da cidade. A boa notícia foi confirmada por meio de um estudo denominado Inventário Florestal, elaborado pelo Instituto Florestal do Estado de São Paulo. Os dados apontam que a cobertura vegetal atual do município aumentou nos últimos dez anos.

Segundo o inventário, a cobertura verde corresponde atualmente a 14,1% da área total da cidade. Apesar de parecer pouco, a situação já foi pior.

Em 2010, o território coberto por vegetação de importância ambiental era de 10,86%, conforme levantamento feito à época, resultado de um trabalho denominado de Mapeamento das Áreas Verdes de Campinas, efetuado em conjunto pela Prefeitura Municipal de Campinas e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para se ter uma ideia do tamanho que essa área representa, é como se a cidade tivesse ampliado sua área verde em cerca de 3,8 mil campos de futebol nesse intervalo de tempo.

Campinas ocupa uma área de 795,7 km², segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE), o que dá aproximadamente ao tamanho de quase 100 mil campos de futebol. Dez anos atrás a área verde era ocupada por 79,5 km², o total correspondia a 9,6 mil campos de futebol.

Atualmente, a área verde total da cidade é de cerca de 111 km², o que equivale a cerca de 13,4 mil campos de futebol.

A evolução da área verde da cidade nos últimos dez anos foi confirmada ontem pelo secretário do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Rogério Meneses, durante a primeira reunião da Comissão Especial de Estudos da Câmara de Vereadores, criada para analisar, discutir e verificar o cumprimento das diretrizes estipuladas na lei da criação da Área de Proteção Ambiental (APA).

Sobre a extensão territorial verde campineira, o próprio secretário reconhece que a área deveria ser maior, mas comemora a evolução no intervalo como fruto de uma interrupção na devastação ambiental, que assolou a cidade nas décadas anteriores, do aumento da fiscalização e da própria ação da natureza de recuperação.

"Do contrário do que vem sendo divulgado não há uma derrubada de florestas em Campinas. Pelo contrário, dados do Governo de São Paulo, com informações produzidas por satélites mostram 14,01% do território de Campinas coberto por cobertura vegetal. Uma evolução em relação aos anos anteriores e a décadas de descaso com o meio ambiente na cidade. E isso, em parte, é fruto da fiscalização e monitoramento que melhoraram na cidade, e a consequente diminuição da pressão e, claro, do aumento da regeneração natural da vegetação", disse o secretário.

A vereadora Maria Conti (PSOL) também ficou surpresa com o dado apresentado pelo secretário de apenas 14% do território de Campinas ser de área verde. Ela questionou também a supressão de 20 hectares de florestas pelo projeto estadual de construção de uma barragem no município de Pedreira, em andamento, e que prevê a inundação de uma área de vegetação de importância ambiental para a construção de um reservatório de água.

"Apesar dessa evolução, 14% da área verde me parece extremamente pouco. Inclusive o fato é que esse projeto da construção da barragem teve uma lei que impedia a supressão do verde alterada. É importante rever essa política, pois a construção de reservatórios é uma obra de grande impacto ambiental e social, além de um elevadíssimo custo e já se mostrou ineficaz, já que os reservatórios secam. Investir em saneamento, por exemplo, é uma alternativa muito menos impactante e muito mais barata que deve ser debatida e colocada em prática", justificou.

Leitura conveniente

Para o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Campinas (Condema), o secretário faz uma leitura conveniente d</IP>os fatos ao comemorar a evolução da área verde da cidade. "É fato que há aplicação de TACs - termos de ajustamento de conduta - através dos quais se faz mitigação de danos ambientais, mas nem sempre com plantio de árvores", questiona a presidente do Condema, Maria Helena Novaes Rodriguez.

Segundo o Condema, Campinas tem um conjunto de planos muito bons, o problema está na implementação, na falta de fiscalização, na falta de articulação entre as secretarias. "O principal problema parece-nos ser a falta de articulação entre as secretarias. Sempre estão defendendo política de governo e a Política de Meio Ambiente, como política de Estado fica de lado", explica.

Campinas possui duas Áreas de Proteção Ambiental Municipais. A APA de Campinas compreende toda a região de Sousas e Joaquim Egídio e a APA Campo Grande. Além de uma parcela da APA Estadual Juqueri Mirim que incide em Campinas, sobrepondo um trecho da APA de Campinas. E um Plano de Manejo das áreas de Proteção Ambiental da cidade.

A fiscalização das áreas de APA na cidade ganhou reforço, passou de três para dez fiscais envolvidos. A Prefeitura informa que é diretriz da atual gestão aumentar as áreas verdes no município. E o Plano Municipal do Verde elaborado em 2016 estabeleceu metas para aumento do percentual das áreas verdes, principalmente por meio da formação de corredores ecológicos e da implantação dos parques lineares e recuperação de nascentes.

De acordo com a diretora da Secretaria Municipal do Verde e Desenvolvimento Sustentável, Ângela Cruz, a Prefeitura tem 231 ações em desenvolvimento no Plano de Manejo das áreas de Proteção Ambiental da cidade, entre elas a construção de passagens de fauna e a criação de uma Brigada de Incêndio.

No caso da supressão dos 20 hectares de mata para a construção da barragem, o secretário informou que haverá compensação com o replantio em área de 220 hectares. Questionado, no entanto, pela vereadora Mariana Conti (PSOL) sobre o local exato onde ocorrerá essa compensação ambiental, o secretário disse que levará a informação na próxima reunião da comissão.

Presidida pela vereadora Débora Palermo (PSC), participaram também do encontro virtual, os vereadores Guida Calixto (PT) e Paulo Gaspar (NOVO), além de representantes do Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental de Campinas (Condeapa).

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