Publicado 03 de Agosto de 2021 - 11h54

Por Mariana Camba/Correio Popular

Alunos do ensino infantil de escola particular participam de atividade de contação de história no retorno das aulas: obediência aos protocolos sanitários

Diogo Zacarias/Correio Popular

Alunos do ensino infantil de escola particular participam de atividade de contação de história no retorno das aulas: obediência aos protocolos sanitários

As aulas presenciais foram retomadas nesta segunda-feira, 2, em clima de tranquilidade em Campinas, mas sem agradar a todos. As entidades representantes dos professores das escolas particulares e estaduais avaliaram a volta como "precoce", e pontuaram o medo da exposição dos profissionais da educação ao novo coronavírus e à variante Delta. Em contrapartida, os representantes das unidades de ensino comemoram o tão esperado retorno, que ocorreu sem limite de capacidade ocupação das salas, mas com o distanciamento de um metro entre os alunos.

Segundo a diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Suely Fátima de Oliveira, os professores estaduais estão com receio da volta às aulas presenciais por causa da não adesão das escolas aos protocolos sanitários. Ela ressaltou que neste momento de retomada as unidades de ensino do Estado vão garantir a observância às medidas de segurança, mas que essa realidade não deve perdurar por muito tempo.

"Sabemos que isso não vai durar mais que duas semanas. Antes da pandemia não tinha nem papel higiênico nessas escolas. Imagina qual será a situação daqui um mês?", indagou.

Segundo um levantamento feito pela a Apeoesp em todo o Estado e divulgado na última sexta-feira, 56,2% dos professores, 51,3% dos pais e 44,1% dos alunos do ensino médio desaprovam a volta. Existe um grande receio nesse momento, acrescentou a diretora, devido ao número pessoas contaminadas e mortas pela doença, mesmo nesse período de retração dos indicadores.

"No primeiro semestre foram registrados 2.700 casos de covid-19 nas escolas estaduais e 105 óbitos", informou Suely.

Para o diretor do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Campinas e Região (Sinpro), André Luiz Campos, não é confiável o retorno às unidades de ensino, devido à falta de condições seguras para os professores e alunos. "Sem dúvida a volta agora é precoce, ainda mais diante da exposição à variante Delta. Muitos países estão retrocedendo as medidas de flexibilização diante dos impactos negativos gerados por essa cepa", garantiu.

Campos ressaltou que o momento em que a volta está ocorrendo, em pleno inverno, deixa todos mais vulneráveis às doenças respiratórias, "porta de entrada para outras enfermidades como a covid-19".

O diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), Tony dos Santos, avaliou o retorno como positivo. Segundo ele, a retomada foi tranquila, com alto nível de segurança para o corpo docente e estudantes, e com adesão de mais de 80% dos alunos. "Todos estavam muito ansiosos por esse momento, por isso a felicidade. A volta é boa para todo mundo", declarou.

O dirigente regional de ensino da Diretoria Campinas Leste, Nivaldo Vicente, informou que espera que a volta presencial avance no futuro, tendo em vista que ainda é opcional a presença do aluno. "Os pais que optaram por não levar seus filhos assinaram um termo de responsabilidade como forma de garantir que os alunos acompanhem as aulas remotamente", esclareceu.

Das 79 escolas estaduais da Campinas Leste, apenas seis vão conseguir atender a todos os estudantes sem revezamento, de acordo com Vicente. Para ele, a mudança do distanciamento entre os alunos de um metro e meio para um metro também foi positiva, por aumentar a capacidade de atendimento. "Quanto mais pessoas pudermos receber respeitando os protocolos de segurança, melhor", concluiu.

O diretor pedagógico de uma escola particular localizada no Swiss Park, Ricardo Falco, informou que apesar da frequência na escola ser opcional, na unidade de ensino em que ele atua 100% dos estudantes retornaram ontem. "Aqui todos os profissionais já receberam pelo menos a primeira dose. Assim como os pais e avós dos alunos, por isso a preocupação inicial da exposição ao vírus diminuiu. Mas a pandemia não acabou. Os cuidados sanitários continuam", garantiu.

Para Falco, o diferencial no enfrentamento à covid-19 tem sido a participação das famílias. "Os pais têm sido parceiros, isso é essencial. Afinal, o cuidado da escola representa apenas uma parte do todo. É necessário ter essa cumplicidade para que possamos passar por este momento".

A publicitária Ana Paula Franke levou a filha para escola estadual ontem, pela primeira vez neste ano. Ela garantiu que a volta ocorreu com receio da exposição ao vírus. "Eu somente estou trazendo ela porque não tive alternativa". A atividade na sala de aula, acrescentou, é diferente por causa da socialização que ela proporciona, mas é um momento delicado.

"O retorno está ocorrendo porque não temos opção. Mas sigo indignada com o atual governo, que demorou para agir. Não acredito que a melhora da pandemia vai ocorrer tão rápido. Agora é esperar para ver o que acontece daqui em diante", disse.

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Mariana Camba/Correio Popular