Publicado 03 de Agosto de 2021 - 11h11

Por João Lucas Dionisio/Correio Popular

Mãe pela segunda vez, Raquel Magalhães Couto contou com a experiência para evitar a insegurança vivida durante a amamentação na primeira gestação, vivenciando maior prazer e segurança para o aleitamento

Ricardo LIma/Correio Popular

Mãe pela segunda vez, Raquel Magalhães Couto contou com a experiência para evitar a insegurança vivida durante a amamentação na primeira gestação, vivenciando maior prazer e segurança para o aleitamento

Tendo em vista o objetivo de conscientizar a população sobre a importância do aleitamento materno, em agosto é celebrado o mês dourado no Brasil, dedicado ao incentivo da amamentação. A cor representa a simbologia do leite materno, considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) um alimento precioso, como o ouro, já que contém células vivas e se modifica de acordo com as necessidades do recém-nascido.

Com o tema “Proteja a amamentação: uma responsabilidade compartilhada”, a Aliança Mundial para Ação do Aleitamento Materno pretende envolver toda a família, além de orientar sobre os cuidados com a pandemia da covid-19 durante a fase lactante.

De acordo com especialistas, o leite materno é o único que fornece nutrientes indispensáveis ao desenvolvimento da criança.

Classificado como imprescindível aos recém-nascidos, o aleitamento materno ajuda a prevenir alergias, infecções, vírus e bactérias. “São centenas de benefícios presentes no leite materno, como anticorpos, gorduras e nutrientes necessários exclusivamente para a criança. São propriedades que só esse mantimento possui. Evita problemas a curto, médio e longo prazo”, explicou o médico pediatra Rodrigo Genardo.

Entretanto, muitas mães encontram dificuldades para amamentar. Segundo o médico, “existem milhares de questões, tem todo um contexto que pode atrapalhar durante essa fase. Apesar de ser importante, não conseguir amamentar não significa falta de amor ou de cuidado. Por isso, é necessário o acompanhamento de especialistas, a fim de que a dinâmica familiar possa ser compreendida.”

Discutir sobre a responsabilidade compartilhada e oferecer apoio à mãe são comportamentos que podem fazer muita diferença, segundo a enfermeira especialista em cuidado materno-infantil, Cristiane de Oliveira, de 37 anos. “Amamentar não é fácil e requer um apoio compartilhado, pois se trata de uma tarefa muito árdua. Existem mulheres que sofrem com fortes dores, por exemplo, ou que não gostam da atividade. Devemos respeitá-las e evitar cobranças”, salientou a especialista.

A dor durante o processo, segundo a enfermeira, “é um dos principais motivos que levam as mães a pararem com o aleitamento, portanto, é importante que elas procurem ajuda o mais rápido possível."

Mãe pela segunda vez, Raquel Magalhães Couto, de 32 anos, contou com a experiência para evitar a insegurança vivida durante a amamentação na primeira gestação.

“Fiquei resistente aos palpites externos, uma vez que, na primeira vez, duvidaram da qualidade do meu leite, questionaram sobre o tempo de aleitamento, entre outras coisas. Tudo isso pode incomodar muito, porque, quando surgem essas perguntas, que podem até ser feitas de forma inocente, toda a confiança da pessoa se esvai”, revelou Raquel Couto.

Ela relembrou, ainda, a importância de respeitar esse momento único e especial. “Algumas pessoas insistem em sexualizar o ato de amamentar, principalmente em locais públicos, o que pode ocasionar um trauma, por exemplo. Além de gerar um desconforto em outras pessoas, que passam a considerar o ato como inapropriado.”

Por ter conseguido se afastar do trabalho por nove meses, Raquel Coutou conseguiu realizar o aleitamento exclusivo. “Foram meses fundamentais, com total atenção ao recém-nascido, mas, infelizmente, essa não é a realidade da maioria das mulheres. Pela lógica, as mães voltam ao trabalho após quatro meses e os médicos pedem a amamentação até os seis meses. É algo praticamente impossível, por conta da ocupação profissional. Por isso, acho válido o Agosto Dourado”, ressaltou Raquel Couto.

Por conta dos efeitos causados pela pandemia da covid-19, por exemplo, o distanciamento social, explica Cristiane de Oliveira, muitas gestantes se sentiram sozinhas durante esse período. “Nas fases de maior restrição, elas ficaram sem apoio, principalmente das avós, já que, por conta do vírus, elas não podiam estar tão presentes no dia a dia. Porém, um fato positivo que pude notar foi o envolvimento do marido durante a gravidez, propiciado por estarem mais tempo em casa”, explicou a enfermeira, que considera importante a campanha para que diferentes quesitos sobre a amamentação possam ser discutidos e repensados.

Também em decorrência do novo coronavírus, segundo especialistas, aumentou o número de pessoas que deixaram de amamentar por medo de transmitirem a covid-19. “É um aspecto que exige muita orientação. O leite materno não transmite o vírus para a criança”, destacou o pediatra Rodrigo Genardi.

Ainda de acordo com Genardi, “é necessário alguns cuidados durante o aleitamento, mas, em hipótese alguma, interropê-la. As mães que, por ventura, contraírem a doença, devem usar máscara e fazer a higienização das mãos durante o processo. Além disso, vale ressaltar que as pessoas vacinadas ou que tiveram covid podem passar os anticorpos por meio do alimento.”

Para a pediatra da Maternidade de Campinas, Thereza Matiazzi, outro ponto importante da campanha é a conscientização sobre o banco de leite da Maternidade, que necessita de doações diariamente. “Só existem duas unidades na cidade, uma delas fica na Maternidade. Neste ano, estamos com um volume que não é o suficiente para suprir a demanda”, frisou.

O leite doado é usado para recém-nascidos que estão internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e para crianças cujas mães enfrentam dificuldades para amamentar. Segundo a médica, “esse ato de ofertar o alimento materno para quem precisa é comovente. Para uma mãe que acabou de ter um filho prematuro, por exemplo, isso é primordial. Na maioria das vezes, ela fica ansiosa e frustrada, mas fica esperançosa ao saber que outra pessoa, por amor, está doando.”

Escrito por:

João Lucas Dionisio/Correio Popular