Publicado 03 de Agosto de 2021 - 10h39

Por Rodrigo Piomonte/Correio Popular

Unidade de terapia intensiva: ainda sobrecarregadas embora a ocupação dos leitos já não esteja mais em nível crítico

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Unidade de terapia intensiva: ainda sobrecarregadas embora a ocupação dos leitos já não esteja mais em nível crítico

Parece que a pandemia dá mais uma vez sinais de trégua e abre um horizonte de esperança para os hospitais públicos e privados da cidade. O mês de agosto inicia com Campinas registrando uma das menores taxas de ocupação de leitos hospitalares destinados aos cuidados de pacientes com covid-19 do ano. Com 76,92% de ocupação hospitalar atual, esse é o segundo menor índice registrado. Antes, isso só havia acontecido no mês de maio, quando a cidade registrou a menor ocupação do ano de 75,1%.

Quando analisada a ocupação separadamente, o maior alívio está na rede particular que inicia em agosto com 71,1% de taxa de ocupação e 49 leitos livres. A rede municipal, que já vivenciou um período de seis meses com 100% de ocupação na rede pública municipal, segue agora com 80,15% dos leitos ocupados e 27% livres. A rede Estadual, que compreende o Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), está com 85% dos leitos ocupados, e com cinco livres.

Segundo o último balanço divulgado pelo Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), Campinas conta atualmente na rede pública municipal, com 303 pacientes internados em enfermaria covid e 285 em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) covid. No início de julho, haviam 410 pacientes internados nas enfermarias e 360 nas UTIs, e ainda oito na fila de espera.

Especialistas relacionam a redução das internações e dos números da pandemia no geral ao avanço da campanha de vacinação. Apesar da campanha ainda evoluir lentamente no país, a imunização acelerou no mês de julho e mostrou sua contribuição no controle da pandemia. Quanto mais pessoas imunizadas, menor é a pressão no sistema de saúde, tanto o público quanto o particular.

Porém, especialistas ainda recomendam cautela e entendem que as medidas mecânicas de bloqueio, como o distanciamento social, devem ser mantidas. A principal preocupação é com a variante Delta, considerada mais transmissível, inclusive em ambientes abertos.

Segundo os dados oficiais, apenas no mês de julho, quase 90 mil campineiros foram imunizados com as duas doses da vacina. No início do mês passado, cerca de 170,7 mil pessoas foram imunizadas com as duas doses. Esse número saltou para mais de 256,6 mil, agora. Ainda no início do mês anterior, o número de vacinas aplicadas chegava a pouco mais de 675 mil. Agosto inicia com quase 940 mil vacinas aplicadas.

Esse cenário de aparente controle da pandemia é vivenciado pela segunda vez desde o início da doença no país. Em novembro de 2020, Campinas e demais cidades brasileiras saborearam a sensação de um 'controle' da pandemia.

Diante dos números atuais, o governo estadual confirmou, na semana passada, que deverá suspender os limites de horário e capacidade dos estabelecimentos comerciais em todo o Estado a partir da segunda quinzena de agosto. A data também marca a previsão de conclusão da vacinação com a primeira dose dos adultos que moram nas cidades paulistas.

As regras valem para o Departamento Regional de Saúde 7 (DRS-7), com 42 municípios e sede em Campinas. O uso de máscara, o distanciamento social de um metro e os protocolos de higiene seguem em vigor.

Em Campinas, de 1° a 16 de agosto, o toque de recolher foi reduzido e a capacidade ficará limitada em 80% dos estabelecimentos, e o limite no horário de funcionamento sobe para meia-noite. As prefeituras têm a prerrogativa de endurecer as regras da quarentena se entender necessário, conforme orientação do Estado.

 

Variante Delta pode estragar lua de mel com a pandemia

 

Para os especialistas, a orientação é a cautela. Para a médica infectologista Raquel Stucchi, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), essa segunda lua de mel que se aproxima entre os municípios paulistas e a pandemia pode representar riscos. Ela confirma que a campanha de vacinação ajudou a aliviar as internações e os índices de transmissão e mortalidade, mas alerta para a variante Delta, que já se mostrou mais transmissível e está em circulação.

"Essa melhora de todos os parâmetros ocorre devido à vacinação da população. Mesmo com uma dose da vacina já se consegue ter uma redução nos casos dos diagnósticos, dos casos graves que merecem internação e de uma forma expressiva na mortalidade", disse.

Para a médica, o momento é de evitar os erros anteriores e olhar para os países e grandes cidades do mundo que controlaram a pandemia com a vacinação para ver o que está acontecendo e se antecipar nas ações. Raquel Stucchi lembra que os países que controlaram a pandemia com a vacinação, reduzindo as internações e obtendo um aparente controle, vivenciam agora um recrudescimento do número de casos.

O fato novo, segundo a médica, é o registro de surtos de covid relacionados à exposição de um grande número de pessoas em ambientes abertos. A variante Delta do vírus tem sido a responsável por isso.

"Se nós, enquanto país, não aprendemos nada com o que aconteceu com os países que tiveram a pandemia antes do que a gente, nós temos a oportunidade agora de aprender com o que está acontecendo lá neste momento. Se hoje nós estamos com bons números e índices, lembrando que em novembro nós já tivemos bons números também, a grande preocupação deve estar na variante Delta, pois no lugar onde ela foi detectada se tornou em poucas semanas a principal variante em circulação, com transmissão muito grande", explica a médica.

A especialista chama a atenção para as evidências científicas que comprovam que a variante Delta pode ser responsável por quadros mais graves da doença e que mesmo pessoas vacinadas completamente, têm adoecido ao serem infectadas por essa variante do vírus e também transmitido para outras pessoas com certa facilidade.

"Estamos num momento de uma segunda 'lua de mel' com a pandemia, mas ela pode se findar se nós não mantivermos as medidas mecânicas de bloqueio de transmissão, evitando na medida do possível situações de aglomeração, sempre usando as máscaras que são fundamentais", explica.

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Rodrigo Piomonte/Correio Popular