Publicado 29 de Julho de 2021 - 11h18

Por Gilson Rei/Correio Popular

O setor industrial campineiro aposta em retomada da produção no segundo semestre com a ampliação da vacinação contra a covid-19 e maior flexibilização da quarentena

Correio/Cedoc

O setor industrial campineiro aposta em retomada da produção no segundo semestre com a ampliação da vacinação contra a covid-19 e maior flexibilização da quarentena

As indústrias da região de Campinas apresentaram nesta quarta-feira sugestões para evitar o desabastecimento por conta da estiagem prevista para os próximos meses, que pode gerar crise hídrica e energética. As sugestões foram apresentadas na divulgação da Sondagem Industrial, realizada mensalmente junto às empresas associadas ao Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp-Campinas).

Uma das propostas foi o pedido de incentivo do Poder Público para o uso de fontes alternativas de energia, tanto eólica como solar. As indústrias indicaram também a necessidade de baratear as tarifas de energia para as empresas que implantarem sistemas de redução no consumo de água ou energia. Destacaram, ainda, a necessidade de realização de campanhas públicas para a população reduzir o consumo de água e energia.

José Henrique Toledo Corrêa, vice-diretor regional do Ciesp-Campinas, ressaltou que outra alternativa apresentada foi a implantação de estações para tratamento e reuso de água nas indústrias e no comércio. Destacaram também a implantação de horários escalonados para o funcionamento da indústria e do comércio para evitar racionamento de energia. A utilização de equipamentos e tecnologias que visam a redução no consumo de força foi sugerida também pelas indústrias.

O incentivo do Poder Público ao uso de fontes alternativas de energia eólica e solar foi a principal proposta, pois foi apontada por 91% das empresas. Além disso, 68% das indústrias sugeriram a redução nas tarifas para quem implantar sistemas que reduzam o consumo de água ou energia. Uma campanha para a população reduzir o consumo de água e energia foi apontada por 59% das associadas. Com essas medidas de combate e prevenção em momento de crise hídrica e de energia, as empresas poderiam reduzir os impactos da crise e evitar paralisações na produção.

Energia solar

Conforme publicação do Correio Popular na edição de 23 de junho passado, as indústrias da região de Campinas já estão buscando a energia solar como alternativa de salvação à produção industrial para enfrentar a possível crise hídrica que poderá ocorrer nos próximos meses, provocada pelos desmatamentos e ataques ao meio ambiente.

A energia fotovoltaica - extraída da energia solar - é considerada uma das soluções mais inteligentes para a indústria reduzir gastos com energia. Centenas de empresas da região já decidiram adotar o sistema de energia solar como alternativa complementar.

A preocupação com a escassez hídrica entrou no radar da indústria da região de Campinas na sondagem de maio do Ciesp-Campinas, quando 36% das empresas manifestaram que estavam muito preocupadas com os reflexos na atividade industrial e com o possível aumento nos custos. Além disso, 57% das empresas afirmaram que houve aumento nos custos com água e energia elétrica, em comparação com o mês anterior.

A crise hídrica poderá gerar dois impactos: um deles é a falta de água para consumo nas indústrias que dependem deste insumo para a produção, como ocorre na indústria de bebidas, perfumes e medicamentos, entre outros. Outro impacto nas indústrias é com o surgimento de uma crise energética, pois toda a cadeia de produção depende da energia elétrica, gerada por hidroelétricas.

Se houver queda no abastecimento nos próximos meses, a tendência é de aumento nos gastos ainda mais. Para se precaver de uma possível crise energética, as empresas já adotaram diversas medidas para redução de consumo, incluindo o uso de energia solar.

Outras alternativas também estão sendo adotadas como o reuso da água nas suas atividades produtivas e a instalação de tanques e reservatórios próprios. A água é indispensável para algumas indústrias, como a Ambev, que produz cerveja e refrigerantes em Jaguariúna. O consumo da água para a produção e a energia elétrica para a fabricação de demais produtos interferem no preço final das mercadorias junto ao consumidor. Quanto mais se gasta com esses insumos, maior é o custo do produto final.

As indústrias do setor químico de Paulínia, que dependem muito da captação do rio Atibaia, poderão sofrer também com a crise hídrica. Essas empresas são grandes consumidoras de água, incluindo a Petrobrás e as indústrias do pólo químico.

Setor crê em retomada da

economia no segundo semestre

O setor industrial de Campinas aposta numa retomada mais acelerada a partir da flexibilização nas atividades no segundo semestre do ano, com a ampliação da vacinação contra a covid-19. "Há uma expectativa de retomada mais efetiva a partir do maior controle da pandemia, que vai possibilitar uma abertura mais ampla das atividades e isto deverá ocorrer nos próximos meses", comentou Corrêa.

Os segmentos que apresentam perspectivas mais positivas para os próximos meses são os da agroindústria; farmacêuticos e cosméticos; papelão e embalagens; além dos segmentos da alimentação e de autopeças.

Na sondagem mensal, as indústrias da região de Campinas demonstram um quadro de estabilidade em junho na economia e uma retomada gradual em relação ao mês de maio, que confirmam a possibilidade de retomada mais acelerada no segundo semestre.

A pesquisa indicou que a produção em junho manteve-se estável em relação ao mês anterior para 54% das empresas e que houve aumento para 23% dos entrevistados. Além disso, o faturamento das empresas foi estável para 50% e apresentou aumento para 36% neste período de um mês.

Esses indicadores foram considerados muito positivos pelo vice-diretor regional.

"Além destes números satisfatórios, a sondagem junto às indústrias revelou que a empregabilidade está estável e até apresenta aumento no nível de emprego em algumas atividades. Os níveis de inadimplência e endividamento estão também estáveis para a grande maioria", disse.

A pesquisa revelou que 77% das empresas mantiveram o quadro de funcionários em estabilidade e que 14% até ampliaram com contratações. O desemprego foi apontado por 9% das indústrias.

O nível de endividamento diminuiu para 32% das empresas e permaneceu estável para 68%. Já com relação aos números de inadimplência a sondagem demonstrou que 14% das empresas tiveram aumento, mantendo-se inalterado para 77% e apresentando queda para 9% delas.

Outro fator importante apontado por Corrêa foi o nível de utilização da capacidade instalada no período. A maioria utilizou entre 70% e 100% da capacidade de produção, pois foi indicado por 64% das empresas. Outra parte significativa da indústria - 23% - revelou que utilizou entre 50% e 70% da capacidade. Somente 13% das empresas apresentaram utilização da capacidade de produção entre 0% e 50%.

Exportações e importações

As exportações e importações demonstram também uma retomada gradual. No mês passado, as indústrias da região de Campinas exportaram US$ 244,1 milhões - volume 36,7% maior em comparação a junho de 2020. Já as importações em junho deste ano atingiram um volume de US$ 988,6 milhões - que representou um aumento de 16,9% em comparação a junho do ano passado.

Em junho os principais municípios exportadores da Regional Campinas do Ciesp foram, pela ordem: Paulínia, Campinas, Sumaré, Mogi Guaçu e Santo Antonio de Posse Já os municípios que mais importaram foram: Paulínia, Campinas, Jaguariúna, Sumaré e Hortolândia.

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Gilson Rei/Correio Popular