Publicado 22 de Julho de 2021 - 11h05

Por Mariana Camba/Correio Popular

Agente da Emdec, que preferiu não se identificar, conta que já chegou a ser agredido duas vezes com tapas no rosto

Diogo Zacarias/Correio Popular

Agente da Emdec, que preferiu não se identificar, conta que já chegou a ser agredido duas vezes com tapas no rosto

Um agente de trânsito da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), R. F., foi ameaçado de morte por um motorista de aplicativo, que, segundo ele, foi abordado por ter estacionado em local proibido em frente ao Terminal Rodoviário de Campinas, por volta das 19h30 da última terça-feira.

O servidor gravou o momento em que foi abordado. As imagens mostram o motorista ameaçando o agente de baleá-lo no rosto caso ele volte a inquiri-lo novamente.

“Se você embaçar mais uma vez, vai tomar um tiro na cara e, se duvidar, vai ser baleado agora. Se aparecer na minha frente outra vez, vou descarregar a minha pistola em você”, advertiu o homem.

De acordo com o presidente da Associação dos Agentes de Trânsito, Transporte e da Mobilidade Urbana de Campinas (AGT), Nilton Cesar Lopes Ferreira, os agentes sofrem agressões verbais diariamente e pelo menos uma agressão física é registrada a cada três dias.

Segundo Fernando, ele percebeu que poderia ser ameaçado pelo motorista por aplicativo e por isso decidiu filmar a ação. Ele afirmou que buscou manter a calma no momento do ataque e deixou o agressor falar.

“Ele não foi notificado, apenas orientado a tirar o veículo do local em que tinha estacionado. Esse é o meu trabalho. As ofensas e ameaças são frequentes, mas este episódio foi o pior que já vivenciei. Preciso aprender a lidar com isso, caso contrário, não tenho como trabalhar”, lamentou Fernando.

O agente informou que vai registrar um boletim de ocorrência. Ele exerce a profissão desde 2010 e revelou que é comum os infratores se exaltarem quando são abordados e autuados.

De acordo com o agente de trânsito, episódios de violência tornaram-se comuns, e por isso costumaram sair em duplas e recorrer ao apoio da Guarda Municipal e Polícia Militar quando necessário. “Não tem horário para que as investidas ocorram e nem lugar. Os motoristas ficam furiosos e não aceitam a notificação. O profissional somente não apanha quando ele consegue correr”, contou.

Os trabalhadores são orientados a registrar boletim de ocorrência caso sejam vítimas dessas ações, acrescentou. Na gestão anterior da Emdec, lembrou Ferreira, foi firmado um acordo coletivo entre a empresa e os funcionários prevendo que os agentes fossem acompanhados por um advogado até à Delegacia de Polícia ao serem vítimas de ameaças e agressões. “Mas a tratativa não foi cumprida na prática”.

O agente de trânsito da Emdec G. A. C., atua na empresa nessa função desde janeiro de 2015. Ele já foi agredido fisicamente duas vezes durante o trabalho, recebendo em ambas as ocasiões um tapa no rosto. No primeiro episódio, o agressor era um motorista que foi autuado por estacionar o carro em cima da faixa de pedestres. Já no segundo, um homem que passava a pé no local em que estava o profissional simplesmente resolveu agredi-lo, de repente.

“Não recebi nenhuma ajuda da Emdec. Apenas me orientaram a fazer o BO. Nós ficamos vulneráveis diante dessas situações, visto que a empresa não oferece respaldo e proteção. Isso passa a ideia de que quem cometer o crime sairá impune”, afirmou.

Segundo G. A. C., seus colegas de profissão passam diariamente por momentos semelhantes aos que ele vivenciou. Por isso, os profissionais precisam estar preparados para lidar com essas situações em meio à rotina de trabalho.

As agressões ocorrem por toda a cidade, relatou o agente, mas, para ele, elas são mais frequentes na periferia de Campinas. Em muitos casos, acrescentou, o agente que é vítima não tem o que fazer, porque não é possível identificar o agressor. E esse é o principal problema.

Posicionamento

A Emdec afirmou por meio de nota que todos os colaboradores da empresa e da Secretaria de Transportes (Setransp) contam com amplo apoio e respaldo ante a situações em que são colocados sob ameaça ou agressão. “Trata-se de uma política de acolhimento para garantir proteção física, psicológica e jurídica nestes tipos de ocorrência”, informou.

Em relação ao caso da ameaça de morte sofrida por Raul Fernando, a Emdec garantiu que vai prestar todo apoio jurídico para os trâmites do registro do Boletim Ocorrência e do acompanhamento junto às autoridades policiais.

Também foi garantida a assistência psicológica ao trabalhador, que segundo a empresa, será transferido imediatamente do posto de trabalho/fiscalização do Terminal Rodoviário para outro local, por medida de segurança. Ainda em nota, a empresa garantiu que recebeu com perplexidade a denúncia dos trabalhadores que relatam a falta de apoio aos agentes, pois “eles sabem que podem contar 24 horas com a assistência e orientações da Emdec”.

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Mariana Camba/Correio Popular