Publicado 22 de Julho de 2021 - 9h54

Por João Lucas Dionisio/Correio Popular

Alunos da Emef Ciro Exel Magro, no São Fernando, no primeiro dia do retorno às aulas presenciais: distanciamento, máscaras e álcool em gel

Ricardo Lima/Correio Popular

Alunos da Emef Ciro Exel Magro, no São Fernando, no primeiro dia do retorno às aulas presenciais: distanciamento, máscaras e álcool em gel

O número de escolas municipais de ensino fundamental que funcionam em período integral deve dobrar em Campinas nos próximos anos. A novidade foi revelada ontem pelo secretário da Educação de Campinas, José Tadeu Jorge, ao confirmar a intenção da atual gestão municipal de construir mais oito unidades escolares, que funcionarão durante todo o dia com turmas fixas. Atualmente, das 47 instituições de ensino municipais, apenas oito funcionam no regime integral.

Além disso, segundo Tadeu Jorge, a partir do próximo mês, todos os alunos do ensino básico poderão contar com notebooks educacionais, destinados exclusivamente à realização de tarefas pedagógicas. Os equipamentos serão devolvidos após o período letivo.

Um dos principais obstáculos da Educação, segundo o responsável pela pasta, é a infraestrutura escolar. "Esse quesito engloba a construção de laboratórios, bibliotecas, salas de aula adequadas e confortáveis, quadras de esportes, áreas de artes, pátios, enfim, itens que permitam a presença da criança durante todo o dia na escola. Por isso, investir em unidades de tempo integral é algo extremamente relevante para a qualificação dos estudantes", disse o secretário.

Contudo, para que o projeto aconteça, explicou o secretário, não basta transformar unidades já existentes, mas, sim, "construir novas escolas, já que as instituições de meio período, atualmente, possuem duas turmas." Ou seja, para ele, "é necessário tirar um dos grupos para que o local se converta para o período integral e criar outro espaço que funcione durante todo o dia para o restante dos alunos."

A preocupação com crianças que estão fora da escola é contínua, mas trata-se de um problema reduzido e provocado por questões sociais mais graves, detalhou Tadeu Jorge que ressaltou a qualidade atual do corpo docente em Campinas.

"Fico surpreso pela qualificação que esses professores têm. Temos profissionais com doutorado e mestrado. A maioria dos educadores do fundamental possui pós-graduação. Isso deve ser mantido e melhorado cada vez mais. O nosso projeto político pedagógico é atualizado e discutido constantemente justamente por essas pessoas de extrema competência."

Visando a melhor introdução da tecnologia como ferramenta de aprendizagem, o secretário da Educação de Campinas revelou que o processo da compra de chromebooks, computadores portáteis voltados para atividades pedagógicas que serão disponibilizados para todos os alunos do ensino fundamental, está bem adiantado.

"Tem todo um processo de licitação e compra, mas em meados de agosto ou setembro, certamente, todos os alunos e professores vão contar com esses equipamentos. Eles serão cedidos durante o período que o aluno estiver matriculado na escola. Além disso, vamos oferecer cursos para que os docentes possam adquirir total conhecimento no manuseamento dos notebooks."

O processo de modernização do ensino, segundo Jorge, era algo que estava caminhando nos últimos anos, mas de forma lenta. Entretanto, com as restrições causadas pela pandemia da covid-19, o processo acelerou significativamente.

"É preciso aproveitar essas experiências para usar como ferramenta. A ideia é utilizarmos essas ferramentas para que o estudante consiga, de forma permanente, aprender. Isso vai auxiliá-lo a recuperar o que foi perdido pela ausência da atividade presencial", explicou o secretário da pasta de Educação que relembrou a necessidade de uma rápida adaptação por parte dos docentes com o uso dos equipamentos, já que "muitos professores não tinham familiaridade com a tecnologia."

Protocolos

Outra adequação imposta pela pandemia foram os protocolos de segurança e distanciamento por conta do novo coronavírus nas aulas presenciais, que retornaram ontem, após um recesso de duas semanas. Para Luciana da Silva Barbosa, de 28 anos, que procura uma nova oportunidade no mercado de trabalho, apesar do medo da doença, considera necessária a presença do filho na escola.

"Facilita o meu dia a dia, porque consigo organizar a casa e tenho tempo para procurar um serviço. O período com os filhos em casa foi tumultuado e com bagunça, mas nos adaptamos", contou Luciana.

As salas só podem receber 30% dos alunos, ou seja, as turmas foram divididas em três grupos que se revezam durante as semanas.

Segundo a vice-diretora, Cinthia Melchior, uma das responsáveis pela Emef Ciro Exel Magro, localizada no Jardim São Fernando, os alunos levam garrafas d'água para o período na escola, que foram oferecidas juntamente com máscaras e álcool em gel.

"Nas salas existe um distanciamento de um metro e meio entre os estudantes. Além disso, os espaços coletivos, como o parque, não são utilizados. Isso acaba dificultando um pouco, mas estamos priorizando brincadeiras e atividades nas próprias carteiras", explicou Melchior.

Os refeitórios são higienizados após a utilização de cada turma, que também pratica um revezamento na hora da merenda escolar.

A dona de casa Maria José Alves da Silva, de 64 anos, responsável por levar o neto Miguel Alves à escola diariamente, não tem medo da doença na unidade e torce para que o ensino volte ao normal.

"Seria até melhor se tivesse aula todos os dias do mês, sem revezamento. Entretanto, mesmo assim, já alivia um pouco a minha rotina", explicou Maria.

Os estudantes que não estão na semana de frequentar a instituição seguem com aulas normais, porém, por meio da internet. Segundo o secretário da Educação, até o próximo final de semana, um decreto deve ser publicado com os detalhes do funcionamento das escolas a partir de agosto.

"Voltamos do mesmo jeito que terminamos. Contudo, existem estudos, que levam em consideração a melhora dos números da pandemia, para que possamos trabalhar com uma porcentagem de 50% da capacidade. Ou seja, a partir do próximo mês, provavelmente as escolas vão contar com essa capacidade maior", detalhou Tadeu Jorge.

Com o retorno do recesso escolar, a professora Elaine dos Santos, de 31 anos, se sentiu bastante empolgada, mas revelou como foi vital se adaptar em pouco tempo.

"Mudou muita coisa, principalmente pelo fato de não poder utilizar o parque, por exemplo. Eu tento encontrar meios para trabalhar a parte teórica e a criatividade dos estudantes", afirmou a professora, que percebeu uma nítida animação por parte dos alunos, uma vez que "eles estavam sentindo muita falta da escola e dos amigos. Creio que já se acostumaram com esse novo normal, mas continuam muito alegres."

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas, Rosana Medina, ressaltou que as unidades de ensino só podem voltar com a capacidade total a partir do momento que todos os trabalhadores da área forem vacinados e que os testes em massa sejam aplicados.

"Nós solicitamos, junto ao Ministério Público, uma reunião com o secretário da educação para entendermos como ele pretende organizar essa reabertura em 50% das escolas", revelou a diretora, que destacou que o sindicato não se posicionou pelo fato da capacidade nas escolas não ter sido alterada.

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João Lucas Dionisio/Correio Popular