Publicado 21 de Julho de 2021 - 11h37

Por Mariana Camba/Correio Popular

O curador Jurandy Valença

Diogo Zacarias/Correio Popular

O curador Jurandy Valença "alimenta" a lareira da casa onde está hospedado: "O barulho de madeira queimando causa um efeito hipnótico"

A menor temperatura de 2021, em Campinas, foi registrada ontem às 6h50, com 4ºC, e sensação térmica de 0ºC em algumas regiões do município. Frio tão intenso no mês de julho não era registrado desde o ano 2000, quando os termômetros marcaram 2,2ºC.

Segundo a meteorologista do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ana Ávila, uma massa de ar de origem polar fez com que a temperatura caísse.

"É uma massa de ar muito intensa que chegou no último domingo. Na tarde de segunda-feira ela ganhou mais força, quando a temperatura mínima foi de 5,2ºC, e ontem ela caiu ainda mais. Há 20 anos não era registrado um frio tão intenso como o que vem sendo registrado neste mês", garantiu.

O clima gelado fez com o que fosse registrada a maior procura pelo albergue municipal de Campinas no mês de julho. No total, 77 pessoas foram acolhidas pelo Serviço de Atendimento ao Migrante, Itinerante e Mendicante (Samim) na noite de segunda-feira. Até então, o dia mais frio do ano tinha sido registrado em 30 de junho, quando a temperatura mais baixa foi de 4,2ºC.

De acordo com a meteorologista, apesar de a chegada da massa de ar de origem polar ser incomum, esse foi o segundo registro do fenômeno, neste ano.

"A possibilidade de termos uma massa de ar tão intensa como esta novamente é mínima, mas ela existe. Acreditamos que ela não iria se repetir da última vez, mas fomos surpreendidos", afirmou.

Segundo Ana, não é possível prever a chegada desse fenômeno com muita antecedência.

A chegada da massa de ar de origem polar pode ser prevista com 15 dias de antecedência do avanço da frente fria. Mas apenas com sete dias é possível ter uma visão mais próxima da realidade, acrescentou a meteorologista.

"No início do inverno tínhamos a expectativa que a estação teria temperaturas dentro da normalidade e ligeiramente acima da média. Não tínhamos como prever com tantos dias de antecedência os dois registros das massas de ar de origem polar que tivemos até o momento", explicou.

Próximo do Aeroporto de Viracopos houve registro de geada na manhã de ontem. A sensação térmica foi de frio mais intenso por causa do vento. Nestes casos, informou Ana, a sensação pode ser de 2ºC a 3ºC abaixo da temperatura registrada pelos termômetros.

A partir desta quarta, 21, as temperaturas vão começar a aumentar um pouco, mas vão continuar amenas. "Vamos continuar com o padrão do inverno: frio mais intenso durante a noite e uma temperatura mais agradável durante o dia", informou Ana. As máximas devem permanecer entre 24ºC e 25ºC no próximo fim de semana, e as mínimas entre 11ºC e 12ºC.

O tempo seco também deve se manter. De acordo com a meteorologista, não há previsão de chuva para os próximos dias. Campinas está há 27 dias sem registrar precipitações. A última chuva foi registrada no dia 23 de junho, com 5,8 milímetros. Por isso, a umidade relativa do ar, que está na casa dos 20%, é preocupante.

Segundo o coordenador regional da Defesa Civil, Sidnei Furtado, nesta terça o município entrou em estado de alerta às 9h40, o que normalmente ocorre apenas no início da tarde, entre às 12h e 13h, nesta época do ano. "Hoje (ontem, terça-feira) foi um dia atípico. O índice de 19,1% foi registrado ainda cedo, o que demanda mais atenção, porque a tendência é que ele caia ao longo do dia", alertou Furtado.

Para ele, como a frente fria não trouxe chuva, a baixa umidade do ar é um fator agravante, por isso as pessoas precisam tomar os devidos cuidados. "Essa situação nos preocupa, e muito. Todos os sinais de alerta estão acesos nesse momento, devido à possibilidade do índice cair ainda mais nos próximos dias".

Segundo Furtado, qualquer foco de incêndio precisa ser evitado, pois com o tempo seco e o vento, a propagação das chamas torna-se mais rápida. O mês de agosto é considerado o mais seco do ano, acrescentou, por isso a previsão é que a baixa umidade do ar perdure pelos próximos 45 dias.

Cuidados

De acordo com o médico cardiologista do Hospital PUC-Campinas, Aloísio Marchi da Rocha, as infecções virais respiratórias, como a gripe, ocorrem com mais facilidade durante o inverno porque as pessoas ficam por mais tempo em ambientes fechados, o que torna mais propícia a transmissão do vírus.

"Isso sempre ocorre nesta época do ano. Mas diante da pandemia, os cuidados precisam ser redobrados", ressaltou.

O médico acrescentou que a baixa umidade do ar gera uma série de complicações, como o ressecamento das mucosas do nariz e da traqueia, o que diminui a defesa natural do organismo. Por isso as pessoas ficam mais propensas às infecções virais. No frio, também são registradas com mais frequência doenças cardiológicas, devido ao aumento da pressão.

"As próprias infecções virais aumentam o risco de infarto pela inflamação dos pulmões que elas geram, em determinados estágios da doença", explicou.

A recomendação, segundo o médico, é ficar o máximo possível em ambientes ventilados, se hidratar através da ingestão de água e chás, além de se agasalhar principalmente nas regiões do pescoço e da cabeça, áreas em que as pessoas mais perdem calor.

"Cuidar da saúde é fundamental sempre. Mas, neste momento, esses cuidados são prioritários", declarou.

Evitar a prática de esporte no início da tarde também é importante, por ser um dos períodos mais secos do dia.

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Mariana Camba/Correio Popular