Publicado 20 de Julho de 2021 - 11h32

Por Gilson Rei/Correio Popular

Verdadeiro ‘laboratório vivo’ prevê mobilidade urbana com ciclovias e modais de transportes não poluentes

Kamá Ribeiro

Verdadeiro ‘laboratório vivo’ prevê mobilidade urbana com ciclovias e modais de transportes não poluentes

A Secretaria de Planejamento e Urbanismo da Prefeitura de Campinas sugeriu nesta segunda-feira as primeiras regras de ocupação do solo com foco na sustentabilidade para a criação do “Distrito Inteligente”, previsto no Hub Internacional de Desenvolvimento Sustentável (HIDS), na região Norte de Campinas.

Apesar de ter sido uma reunião fechada e do Poder Público não apresentar detalhes sobre a novidade, a reportagem apurou que a proposta apresentada prevê criação de um verdadeiro laboratório vivo, que incluirá moradias sustentáveis; mobilidade urbana com ciclovias e modais de transporte não poluentes; consumo de energias renováveis; reciclagem e descarte sustentável do lixo; dentre outros aspectos urbanos aliados à tecnologia.

As normas de ocupação do solo foram apresentadas ontem em reunião na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com a presença de autoridades do Poder Público; reitores, professores e pesquisadores de universidades; e gestores e profissionais técnicos da área de ciência, tecnologia e desenvolvimento.

Renato Mesquita, secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, adiantou que o projeto apresentado está dentro de uma ótica conceitual de urbanismo focada na preservação do meio ambiente, na inovação e na tecnologia. “A reunião de trabalho se orientou na sustentabilidade e no uso da tecnologia de uma maneira célere, não discutindo sobre legislação. A ideia foi a de mostrar um modelo sustentável, pensando na modernização e no futuro”, explicou.

Segundo o secretário, o novo distrito a ser criado é visto como um modelo de “cidade inteligente” – que abrigará centros de tecnologia, empresas, moradias, comércios, serviços, esporte, cultura e lazer -, cuja base será o respeito ao meio ambiente, garantindo assim o desenvolvimento sustentável e a isenção de tributos para pesquisa e inovação.

Mesquita destacou que contribuições dos centros de pesquisa e universidades vão ser incluídas no processo de construção desse distrito inteligente. A proposta é a de utilizar sistemas inteligentes integrados de Inteligência Artificial, que poderão promover uma mudança de paradigma.

A tecnologia aplicada no distrito será capaz de otimizar as atividades realizadas pelos moradores e usuários do espaço. A ideia é a de garantir regras urbanas que permitam associar interesses coletivos com tecnologias e compartilhamento autorizado de informações, que propiciarão melhorias sociais, como a diminuição de tráfego e poluição e outros.

Na primeira quinzena de agosto, a parte urbanística vai para as mãos do prefeito Dario Saadi, mas o projeto de lei municipal deverá ainda incorporar outras regras em outras etapas, incluindo as questões de incentivos tributários. A Administração poderá estabelecer nas próximas reuniões as possíveis isenções fiscais de Imposto Sobre Serviços (ISS) e Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), ou a redução proporcional, na medida de produção de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica.

A proposta da Prefeitura deverá passar ainda por Consultas Públicas e, depois de possíveis ajustes, ser apresentada à Câmara Municipal para a aprovação final. Vale lembrar que as contribuições deverão ser apresentadas pelos seis grupos de estudo e planejamento do HIDS, formados pelo Conselho Consultivo Fundador, que envolve os centros de pesquisa e empresas que atuam em tecnologia.

Vale destacar que, no local previsto, já estão instalados: Polo de Alta Tecnologia Ciatec II; Unicamp; PUC-Campinas; Faculdades de Campinas (Facamp); Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem) - onde está o Projeto Sirius; Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD); e Instituto Eldorado, dentre outros

.

Olhar para o futuro

Mariano Francisco Laplane, coordenador geral do projeto do HIDS na Unicamp e professor do Instituto de Economia da Unicamp, destacou que a reunião de ontem tratou de uma proposta que está ainda em elaboração e que será submetida à apreciação dos reitores das duas instituições. Novas reuniões de trabalho devem acontecer em um futuro próximo.

Laplane reforçou que o Distrito Inteligente, por apresentar uma área muito grande, exigirá, na elaboração da lei de zoneamento, um olhar para futuro voltado à sustentabilidade e à preservação do meio ambiente, com base nos estudos já apresentados pelos diversos grupos de planejamento do HIDS e de outros agentes.

O desenvolvimento urbano sustentável e inteligente, segundo o coordenador, é uma das bases das discussões realizadas nos últimos meses e será um fator indispensável. “Trabalhos sobre a biodiversidade do local, as características do terreno, a drenagem do solo, dentre outros estudos, deverão contribuir para essa nova lei de zoneamento”, acredita.

 

 

Escrito por:

Gilson Rei/Correio Popular