Publicado 18 de Julho de 2021 - 11h20

Por Cibele Vieira/ Correio Popular

Lixeiras em uma das escolas parceiras da ação: iniciativa cidadã

Divulgação / Movimento Plástico Transforma

Lixeiras em uma das escolas parceiras da ação: iniciativa cidadã

Situações corriqueiras, olhar atento e ideias criativas andam juntos quando o assunto é responsabilidade ambiental. O Movimento Plástico Transforma, sediado em São Paulo, enxergou a oportunidade de dar uma aula de reciclagem e cidadania durante a última corrida de São Silvestre. Os milhares de copinhos plásticos de água descartados durante a prova foram recolhidos por voluntários e entregues a uma fábrica de produtos plásticos para serem transformados em lixeiras para coleta seletiva e entregues para escolas da rede pública do Interior do Estado, entre elas as instaladas em Jaguariúna, vizinha de Campinas.

O projeto reforça o conceito de "Economia Circular" e a ação é um exemplo prático dos benefícios da destinação correta dos resíduos. Para Simone Carvalho, da coordenação do Movimento, a Economia Circular preza pelo retorno de todos os produtos ao ciclo produtivo, sem que haja de novo extração de recursos naturais. "O plástico veio para ser reciclável e reciclado. Então, quando fechamos esse ciclo, mostramos a importância do consumo e do descarte consciente." O projeto começou em 2019, enfrentou os desafios da pandemia e entregou as lixeiras em maio de 2021, após a retomada das aulas presenciais.

A 95ª Corrida Internacional de São Silvestre foi realizada em 31 de dezembro de 2019. Os copos de água distribuídos aos mais de 35 mil participantes da prova, que tem 15 km de percurso, foram coletados por 200 voluntários e transportados até uma recicladora. Posteriormente, foram selecionados, lavados, granulados e transformados em resina plástica pós-consumo. Esta matéria-prima foi utilizada para a produção de 1.800 lixeiras de 93 litros cada.

Os recipientes foram montados em 900 kits com 2 lixeiras cada, uma para resíduos recicláveis e outra para orgânicos, identificados com adesivos. A expectativa é que 27 mil alunos de 46 escolas sejam impactados em sete municípios nas regiões de São Carlos e Jaguariúna. Com este presente, os professores poderão transmitir novos conceitos de cidadania por meio das atitudes corretas quanto ao descarte de resíduos e reciclagem.

A ideia é que os educadores incentivem as crianças a começarem, o quanto antes, a perceber o valor da Economia Circular e serem protagonistas de um futuro melhor, assinalam os integrantes do Movimento. Mas o principal retorno dessa iniciativa é demonstrar o quanto uma prática adequada pode beneficiar a todos.

Educação e cidadania

Em Jaguariúna, a entrega das lixeiras foi no dia 31 de maio, no início das atividades em comemoração à Semana do Meio Ambiente nas escolas. O objetivo da ação, de contribuir com a política ambiental do município incentivando a coleta seletiva pela população, foi ressaltado pelo prefeito Gustavo Reis e pela vice-prefeita e secretária do Meio Ambiente, Rita Bergamasco. Os kits serão utilizados nas escolas da rede municipal, além de parques públicos e praças.

Ana Paula Matsumoto, coordenadora do Núcleo Pedagógico e uma das responsáveis pela área de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Educação de São Carlos, entende que os kits de lixeiras demonstrarão a parte do processo da reciclagem que os estudantes só veem na teoria. "A ação dará visibilidade ao encurtamento da logística reversa. Saber que elas foram confeccionadas a partir dos copinhos descartados na Corrida de São Silvestre torna esse processo muito mais valoroso", comenta.

Produção sustentável

As lixeiras foram produzidas pela empresa Jaguar Plásticos, sediada em Jaguariúna, parceira da ação. "Contribuímos com a transformação do plástico descartado em um produto que apoiará a conscientização para o descarte correto e reciclagem de resíduos de toda a sociedade, a começar pelas escolas. É uma forma de inovarmos. O meio ambiente agradece", diz o diretor comercial, Luiz Bascheira.

A Jaguar Plásticos, fundada em 1978, tem atuação nacional e exporta para mais de 20 países. Uma das empresas do grupo é a Polikem Tecnologia em Polímeros, que responde pela recuperação dos resíduos plásticos pós-consumo. Ela é responsável pela transformação desses resíduos em novas matérias-primas para a produção de artigos plásticos de maneira sustentável.

Unicamp

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mantém há alguns anos o programa Lixo Zero, que agrega vários projetos. Um deles é o de Prevenção da Geração de Resíduos, que entre outras iniciativas quer eliminar do campus todo plástico de uso único (como copos, canudos, garrafas, talheres). Para que a ideia possa ser implantada de maneira efetiva e democrática, foi iniciado em 2018 um trabalho educativo precedido de consulta aos alunos para retirar gradualmente os copos descartáveis dos restaurantes do campus.

Em 2020, quando veio a pandemia, já estava implantado esse hábito dos alunos levarem suas próprias canecas ao restaurante duas vezes por semana, conta Regina Mesquita Micarone, coordenadora de Gestão Ambiental de Resíduos da Unicamp. Somente com essa ação, foi possível reduzir em cerca de 40% o uso de copos descartáveis nos restaurantes do campus de Campinas. Em Limeira, onde o número de alunos é menor, o restaurante já não fornece copos descartáveis desde 2019.

Outras medidas têm sido implementadas nas unidades, nas quais facilitadores ajudam nas ações de conscientização. Em algumas locais, copos descartáveis só são fornecidos aos visitantes, pois alunos e funcionários têm seus próprios recipientes de uso individual. O próximo passo, conta Micarone, será a mudança do edital para a licitação das cantinas, incluindo a obrigatoriedade de eliminar destes locais o uso de copos, canudos e talheres de plástico.

 

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Cibele Vieira/ Correio Popular