Publicado 17 de Julho de 2021 - 12h22

Por Rodrigo Piomonte/ Correio Popular

Paciente com suspeita de covid-19 faz coleta de material para testagem RT-PCR em centro de saúde de Campinas: para especialistas, falta de testagem em massa é um problema crônico na cidade

Ricardo Lima

Paciente com suspeita de covid-19 faz coleta de material para testagem RT-PCR em centro de saúde de Campinas: para especialistas, falta de testagem em massa é um problema crônico na cidade

A campanha de combate à pandemia em Campinas podia avançar mais caso a cidade apostasse, de fato, na testagem para o novo coronavírus. Apesar das ações serem realizadas nos postos de saúde e hospitais públicos, com testes RT- PCR por cotonete e o de antígeno, elas são focadas nos casos sintomáticos que procuram a rede de saúde municipal na busca pelo atendimento e, consequentemente, seus contatos. A falta de um investimento maior em testes descentralizados e por regiões e dificuldade na capacidade de diagnósticos, já que depende exclusivamente do encaminhamento ao laboratório do Instituto Adolfo Lutz, compromete a cidade ter precisão na quantidade de pessoas contaminadas, indicando uma maior circulação do vírus.

A Prefeitura atualizou, nesta sexta-feira (16), os dados do coronavírus e informou a confirmação de mais casos nas últimas 24 horas e sete óbitos. Com isso, a cidade totaliza 121.656 casos e 3.942 mortes desde o início da pandemia.

Ainda segundo a Administração, já foram acompanhados pelas equipes dos Centros de Saúde mais de 240 mil casos de pacientes suspeitos desde o início da pandemia. E, atualmente, a taxa de positividade de todos os exames coletados no sistema público é de 33,4% dos casos, sendo que, dos atendidos nos Centros de Saúde, este índice é de 31,4% e, dos atendidos nos hospitais e pronto atendimentos, é de 39,7%.

Especialistas são unânimes ao afirmar que a insuficiência de testagem é um problema crônico na evolução da doença no país, e a falta de estratégias detalhadas comprometem o combate à covid-19 e expõem a população ao vírus. As taxas de positividade de Campinas acompanham a média identificada pelos estados brasileiros, que é de 30%. E que, são sete vezes maiores do que a recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 5%.

Na prática, isso quer dizer que, de cada cem exames realizados, um resultado satisfatório seria o de apenas cinco tendo resultado positivo. Em Campinas, de cada cem pessoas testadas, quase 40 estão contaminadas pelo novo coronavírus, isso considerando as coletas feitas nos centros de saúde, nas Unidades de Pronto Atendimentos (UPAs) e hospitais do município.

De acordo com o médico infectologista André Giglio, da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puc-Campinas), um maior investimento em testagem RT-PCR possibilitaria um avanço no combate à pandemia. "A testagem para diagnóstico poderia ser muito maior, às vezes os testes ficam centralizados, o tempo dos testes ficarem pronto, dificulta um pouco. Com certeza daria para melhorar a estratégia" disse.

Para o especialista, o percentual de testes positivos é um dado interessante, pois ele ajuda a dar uma impressão da intensidade da circulação do vírus e se as investigações estão em andamento. "Não adianta também às vezes ter um diagnóstico com número pequeno de casos se o percentual de positividade é alto. Quer dizer que a gente está testando pouco, provavelmente", explica.

A infectologista Rachel Stucchi, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que a positividade de testes RT-PCR mostram a quantidade de vírus circulando e o quanto se consegue fazer no diagnóstico. Ela afirma que quanto mais se testar melhor é o controle da pandemia, e, infelizmente, as cidades vêm testando cada vez menos. "Se a gente testa pouco, a gente faz pouco diagnóstico, então com certeza o número de diagnóstico total no Brasil é subestimado".

Segundo a especialista, quando se testa consegue-se bloquear a transmissão do vírus. "Mesmo vacinando, a vacinação completa da população ao que parece vai levar ainda alguns meses, a gente precisa insistir muito na testagem e mesmo vacinando. Veja o exemplo de Israel, que identificou aumento de mais de 50% nos casos mesmo após a vacinação. Descobriu porque, porque testou", disse.

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Rodrigo Piomonte/ Correio Popular