Publicado 17 de Julho de 2021 - 12h19

Por Gilson Rei/ Correio Popular

Usuária da praça é obrigada a desviar o trajeto pela rua porque os postes de iluminação funcionam como obstáculos no meio da calçada: falha é criticada pelos moradores da região

Diogo Zacari

Usuária da praça é obrigada a desviar o trajeto pela rua porque os postes de iluminação funcionam como obstáculos no meio da calçada: falha é criticada pelos moradores da região

Defeitos na obra de implantação de uma nova praça na Vila Campos Sales, em Campinas, preocupam mais de 50 mil moradores da região, que abrange ainda outros três bairros: Jardim Nova Europa, Parque São Martinho e Parque Jambeiro. Um dos problemas mais evidentes é a presença de postes e placas no meio da calçada, que impede a passagem de cadeirantes e dificulta o acesso de pessoas com baixa mobilidade, ciclistas e pedestres, que correm risco de atropelamento no momento de desviar dos obstáculos.

O espaço público está na fase final de acabamento, mas os moradores daquela região já frequentam o local, que fica ao lado do Ecoponto, na Avenida São José dos Campos. A população utiliza o playground e a área reservada para exercícios físicos. A calçada também é usada para caminhadas e passeios de bicicleta. Os usuários estão preocupados porque os defeitos na execução do projeto não são somente de acabamento. A maior parte reclama dos diversos obstáculos.

Um exemplo é a presença de postes em cinco pontos da calçada estreita que contorna a área de lazer. Por causa dos obstáculos, é impossível que um cadeirante ou duas pessoas passem ao mesmo. Ciclistas e pessoas com cachorros também têm que se esforçar para conseguir dar sequência ao trajeto, sem ter que desviar pela rua. No local, há ainda uma placa de indicação dos bairros da região. Como a Avenida São José dos Campos é muito movimentada, qualquer desvio pelo asfalto representa um risco aos usuários.

Outra falha é a existência de apenas uma rampa para cadeirante ao lado do Ecoponto. Além disso, no playground há um banco de cimento que oferece perigo às crianças, pois foi fixado muito próximo dos brinquedos. Qualquer descuido ou queda pode provocar ferimentos em quem brinca no local. Para completar, uma vala com cerca de um metro e meio de profundidade está aberta em uma das áreas da praça, o que equivale a uma armadilha para os frequentadores.

Frequentadores

Vanessa Contel, moradora da região, criticou a falta de percepção do responsável pela execução da obra. "Além do erro de execução, existe uma vala enorme na parte mais baixa da praça. Moradores decidiram colocar um tampão para evitar que alguma criança ou qualquer pessoa distraída caia e se machuque", relatou. Nelma Aparecida Vanzo Cappelini, que integra a comissão dos moradores do condomínio Plaza das Flores, destacou a necessidade da construção de outra rampa de acesso à praça. "A maior parte das pessoas acessa a praça pela parte de baixo, mas não existe rampa para cadeirantes", criticou. A vala aberta em uma ponta da área de lazer também foi alvo de queixa. "Qualquer descuido pode virar um acidente grave", afirmou.

Gabriel de Paiva, morador da Via Campos Sales, que estava acompanhado da prima de 3 anos, reforçou que a colocação de um banco de cimento perto dos brinquedos foi um erro absurdo. "Crianças correm e caem quase o tempo todo na área dos brinquedos. A qualquer momento, uma delas pode bater a cabeça no banco, correndo o risco de sofrer um acidente que pode até ser fatal", imaginou. João de Assis, ajudante de cozinha, afirmou que a obra está bonita, mas que é preciso ajustar as falhas, como a presença dos postes e da placa de sinalização na calçada, para que cadeirantes, idosos e crianças consigam andar sem risco de atropelamento.

Pedido Antigo

O espaço público de lazer é uma reivindicação de quase uma década dos moradores da região, que foi atendida pela Prefeitura de Campinas no ano passado. Ao lado do Ecoponto, o terreno era anteriormente utilizado por usuários de drogas e havia muito lixo e entulho acumulado. Era um enorme criadouro de escorpiões, ratos e insetos peçonhentos. Em 2020, os moradores protocolaram na Prefeitura o pedido de construção da área de lazer. O Departamento de Parques e Jardins (DPJ) fez um projeto e entregou para uma empresa terceirizada executar.

A obra é resultado de Termo de Ajuste de Conduta (TAC) de uma empresa que ficou responsável pela execução da obra como contrapartida. A Secretaria do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável responde pela fiscalização e a Secretaria de Serviços Públicos pelo acompanhamento da execução do projeto. A praça começou a ser construída em fevereiro. A inauguração deverá ocorrer brevemente. Ainda falta instalar o sistema de iluminação e finalizar o entorno do calçamento.

Prefeitura

A Secretaria do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável esclareceu, por meio de nota, que é responsável pela fiscalização para que toda a compensação ambiental seja cumprida nesta obra, feita por uma empresa na forma de contrapartida. Para obter mais detalhes de como está a situação da praça, a pasta assegurou que enviará uma equipe ao local para verificar as condições da obra e o que está ocorrendo. A nota conclui: "Se for constatado qualquer problema ou irregularidade, entrará em contato com a Secretaria de Serviços Públicos para que o Departamento de Parques e Jardins (DPJ) tome as medidas necessárias para possíveis ajustes".

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Gilson Rei/ Correio Popular