Publicado 30 de Junho de 2021 - 10h43

Por Gilson Rei/Correio Popular

Via sem acostamento aumenta o risco de acidentes graves e provoca congestionamento no trânsito: situação revolta motoristas

Kamá Ribeiro/Correio Popular

Via sem acostamento aumenta o risco de acidentes graves e provoca congestionamento no trânsito: situação revolta motoristas

Mesmo com 14 anos de cobranças na região da colônia suíça Helvetia, em Indaiatuba, a praça de pedágio, no km 62 da Rodovia Santos Dumont (SP-75), não garantiu melhorias e nem benefícios à população e aos usuários. O valor pago para acessar o bairro Helvetia é alto, principalmente quando os veículos transitam pela Alameda Antônio Ambiel e a estrada vicinal Engenheiro Paulo de Tarso Souza Martins, ambas perigosas, estreitas e sem acostamento.

O risco de acidentes é iminente e a população reclama por pagar algo que não se reverte em qualquer benefício.

A quantia desembolsada pelos motoristas de carros de passeio, na ida e na volta do bairro, é atualmente de R$ 14,00 e vai saltar para R$ 15,20 a partir de amanhã, quando haverá um reajuste de 8,05% nas praças de pedágio de 17 concessionárias do Estado de São Paulo. Esse será o segundo aumento em Indaiatuba no prazo de seis meses, uma vez que em 1º de dezembro do ano passado o pedágio passou de R$ 13,80 para R$ 14,00.

Somente os veículos com placas de Indaiatuba ficam isentos da cobrança do pedágio.

Moisés Targino, transportador de materiais de construção, reclamou ontem da obrigatoriedade do pagamento para acessar a região e, ao mesmo tempo, de utilizar caminhos sem segurança. “É um absurdo dirigir nessas estradas sem acostamento, com um fluxo constante de veículos. As pessoas pagam caro pelo pedágio e o risco de acidente é alto”.

A motorista Nilda da Silva Batista, vendedora de gesso, que faz entregas em Indaiatuba, Campinas, Salto, Itu e Sorocaba, afirma que o preço do pedágio no bairro de Helvetia é abusivo, visto que não oferece qualquer vantagem. “O custo benefício é zero. Está muito caro e a gente não tem uma estrada segura. Faço um apelo para se reduza o pedágio aos transportadores de mercadorias da região. Quem faz muitas entregas na semana arca com um gasto elevado demais, porque a cobrança é na entrada e na saída”, justificou.

Quem passa pelo pedágio de Helvetia segue pela alameda Antônio Ambiel que é uma via estreita e sinuosa, com muitas curvas. É pista única, movimentada e sem acostamento, que leva os veículos a chácaras, haras e galpões comerciais da região. A condição do asfalto é ruim também em alguns trechos, com ondulações, remendos mal executados e camadas finas que resultarão em buracos em pouco tempo de uso.

As pessoas que pretendem ir ao Centro de Indaiatuba e bairros próximos acessam a estrada vicinal Engenheiro Paulo de Tarso Souza Martins, que fica a 400 metros do pedágio. Tem as mesmas características da alameda: estreita, sinuosa, muitas curvas, sem acostamento, asfalto precário e muito movimento de veículos.

Para complicar um pouco mais, existe, em um ponto dessa estrada, uma ponte bem estreita, que passa sobre uma linha férrea, permitindo a passagem de apenas um veículo por vez. Em muitas ocasiões, formam-se filas de veículos, incluindo caminhões e até ônibus. A região é repleta de condomínios residenciais de alto padrão, haras e estabelecimentos comerciais, que contribuem com o movimento intenso de veículos na região. Algumas placas de sinalização ficam escondidas pela vegetação e isso coloca em risco os usuários.

Colinas

A concessionária AB Colinas – que responde pela SP-75 e pelas praças de pedágio na região - informou que as melhorias e benefícios no bairro Helvetia são de responsabilidade da Prefeitura. Em nota, a AB Colinas esclareceu que a arrecadação da tarifa de pedágio das duas praças de bloqueio em Indaiatuba, no km 62,integra o repasse doImposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQ) que a concessionária faz para as prefeituras das 17 cidades do trechos ob concessão.

Em 2020,o repasse para essas 17 cidades foi de R$27 milhões, porém não foi informado quanto destinou-se ao município de Indaiatuba. Segundo a nota, cabe a cada prefeitura definir em quais áreas esse recurso será utilizado, podendo ser aplicadona saúde, educação, segurança, esportes, obras, transporte, etc.

A AB Colinas justificou que a implantação das praças de bloqueio em Helvetia é resultado de um acordo entre a concessionária, Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) e a Prefeitura de Indaiatuba. Nelas, os moradores da cidade, que representam quase a totalidade dos veículos que passam por essas praças, sãoisentos do pagamento da tarifa ao trafegarem no local com um veículo emplacado na cidade.

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Gilson Rei/Correio Popular