Publicado 23 de Junho de 2021 - 12h35

Por Edson Sillva/Correio Popular

Além da ilegalidade da falsificação, a modalidade preocupa as autoridades sanitárias pelos sérios riscos à saúde de quem consome a bebida adulterada

Deic-Campinas

Além da ilegalidade da falsificação, a modalidade preocupa as autoridades sanitárias pelos sérios riscos à saúde de quem consome a bebida adulterada

Um homem de 26 anos teve apreendidas ontem 102 garrafas de uísque falsificado. Ele já era monitorado por policiais da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (Dig) da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic-Campinas). A ação, com autorização da 4ª Vara Criminal, ocorreu no quarto da casa do suspeito, no bairro Real Parque, no distrito de Barão Geraldo.

Antes de cumprirem o mandado de busca e apreensão, os policiais civis já haviam abordado o mesmo acusado no bairro Satélite Íris, onde ele vendia uísque falsificado, usando um veículo para oferecer o produto ilegal em estabelecimentos comerciais. No carro estavam 84 garrafas de bebidas suspeitas.

Encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos, o homem confessou que adquiria as bebidas falsas envasadas como sendo de marcas famosas - tais como Jack Daniel’s, White Horse, Johnnie Walker, Black Label, Red Label, Absolut, Ciroc e Passaport - de uma pessoa que ele conhecia e que vendia os produtos nas redes sociais, comercializando-os a preços bem abaixo de mercado.

Só R$ 25

Aos policiais, o homem contou que pagava a bebida já falsificada por R$ 25,00 em média a garrafa e a revendia pelo dobro do preço. Um levantamento feito pela polícia junto a peritos indica que os produtos originais das marcas têm valores entre R$ 150,00 e R$ 250,00 no mercado lícito. Autuado por crime de falsificação de produtos alimentícios, o acusado está sujeito uma pena de 4 a 8 anos de prisão.

Ele foi encaminhado para a cadeia anexa ao 2º Distrito Policial de Campinas (São Bernardo), onde aguardará a audiência de custódia, que decidirá pela manutenção da prisão preventiva por tempo indeterminada ou a liberdade provisória do acusado, mediante condições judiciais.

Segundo a Polícia Civil, ontem, peritos da Associação Brasileira de Bebidas (Abrab) estiveram na Deic de

Campinas realizando testes nas bebidas apreendidas e constaram as irregularidades nos produtos. Foi pedido também laudo oficial no Instituto de Criminalística (IC) para ser anexado ao inquérito que investiga o caso.

Pelo menos há dois meses, policiais de Campinas e região investigam ações de “fabricantes” e comerciantes de bebidas falsificadas, normalmente de marcas tradicionais nacionais e importadas.

Os produtos acabam comercializados no varejo em redes sociais e mesmo no atacado, chegando a adegas, mercados, bares, boates e festas da região com preços abaixo de mercado.

Além da ilegalidade em si, do crime de falsificação, a modalidade preocupa as autoridades sanitárias e toda a rede de saúde, visto que os locais onde a polícia flagra as falsificações são desprovidos de quaisquer condições de higiene. “Chegamos a encontrar galões com uísque falsificado e com o álcool usado na mistur[/TEXTO]a das bebidas despejados num tanque de lavar roupas. O envase da mistura era feito com canecos e funis sujos”, relata um dos investigadores.

Ele complementa que os falsificadores usavam garrafas encontradas em ferro-velhos, lacrando-as para revendê-las. Entre os dias cinco e 20 passados, houve apreensões de ao menos 1.000 garrafas de bebidas falsas em Campinas, Indaiatuba e Paulínia.

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Edson Sillva/Correio Popular