Publicado 23 de Junho de 2021 - 12h23

Por Gilson Rei

Ribeirão Anhumas apresenta nível baixo: governo federal planeja racionamento

Kamá Ribeiro

Ribeirão Anhumas apresenta nível baixo: governo federal planeja racionamento "educativo" para evitar um apagão da energia elétrica no 2° semestre

A energia solar surge como alternativa de salvação à produção industrial de Campinas e região para enfrentar a possível crise hídrica que poderá se abater no país nos próximos meses, gerada pelos desmatamentos e ataques ao meio ambiente.

Somente para exemplificar a situação, no primeiro trimestre deste ano, o volume de chuva na região que abastece o Sistema Cantareira foi o mais baixo desde o final da crise hídrica, em 2016, e ficou abaixo do registrado no primeiro trimestre de 2013.

A possibilidade de uso da energia fotovoltaica – extraída por meio de painéis solares que captam a luz e geram, pelo efeito fotovoltaico, correntes elétricas contínuas – , avaliada como umas das soluções mais inteligentes para a indústria reduzir os seus gastos com energia, foi revelada ontem pelo vice-diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp-Campinas), José Henrique Toledo Corrêa, durante a apresentação da Sondagem Industrial, realizada junto às suas empresas associadas.

Segundo o vice-diretor regional, a situação não está ainda grave, mas exige antecipação. “Centenas de empresas já decidiram adotar o sistema de energia solar como alternativa complementar. É um recurso que contribui e pode amenizar a possível escassez em tempos de crise hídrica”, comentou.

A preocupação com a escassez hídrica entrou no radar da indústria da região de Campinas. Na pesquisa do Ciesp-Campinas, 36% dos empresários manifestaram muita preocupação com o possível aumento nos custos na atividade industrial em decorrência da alta nos preços dos recursos imprescindíveis à produção. “Isto gera dois impactos: um deles é a falta de água para o consumo nas indústrias que dependem dela, como é o caso dos segmentos de bebidas e perfumes. O outro, é nas indústrias em geral, que dependem da energia elétrica gerada pelas hidroelétricas”, lembrou.

Outro item da sondagem reforça a preocupação com o recurso hídrico: 57% das organizações registraram alta nos custos de água e energia elétrica em comparação ao mês anterior. Se houver queda no abastecimento nos próximos meses, a tendência é a de que os gastos subam ainda mais.

Na avaliação de Corrêa, a preocupação existe e se revela importante devido à repercussão do setor industrial. “Para se precaver de uma possível crise energética, as empresas passaram a adotar diversas medidas visando a redução de consumo, incluindo o uso de energia solar. Outras alternativas também estão sendo adotadas como o reúso da água nas suas atividades produtivas e a instalação de tanques e reservatórios próprios”, comentou.

Ele destacou ainda que a água usada para na produção é fundamental para alguns produtos, como a produção de cervejas e refrigerantes. O maior custo no consumo de água e energia repercute diretamente nos preços finais ao consumidor.

Outro exemplo é a situação do setor químico de Paulínia, que depende da captação do rio Atibaia. “Há alto risco em empresas na região de Paulínia, porque são grandes consumidoras de água. Se a crise hídrica chegar, poderá paralisar grandes empresas”, comentou.

Um outro aspecto que preocupa o setor industrial relaciona-se à demora na execução das barragens de Amparo e Pedreira, que deverão auxiliar no abastecimento de água e de energia elétrica.

A possibilidade da realização de campanhas para redução do uso da água foi mencionada também por Corrêa, como as campanhas adotadas pelo próprio Ciesp em outros períodos de seca. Nessas ocasiões, o Ciesa entidade auxiliou com a distribuição de redutores de consumo de água nas empresa, indústrias e até mesmo em residências.

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