Publicado 22 de Junho de 2021 - 11h11

Por Da Redação do Correio Popular

Paciente realiza teste PCR para detecção de covid-19 no hospital PUC-Campinas: Força Tarefa da Unicamp contra a doença defende aplicação de exames em grupos vulneráveis

Ricardo Lima/Correio Popular

Paciente realiza teste PCR para detecção de covid-19 no hospital PUC-Campinas: Força Tarefa da Unicamp contra a doença defende aplicação de exames em grupos vulneráveis

Uma proposta de testagem para a detecção da covid-19 em grupos vulneráveis da população campineira foi discutida ontem em reunião extraordinária da Comissão Permanente de Política Social e Saúde, da Câmara Municipal. Para isso, a reunião contou com a participação de representantes da Secretaria de Saúde e especialistas convidados que debateram a matéria e o andamento da vacinação contra a doença na cidade.

A ideia de testar parte da população, contida no projeto de lei 65/2021, opôs as autoridades sanitárias municipais e os defensores da ideia quanto à sua aplicação na cidade.

De autoria dos vereadores Cecílio Santos (PT), Guida Calixto (PT), Paolla Miguel (PT), Mariana Conti (PSOL) e Paulo Bufalo (PSOL), o projeto de lei dispõe sobre a realização de testes para a detecção da covid-19 em grupos prioritários da população campineira. O PL foi proposto aos vereadores pela Frente Pela Vida, uma iniciativa formada por 14 entidades científicas da saúde e bioética e pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), criada com o objetivo de lançar um movimento amplo para enfrentar a pandemia da covid-19, com base em evidências científicas e respeito à saúde da população brasileira.

Ao discorrer sobre o assunto, Luciana Utsunomiya, médica sanitarista formada pela Unicamp, falou sobre a importância da testagem de grupos vulneráveis. "É necessário uma testagem periódica em trabalhadores de serviços essenciais, como lixeiros e motoristas. E também tem a questão dos territórios, de avaliar quais são mais vulneráveis", disse Luciana, ao enfatizar a necessidade de agir em comunidades com maior índice de vulnerabilidade.

A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), Andréa Von Zuben, disse que a Prefeitura possui limitações para realizar esse tipo de testagem e que as equipes de saúde não conseguem dar conta de nenhum outro tipo de atividade além do que já está fazendo. Andréa destacou, ainda, que eventuais testagens dessa maneira poderiam oferecer algum tipo de sensação de tranquilidade e liberdade àqueles que tivessem seus resultados negativados.

"Pode dar aquela sensação para a população de que 'estou negativo, estou livre e posso fazer qualquer coisa'. O rastreamento de contato traz de maneira mais racional o uso deste recurso, uma vez que a partir de uma pessoa transmissora nós estamos vendo todos os outros que estão em volta", afirmou.

A médica infectologista da secretaria de Saúde, Valéria Almeida, corroborou com as afirmações em relação ao atual modelo de gestão de testes e disse que é preciso otimizar os recursos públicos. "Nós temos que procurar os casos de covid a partir de um caso positivo. A gente não pode procurar testando todo mundo. Porque a gente vai gastar um monte de teste para conseguir achar os casos. A questão da testagem em massa é uma utilização de recurso público em que é gasto muito", defendeu Valéria.

O imunologista, professor do Instituto de Biologia e coordenador da Frente de Diagnósticos da Unicamp, Alessandro Faria, discordou e destacou que é importante que se faça uma testagem mais abrangente do que a atual para que se descubra os casos assintomáticos, que também transmitem a doença. Segundo ele, se testar apenas quem tem sintomas, não necessariamente se tem o controle do vírus. Mas se houver testes até em quem não tem sintomas, claro que em determinados grupos, é possível descobrir estes assintomáticos e já evitar a proliferação.

"É óbvio que a gente precisa utilizar o recurso público da melhor forma possível. Mas o dado está aí para todo mundo que quiser olhar. É bem claro: quem testou mais se saiu melhor. Quando a gente fala em testagem em massa, parece que a gente vai sair testando todo mundo aleatoriamente. Não tem razão. É fazer uma pesquisa e pegar uma parcela da população, representativa dos grupos de risco. Serviços essenciais, populações vulneráveis. Porque são pessoas que estão lidando diariamente, cara a cara, com a população em geral", disse.

Na parte final da reunião, Sávio Cavalcante, professor de sociologia, coordenador da Frente de Ações Sociais e da Força Tarefa da Unicamp contra a covid-19, destacou uma experiência de sucesso de testagem em uma comunidade vulnerável. Segundo ele, em 418 testes PCR feitos, obteve índice de 12% de resultados positivos. Mas o mais importante, de acordo com Sávio, foi que, dos positivos, 40% eram de casos assintomáticos. Isso significa que, se não houvesse essas testagens naquele momento, muito provavelmente 20 pessoas seguiriam em circulação, o que causaria mais transmissões.

Ele disse, ainda que a experiência forneceu um conhecimento importante em relação ao contexto vivido por aquelas pessoas. De acordo com ele, as pessoas têm medo do que pode acontecer caso testem positivo. "A covid é uma doença muito relacionada ao trabalho. Em que sentido? Aquele trabalhador que tem o receio de perder o emprego, há um receio de se fazer o teste. Há um receio de saber se aqueles sintomas de fato são covid. Isso foi muito perceptível. Ou seja, ações como essa, organizadas junto com a política pública, podem fornecer essa segurança. Não só em relação a ampliar o conhecimento e a informação, mas também em relação àquilo que vem depois. A todo momento a gente conversou sobre o significado do resultado", finalizou Sávio.

Os temas debatidos pela comissão, que é presidida pelo vereador Paulo Haddad (Cidadania), ajudarão a finalizar os ajustes do texto da PL, para que siga para apreciação da Câmara.

Vacinação

Até o momento, pouco mais 600 mil doses da vacina foram aplicadas em Campinas. Destas, 440 mil correspondem à aplicação de primeiras doses e 161 mil às segundas doses do imunizante. O secretário municipal de Saúde, Lair Zambon, fez questão de destacar os dados da vacinação no município.

"Estamos em um momento extremamente importante do ponto de vista de enfrentamento. Estamos em uma fase de vacinação muito intensa. Talvez tenhamos 500 mil pessoas vacinadas ao final de junho (com a primeira dose). Imagino que se no final de julho nós estivermos com 600 mil pessoas vacinadas com a primeira dose, eu tenho a impressão que nós começaremos a vencer esta pandemia. Está sendo uma luta imensa, mas a vacinação faz de Campinas uma cidade de sucesso", disse o secretário.

Por sua vez, o imunologista Alessandro Faria, da Unicamp, salientou que a primeira dose da vacina apenas não garante proteção para ninguém. Portanto, não se pode se basear em números de primeira dose. Mas, apesar disso, o especialista elogiou o sistema de vacinação da cidade. "Campinas tem o melhor sistema de vacinação que eu conheço. É excepcional. Na medida do possível, Campinas é um modelo muito bom", concluiu.

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