Publicado 20 de Junho de 2021 - 12h05

Por Thifany Barbosa

Para os moradores de rua, o inverno é mais um flagelo

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Para os moradores de rua, o inverno é mais um flagelo

A chegada da estação mais fria do ano está marcada para esta segunda-feira, dia 21 de junho, mas de acordo com a Ana Ávila, meteorologista do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, o inverno deste ano será dentro da normalidade, ligeiramente mais seco, dado que o período tem volume menor de chuva. Com as madrugadas mais frias, as temperaturas mínimas deverão ficar próximas a 13°C em junho, 12,4°C em julho e 13,5º C em agosto. As máximas ficarão por volta de 25,1°C, 25,4°C e 27,2°C, respectivamente, diz a meteorogista, que observa: "É importante destacar que durante o inverno há a possibilidade de oscilações nas temperaturas médias, com a entrada de massas de ar frio de origem polar, com um declínio mais acentuado da temperatura, assim como períodos com temperaturas mais elevadas."

Com as baixas nas temperaturas, a população em situação de rua se torna ainda mais vulnerável. Segundo o último levantamento da Prefeitura, divulgado em 2020, a cidade contabilizava 820 pessoas nessa condição. Com o aprofundamento das crises sanitária e econômica, é provável que este número tenha aumentado. Para acolher quem vive ao relento, o SOS Rua iniciou a Operação Inverno, que tem o objetivo de encaminhar desalojados aos serviços da rede de proteção, de assistência social do município.

Aos que recusam o acolhimento, são distribuídos cobertores. Desde o início da Operação Inverno foram distribuídos 3.764 dessas peças. O horário noturno de abordagem das pessoas em situação de rua foi ampliado em duas horas, passando a ser realizado entre 18h e meia-noite. A ação segue até o fim de setembro. Além dessas entidades, há voluntários independes que vão até o Centro para ajudar a população carente.

É o caso Erika Cristina Costa, que se juntou com mais quatro amigas para dedicar parte do seu tempo a amparar os necessitados. "Nós conseguimos 200 cobertores apenas com a ajuda de amigos. Temos conseguido dinheiro e cestas básicas, que distribuímos toda quinta-feira. Não fazemos mais porque não temos estrutura", afirmou. Segundo um morador de rua que não quis se identificar, as doações são primordiais, ainda mais no frio. "A entrega dos cobertores é igual para todos, não falta nada para ninguém. Quando eu sair dessa situação, vou estipular um ou dois dias da semana para fazer o mesmo trabalho, porque semente boa você observa e faz o mesmo" comentou.

As baixas nas temperaturas representam um risco à saúde dessas pessoas, conforme explica o professor de cardiologia da PUC-Campinas, Aloisio Marchi Da Rocha. "A perda de calor pode acontecer de várias formas, como uso de roupa molhada e consumo de bebidas alcoólicas, que podem piorar muito esta situação", afirma.

De acordo com o cardiologista, o álcool traz a sensação de calor, mas na verdade ele provoca vasodilatação, que promove a liberação de calor pela pele. "Quando sentimos frio e ficamos pálidos, é porque os vasos se contraíram para manter a temperatura do corpo por mais tempo", esclarece.

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Thifany Barbosa