Publicado 20 de Junho de 2021 - 11h50

Por Cibele Vieira/ Correio Popular

Condomínio Parque Primavera, no bairro Mansões Santo Antônio, na Rua Hermantino Coelho: constatação de contaminação acabou com o sonho de cerca de 100 famílias em 2001

Divulgação

Condomínio Parque Primavera, no bairro Mansões Santo Antônio, na Rua Hermantino Coelho: constatação de contaminação acabou com o sonho de cerca de 100 famílias em 2001

Sabe aquela sensação boa de estar preste a conquistar o sonho de ter um canto próprio para morar, tipo o primeiro apartamento? Pois esse era o sentimento vivido por cerca de 100 famílias no início do ano de 2001. Elas haviam adquirido os apartamentos em duas torres no Condomínio Parque Primavera, no bairro Mansões Santo Antônio, no alto da Rua Hermantino Coelho. Mas até hoje, vinte anos depois, elas continuam sem poder ocupar seus imóveis. Em agosto daquele ano, a área foi interditada em decorrência da constatação de uma grave contaminação de solo e lençóis freáticos, interrompendo os sonhos e investimentos na região.

O fato novo aguardado agora - até agosto de 2021 - é a aprovação de um Plano de Remediação da área pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O anúncio foi feito pelo secretário Municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Rogério Menezes de Mello. Ele relata que, nos últimos 26 meses, a empresa CMA Ambiental (selecionada por concorrência pública em 2018) realizou uma investigação detalhada na área para localizar, com precisão, as plumas de contaminação que ainda restam e elaborou um Plano de Remediação.

A Cetesb recebeu o relatório final há cerca de 30 dias para analisar e dar o parecer final, afirma Menezes. Consultada, a agência ambiental respondeu por meio de nota que “está prevista a atualização das informações sobre as ações de remediação na área do Mansões Santo Antônio, mas, devido à pandemia, não foi possível fazer ainda vistoria no local”.

Plano encerra um ciclo

Após discussões, desgastes, processos judiciais e cerca de dez anos sem avançar para uma solução para a área contaminada, a construtora Concima deixou de cumprir os acordos para elaboração de um plano de recuperação da área contaminada. Foi quando a Prefeitura de Campinas decidiu intervir e usar recursos do Fundo de Recuperação, Manutenção e Preservação do Meio Ambiente (Proamb) para tirar o assunto do impasse em que se encontrava, relata Menezes. Agora, segundo ele, com a conclusão dessa etapa, assim que a Cetesb aprovar o Plano de Remediação, a Administração pretende se retirar formalmente da coordenação desse assunto.

O documento final - com todas as intervenções necessárias e identificando onde e em que condições podem ser retomadas as construções na área - será entregue aos moradores e proprietários do Condomínio Parque Primavera e à Associação dos Proprietários do Mansões Santo Antonio (Apromasa), para que as partes privadas viabilizem economicamente a remediação. Em 2018, as ações previstas para isso foram estimadas em cerca de R$ 15 milhões, mas hoje “deve ser bem mais que isso, mas não podemos falar em valores antes da definição dos procedimentos pela Cetesb”, justifica o secretário do Verde.

O entorno da Rua Hermantino Coelho é bastante valorizado em seu aspecto imobiliário, por isso, Menezes defende que é preciso “avançar no assunto envolvendo os aspectos ambiental, social e econômico, pois é uma área nobre da cidade que está congelada há vinte anos”. Ele acredita que investidores imobiliários devem se cotizar e viabilizar a remediação, visando a retomada de seus negócios na área.

E acrescenta que não é possível descontaminar uma área com essas características, mas é possível remediar e ocupar com critérios. O secretário explica ainda que todos os recursos públicos investidos na área privada serão relacionados em uma ação judicial regressiva da Prefeitura contra a Concima, cujo objetivo será a devolução ao Fundo municipal de todos os valores empregados.

“Esse caso foi o maior desafio que já enfrentei em minha carreira. E foi muito longo, muito sofrido, mas conduzimos com transparência um plano de ação extenso, que se encerra com esse relatório que a Cetesb deve avaliar até meados de julho”, acredita Menezes.

Assim que for apresentado, o documento ficará disponível, na íntegra, no site da Secretaria do Verde, para consulta pública. O relatório avalia os riscos à saúde humana, atualiza a situação real das plumas de contaminação, indica as intervenções necessárias e orienta a eventual ocupação dos terrenos, que ficam em uma região bastante valorizada.

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Cibele Vieira/ Correio Popular