Publicado 20 de Junho de 2021 - 10h59

Por Edson Silva

Prédio que abriga o 1° Distrito Policial Central de Flagrantes, na Rua Sebastião de Souza, no Centro: falta de recursos humanos fragiliza a instituição

Kamá Ribeiro

Prédio que abriga o 1° Distrito Policial Central de Flagrantes, na Rua Sebastião de Souza, no Centro: falta de recursos humanos fragiliza a instituição

Campinas, a única cidade do Interior do estado a ter duas delegacias seccionais de Polícia Civil - entre os 645 municípios paulistas - com 1,2 milhão de habitantes - terceira maior população de São Paulo, atrás apenas da Capital (12,3 milhões) e de Guarulhos (1,3 milhão)- tem um número extremamente preocupante no âmbito da segurança pública.

A cidade está com apenas metade do total ideal de policiais civis em carreiras primordiais para o andamentos de inquéritos e de investigações que esclareçam crimes e levem os acusados a pagar pelos seus crimes na Justiça, como são os casos de delegados de polícia, investigadores e escrivães.

Essa situação até poderia ser atribuída à pandemia, que atinge todo o planeta e que, no Brasil, intensificou-se oficialmente há dois anos e três meses. Também poderia ser justificada pela polêmica provocada com a reforma da Previdência, em 2017, que gerou dúvidas sobre as regras, se seriam ou não mudadas para profissionais de segurança pública, o que resultou em uma verdadeira avalanche de aposentadorias, com os policiais mais antigos buscando formas de preservar direitos adquiridos.

Mas a situação remonta há décadas e os números beiram à precariedade. Segundo dados do Sindicato dos Trabalhadores Policiais Civis de Campinas (Sinpol), a cidade tinha quase 700 policiais civis há três décadas (nos anos 90 quando a população era de 900 mil habitantes). Hoje, a cidade tem aproximadamente 370 desses policiais, garante o investigador de polícia aposentado, Aparecido Lima de Carvalho, o Kiko, presidente do Sinpol-Campinas e 1° secretário-executivo por São Paulo da Federação Interestadual de Policiais Civis da região Sudeste (Feipol – Sudeste).

“Nesses números, nem consideramos os afastamentos, férias, licenças prêmios e ou readaptações”, ressaltou o dirigente do Sinpol - Campinas. Ele ressalta que a entidade representante da categoria de policiais civis denuncia faz mais de uma década do que ele chama de “desmonte da instituição Polícia Civil” por parte de sucessivos governos do Estado.

“Ocorre agora que chegamos a um patamar assustador de déficit de policiais em todas as carreiras. Estamos próximos de 50% de policiais a menos. Isso causa um enorme prejuízo à população”, disse.

O sindicalista observa que a instituição demonstra evidente falta de delegados, mas há duas carreiras ainda mais afetadas: a de investigador policial e a de escrivão de polícia. “Isso impacta diretamente nos esclarecimentos de crimes registrados nas unidades policiais”, afirma Aparecido Lima.

O sindicalista diz que, somado ao déficit que atinge metade da Polícia Civil paulistana, existe o grave fator de que a outra metade está em condição de se aposentar, não suportando mais acúmulo de funções. “Nossa Polícia Civil está envelhecida. E mais, temos uma desvalorização salarial que impacta. O estado mais rico da Federação paga um dos piores salários a policiais civis do país”, acrescentou .

Levantamento recente feito pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São de São Paulo (Sindpesp), as defasagens de policiais nas duas delegacias seccionais instaladas em Campinas são maiores que a defasagem média de 35% verificada no Estado.

A defasagem em unidades da 1ª Seccional (que fica no Centro) é de 39% dos funcionários. A situação é ainda pior em unidades da 2ª Seccional (no Jardim Londres), que está com pouco mais da metade do efetivo ideal, com 49% menos de policiais.

A Polícia Civil Paulista tem previsão de 41.912 cargos no estado e 14.609 deles estão vagos, segundo o Sindicato dos Delegados de Polícia de SP.

SSP

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que investe continuamente na valorização, ampliação e recomposição do efetivo policial em todo o Estado de São Paulo. Segundo o documento, na atual gestão, foram contratados mais de 10 mil policiais, sendo 1.658 deles civis.

De acordo com a SSP, atualmente, 638 novos policiais civis estão em formação na Academia de Polícia. Além disso, novos concursos foram autorizados para mais 2.750 mil vagas para a instituição.

A secretaria acrescentou ainda que, no ano passado, foram investidos mais de R$ 140 milhões na aquisição de novas armas e tecnologias para as forças de segurança paulistas.

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Edson Silva