Publicado 19 de Junho de 2021 - 14h05

Por Do Correio

Mediadora da Escola Estadual telefonou para o garoto e o repreendeu por causa de redação com tema LGBT

Divulgação

Mediadora da Escola Estadual telefonou para o garoto e o repreendeu por causa de redação com tema LGBT

O corpo docente da Escola Estadual Professor Aníbal de Freitas, em Campinas, divulgou ontem por meio das redes sociais uma carta aberta para declarar que não compactua com qualquer tipo de preconceito ou discriminação, em referência ao episódio que ocorreu com o estudante Lucas, no último dia 11 junho. Os educadores afirmaram que o tratamento dado ao aluno em uma rede de relacionamento, de censura e hostilidade, não faz parte da metodologia desenvolvida por eles. "A atitude tomada ocorreu sem o conhecimento prévio e, portanto, sem análise e consentimento desta equipe docente", declararam os professores no texto.

Lucas foi constrangido depois de ter sugerido, em um grupo de WhatsApp da escola, a realização de um trabalho com a temática LGBT. Depois de ter apresentado sua sugestão, o estudante foi silenciado por pais de alunos e pela diretora do colégio, que se manifestaram contra o tema, classificando-o como inoportuno.

Na sequência, uma professora mediadora da Escola Estadual telefonou para o garoto e o repreendeu, reforçando que o assunto era impróprio para a sua faixa etária. Segundo a irmã do menino, Danielle Cristina Pereira de Oliveira, a forma como a educadora se dirigiu ao seu irmão foi impositiva, em voz alta, o que deixou Lucas intimidado, sem reação e aos prantos.

No manifesto, os profissionais que atuam na escola esclareceram que permaneceram sem se posicionar até o momento, porque estavam se resguardando, até que adquirissem base legal para que não sofressem represálias. "Este corpo docente preza e incentiva o protagonismo dos estudantes, bem como sempre prezou por um ambiente educacional livre de qualquer preconceito ou discriminação", informou a carta aberta. Os professores afirmaram que aguardam que o episódio tenha um desfecho justo, para que o trabalho na escola possa continuar sendo desenvolvido com dedicação e responsabilidade. "Que continuemos em paz", concluiu o texto.

Estado

Desde que Lucas passou pelo episódio que o constrangeu, a Secretaria de Estado da Educação afirmou que instaurou um Processo Administrativo Disciplinar para apurar o caso, e que ofereceu amparo psicólogo para o estudante. Na última quarta-feira, a Pasta confirmou que a diretora e a professora mediadora da escola foram afastadas de suas funções, e designadas para exercer apenas atividades burocráticas na Diretoria de Ensino Região Campinas Leste.

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