Publicado 19 de Junho de 2021 - 12h24

Por Rodrigo Piomonte

Após 13 anos de Lei Seca, DF teve redução de mortes no trânsito

Após 13 anos de Lei Seca, DF teve redução de mortes no trânsito

Diante de mais uma constatação de que a pandemia segue fora de controle em Campinas, com aumento no número de casos, internações e de pessoas na fila de espera por leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), que agora soma 32, a maior quantidade desde a divulgação da Prefeitura, a cerca de um mês, de que a fila tinha sido zerada, o governo anunciou novamente o endurecimento das regras de circulação na cidade. O toque de recolher foi antecipado e agora volta a multar estabelecimentos comerciais abertos e pessoas que estiverem na rua sem justificativa entre as 19h e às 5h, além de estabelecer uma "Lei Seca" em vias públicas durante esse horário. A medida vale a partir de segunda-feira, dia 21, e dura até o final do mês. Mas a proibição de bebidas alcóolicas já começa a valer a partir deste sábado (19).

O anúncio foi feito na tarde desta sexta-feira (18) pelo prefeito Dário Saadi (Republicanos), durante entrevista coletiva transmitida pelas redes sociais. Porém, alguns especialistas entendem que a medida ainda é tímida diante da gravidade e, principalmente, da velocidade e da situação que se encontra o sistema público e privado de saúde, com taxas de ocupação e leitos no limite.

Com as medidas, todo o comércio, restaurantes, serviços entre outras atividades como igrejas, shoppings, atividades culturais, clubes sociais, academias entre outros ficam enquadrados no novo regramento. O decreto regulamentando a mudança foi publicado no Diário Oficial deste sábado. Os parques públicos seguem com permissão e funcionamento das 6h às 18h. As medidas também se estendem para as áreas comuns de condomínios.

Até então, Campinas seguia as regras da fase de transição determinadas pelo Plano São Paulo na última semana, que permite atividades com capacidade de até 40% e horário de funcionamento entre 6h e 21h. A capacidade nos estabelecimentos comerciais fica mantida, porém o horário de funcionamento deverá respeitar o novo toque de recolher.

A piora nos números da pandemia na cidade, que ontem vitimou outras 18 vidas, segundo informações do boletim covid-19 divulgado diariamente pela Secretaria de Saúde, e elevou o total de mortes em Campinas para 3.554, foi a principal causa do endurecimento das regras de circulação. "Em razão dessa piora nos números, o comitê do combate à pandemia de Campinas resolveu tomar essa decisão", disse o secretário de Justiça, Peter Panutto.

Para o presidente da Rede Mário Gatti, Sérgio Bisogni, a cidade volta a estar com a luz amarela acesa. "Voltamos a estar sob pressão. Não temos vagas nem na rede pública nem na rede privada para atendimento e a fila de espera volta a crescer", disse.

Segundo ele, a média de internação nas UTIs é de pessoas abaixo dos 60 anos e a permanência subiu de 14 para 19 dias. "Precisamos cuidar para dar tempo de a vacinação ser ampliada. Lembrando ainda que a população não vacinada, que são os mais jovens, estão mais expostos. E o vírus vai procurar quem está exposto", disse.

Ainda conforme os dados da pandemia na cidade, além das 18 mortes, o número de infectados alcançou a marca de 109.251 pessoas. Nas últimas horas foram diagnosticadas com a doença outras 700 pessoas.

Segundo os dados divulgados pela Secretaria de Saúde, através do boletim diário Campinas registra 98% de ocupação dos leitos de UTI covid em toda a cidade, somando as redes pública e particular. Nos hospitais municipais, há uma fila de 32 pacientes em estado grave esperando por um leito para receber tratamento.

Bebidas alcoólicas

A novidade agora no endurecimento das regras anunciadas no novo toque de recolher está na proibição do consumo de bebidas alcoólicas em vias e espaços públicos, e também em dependências de postos de combustíveis, com multa de pouco mais de R$ 1.5 mil (400 UFICs) para quem for flagrado em desacordo com as regras. Essa regra começa a valer neste sábado.

No caso dos postos de combustíveis, o estabelecimento flagrado com pessoas consumindo bebidas em suas dependências no período do toque de recolher será multado em pouco mais de R$ 3 mil (800 UFICs). Em caso de reincidência, a multa dobra para pouco mais de R$ 6 mil (1,6 mil UFICs) e o local será lacrado por 30 dias.

Medida tímida

O anúncio do governo municipal de ampliação do toque de recolher é visto como uma medida necessária para o atual momento, porém tímida diante da gravidade da situação que os campineiros vivenciam e os impactos da pandemia na cidade.

De acordo com a infectologista, Raquel Stucchi, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a restrição aos bares e aos restaurantes, comércio e atividades de serviços na forma como está sendo feita não está sendo suficiente.

"Precisamos ter restrições mais rígidas de circulação de pessoas. As escolas permanecerão como estão, mas as outras atividades precisávamos de medidas mais rígidas e de pelo menos 15 dias, vamos ver como vai ser", disse.

Novamente questionado sobre a adoção de lockdown e de redução da capacidade dos lugares de receber consumidores, que em Campinas permanecerá em 40%, diferentemente de cidades vizinhas como Valinhos que reduziu para 25%, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) voltou a justificar que em Campinas isso não será aplicado.

"Um lockdown pressupõe cancelar a circulação do transporte coletivo. E isso prejudicaria o ritmo da nossa vacinação. Nós já adotamos medidas mais duras que o Plano São Paulo e se precisarmos vamos nos antecipar. Estamos em constante análise dos indicadores em um esforço imenso de evitar as aglomerações", disse.

 

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Rodrigo Piomonte