Publicado 10 de Junho de 2021 - 10h50

Por Mariana Camba/Correio Popular

Idosos formam o segundo grupo menos vacinado em Campinas até o momento: dado é preocupante para as autoridades sanitárias

Diogo Zacarias/Correio Popular

Idosos formam o segundo grupo menos vacinado em Campinas até o momento: dado é preocupante para as autoridades sanitárias

A terceira fase da Campanha de Vacinação Contra a Gripe teve início ontem e vai prosseguir até o dia 9 de julho, em todos os 65 Centros de Saúde (CS) de Campinas. Os grupos prioritários nesta etapa são: pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência permanente, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso, trabalhadores portuários, forças de segurança e salvamento, forças armadas, funcionários do sistema de privação de liberdade, população privada de liberdade, além de adolescentes e jovens em medidas socioeducativas. Em torno de 88,5 mil pessoas devem ser imunizadas contra a influenza nesta última fase da campanha, no município.

De acordo com a enfermeira do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), Patrícia Rigo, até o momento os professores são os que menos aderiram à vacinação contra a gripe em Campinas, com apenas 27,9% dos profissionais imunizados até o dia 2 de junho. Na sequência, estão os idosos (30,5%), as gestantes (48,1%), os trabalhadores da área da saúde (48,6%), crianças entre 6 meses e 6 anos (51,8%) e puérperas (62,2%). Entre os dias 12 de abril e 2 de junho, 139.650 doses foram aplicadas no município. "Mesmo quem faz parte dos grupos priorizados nas fases anteriores, ainda pode receber o imunizante. Basta ir ao Centro de Saúde mais próximo. Não é necessário fazer o agendamento", informou Patrícia.

No ano passado, acrescentou a enfermeira, a demanda pela vacina contra a gripe foi maior. Ela acredita que a baixa adesão neste ano tenha ocorrido por causa da vacinação contra a covid-19. "Observamos que algumas pessoas estão com medo de tomar as duas vacinas e ter algum tipo de reação. Mas nada vai acontecer se o intervalo de 14 dias entre a aplicação dos dois imunizantes for respeitado. Portanto, quem tomou a primeira dose da vacina contra o novo coronavírus, não precisa esperar a imunização completa contra o Sars-Cov-2 para se proteger contra a gripe. Basta aguardar o período necessário que nada vai ocorrer. Mas a vacina contra a covid-19 continua sendo prioridade", orientou.

Segundo Patrícia, se a campanha continuar com a baixa adesão que vem registrando, pode ser que a ação seja prorrogada e aberta para mais pessoas ao final da terceira fase. Mas a possibilidade deve ser confirmada apenas ao término da campanha. "Tudo vai depender do número de pessoas que vamos conseguir imunizar até lá. Quanto mais pessoas protegidas, menos são os que vão correr o risco de desenvolver a forma grave da doença, e ter que ir aos hospitais. Isso é fundamental, diante do aumento dos casos da covid-19", explicou. A meta da campanha é imunizar pelo menos 90% de todos os públicos alvos.

No Centro de Saúde do Jardim Aurélia, os que mais têm recebido o imunizante são os idosos. Nos anos anteriores, no início da campanha, o CS chegou a registrar mil doses aplicadas em um dia. Este ano, o número chega a 200. Geraldo José de Almeida, de 59 anos, garantiu a imunização contra a gripe ontem, por ter comorbidade. "É importante as pessoas se prevenirem e tomarem a vacina, para evitar a gripe e ter que recorrer a um hospital. O que não é recomendável neste momento", declarou.

Estado

A diretora de Imunização da Secretaria de Estado da Saúde, Nubia Araújo, informou que, neste ano, o número de doses contra a influenza disponibilizado para todo o país foi de 80 milhões. No ano passado, foram 60 milhões. "Em 2020, a demanda aumentou muito. As pessoas estavam sensibilizadas com a pandemia. Mas até aquele momento, ainda não tínhamos a vacina contra a covid-19", informou. No Estado, foram aplicadas entre os dias 12 de abril e 7 de junho, 5,5 milhões de doses contra a gripe. Em âmbito estadual, a adesão mais baixa registrada até o momento foi dos idosos (35,4%). Na sequência estão os professores (35,8%).

Em relação aos idosos, 5,2 milhões de pessoas foram imunizadas contra a gripe nas quatro primeiras semanas da campanha, no ano passado. Neste ano, no mesmo período, o número caiu para apenas 2,5 milhões. "Este é um reflexo da baixa adesão que estamos registrando em 2021", afirmou a diretora de Imunização. Segundo Nubia, é necessário que as pessoas se protejam contra a gripe antes da chegada do inverno, período no qual as complicações respiratórias são mais frequentes.

A vacina, de acordo com ela, e essencial para a proteção da população. "As pessoas estão muito preocupadas com a covid-19, e não estão atentas para as outras doenças. O vírus da influenza está com a circulação baixa, tanto no Estado quanto no país, provavelmente por causa das medidas de distanciamento que temos adotado e devido ao uso de máscara. São fatores que contribuíram para a redução de outras doenças respiratórias. Ainda assim, a proteção da vacina é indispensável". Em 2020, o Estado registrou 809 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, e 119 óbitos.

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Mariana Camba/Correio Popular