Publicado 10 de Junho de 2021 - 10h27

Por Rodrigo Piomonte/Correio Popular

Paciente chega à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Carlos Lourenço: demanda por leitos exclusivos para tratamento de covid segue em crescimento

Diogo Zacarias/Correio Popular

Paciente chega à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Carlos Lourenço: demanda por leitos exclusivos para tratamento de covid segue em crescimento

Apesar de ter registrado um avanço no ritmo da vacinação contra a covid-19 nos últimos 30 dias, chegando próximo à marca de 20% da população imunizada com as duas doses, o esforço da Prefeitura de Campinas em disponibilizar um número maior de leitos tem sucumbido diante do elevado número de internações provocadas pela doença. A fila de espera por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que chegou a ficar zerada no início do mês passado, cresceu 400% no período. Há um mês havia quatro pessoas em estado grave à espera de um leito. Agora são 20.

A fila de espera por uma UTI em Campinas cresce mesmo após a Secretaria de Saúde ter ampliado o número de leitos na cidade. A rede Mário Gatti anunciou 15 novos leitos de UTI exclusivos para receber pacientes com covid-19 na última sexta-feira. Eles foram instalados na Unidade Mário Gatti-Amoreiras, antigo Hospital Metropolitano. No entanto, não deram conta de amenizar a fila de espera. Dois dias depois de instalados, todos estavam ocupados e mais 14 pessoas em estado grave esperavam por uma vaga na fila. O Hospital Metropolitano conta ainda com outros 26 leitos de enfermaria.

De acordo com a Prefeitura, com a aplicação dos leitos no Hospital Metropolitano, a oferta de leitos do SUS Municipal, formado pelos hospitais Mário Gatti, Hospital Ouro Verde e rede conveniada, passou de 153 para 168 leitos. São agora 55 leitos no Hospital Ouro Verde, 44 no Mário Gatti, 15 no Metropolitano e mais 54 na rede conveniada. Apesar dessa oferta, a taxa de ocupação segue alta. Com 424 leitos de UTI exclusivos para pacientes com covid-19, entre as redes pública e particular de saúde, a taxa de ocupação está em 93,87%. São 398 leitos ocupados.

Para a médica epidemiologista Rachel Stucchi, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é recomendada para cidades com taxas de ocupação de leitos acima de 90% a adoção de alguma medida restritiva, para conter o avanço da doença, nesta fase de transição. "As nossas taxas de ocupação de leitos estão muito altas, tanto de enfermaria como de UTI. Apesar de termos acelerado a vacinação, o que foi muito importante, é ainda insuficiente para conseguirmos controlar ou termos um reflexo na diminuição dos casos novos e de novas necessidades de internação", avalia.

A especialista ressalta que ocorreram três grandes momentos de aglomerações nas últimas semanas, que foram as duas grandes manifestações públicas nas ruas, além do feriado prolongado, que permitiu o agrupamento de pessoas em casa ou em outros locais. "Essas exposições causam reflexos, certamente. As aglomerações do feriado prolongado devem se refletir daqui a dez ou 14 dias. Agora, nós temos o reflexo das aglomerações que aconteceram nas duas grandes manifestações políticas", disse.

Segundo dados divulgados pela Prefeitura, Campinas registrou ontem 58 novos casos da doença, totalizando 103.877. Foram registrados mais 20 óbitos, chegando a um total de 3.426 vítimas fatais. Em relação aos números registrados 30 dias atrás, o volume de novos casos cresceu 8%, enquanto a taxa de óbitos subiu 9,7%.

 

Em Indaiatuba, ocupação está em 100%

Na manhã da última quarta-feira, Indaiatuba atingiu a marca de 100% de ocupação nos leitos de UTI e de enfermaria exclusivos para tratamento da covid-19. Pela primeira vez, o município está com uma fila de espera de pelo menos 53 pacientes - 15 aguardam por uma UTI e 38 por um leito na enfermaria.

De acordo com a Prefeitura, os 24 leitos de UTI e 60 de enfermaria do Hospital Augusto de Oliveira Camargo (HAOC) estão ocupados. No Hospital Santa Ignês, as 14 vagas de UTI e 22 de enfermaria para tratamento dos infectados pelo coronavírus também atingiram 100% de lotação.

 Secretaria de Saúde de Indaiatuba informou que os pacientes da fila de espera estão sendo assistidos e monitorados pelas equipes da saúde enquanto aguardam uma vaga. Alguns estão na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e os demais permanecem nas salas de emergência médica do HAOC.

A titular da pasta, Graziela Garcia, reforçou que a Prefeitura segue trabalhando, mas que é necessário que a população se conscientize da gravidade da situação. "Estamos intensificando a fiscalização durante todos os dias. No último final de semana interrompemos duas festas clandestinas com mais de 500 pessoas. Estamos trabalhando dia e noite e o esforço de conscientização não para, porque só com a compreensão e a colaboração que a gente vai conseguir melhorar os números em Indaiatuba", explicou a secretária.

Graziela Garcia pediu para que a população fique atenta ao e-mail cadastrado no sistema "Minha Vacina". "Uma boa forma de conter o novo coronavírus é tomando a vacina", salientou. Até ontem, a cidade contabilizava 22.593 casos confirmados de covid-19 e 589 óbitos pela doença. Foram imunizadas cerca de 30 mil pessoas.

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Rodrigo Piomonte/Correio Popular