Publicado 09 de Junho de 2021 - 12h47

Por Mariana Camba/ Correio Popular

Estudante da rede municipal de ensino de Campinas tem temperatura aferida na entrada da escola: app desenvolvido pelo MPT e Unicamp pretende monitorar casos de covid

Kamá Ribeiro/Correio Popular

Estudante da rede municipal de ensino de Campinas tem temperatura aferida na entrada da escola: app desenvolvido pelo MPT e Unicamp pretende monitorar casos de covid

O Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram o web aplicativo EducaSaude, cujo objetivo é identificar e acompanhar em tempo real os casos suspeitos e confirmados da covid-19 nas instituições de ensino. Os dados serão disponibilizados aos municípios e estados, que poderão fazer uso das informações para adotarem ações preventivas e de combate ao novo coronavírus.

Em julho, o web app passará por um teste prático no campus de Barão Geraldo da Unicamp, como um projeto-piloto. Durante o experimento inicial, a ferramenta será disponibiliza para os funcionários, alunos e docentes da universidade. Esse contingente vai interagir com a plataforma, respondendo um questionário com várias perguntas a eventuais sintomas de covid-19. A partir de agosto, segundo o MPT, o aplicativo será fornecido gratuitamente para as administrações que demonstrarem interesse em adotar o recurso em suas redes de ensino.

De acordo com o professor do Instituto de Computação da Unicamp e um dos coordenadores do projeto, Ricardo Dahab, as informações colhidas poderão ser usadas no desenvolvimento de medidas complementares de combate à pandemia. Ao acessarem os dados disponibilizados pelo aplicativo, as administrações poderão mapear as concentrações de incidência da covid-19, identificar quais escolas têm mais faltas devido à doença, e ter acesso aos perfis das pessoas que estão mais expostas ao vírus.

O cenário poderá direcionar, por exemplo, ações de vacinação contra o novo coronavírus em determinados locais ou indicar o isolamento de pessoas do convívio social. "É uma forma de fornecer dados práticos às vigilâncias epidemiológicas, para que elas possam atuar na prevenção à covid-19 antes que os alunos disseminem o vírus nas escolas. O desenvolvimento do projeto ocorreu por meio de um convênio de cooperação entre o MPT e a Unicamp".

As administrações que quiserem adotar a tecnologia em suas redes de ensino, segundo o docente, poderão fazer as customizações necessárias no aplicativo, "de acordo com o cenário e estrutura de cada região". O acesso ao web app será feito através de um link, e cada usuário terá um login. Deverão utilizar a plataforma alunos, professores e funcionários das instituições de ensino.

Os usuários responderão a um questionário com perguntas de múltipla escolha, como "Está com sintomas?", "Teve contato com alguém que foi infectado pela covid-19?". Se a pessoa apresentar ao menos um sintoma, a ferramenta emitirá uma recomendação para que o estudante não vá para a escola e aguarde o contato da vigilância em saúde ou entre em contato com a unidade de saúde mais próxima.

Caso nenhum sintoma seja assinalado, nenhuma ação será orientada. Nessa hipótese, a ferramenta recomendará apenas que a pessoa mantenha o acesso diário ao aplicativo. Conforme Dahab, o usuário não deverá levar mais que 30 segundos para responder a todas as perguntas.

O maior desafio da plataforma, segundo o professor, é fazer com que as pessoas respondam aos questionamentos diariamente, e adotem a orientação indicada pelo EducaSaúde. Durante o projeto-piloto na Unicamp, as informações obtidas pelo aplicativo serão fornecidas ao Centro de Saúde da Comunidade (Cecom) da universidade. "Quando a tecnologia for adotada pelos municípios, ficará a critério da das administrações e das vigilâncias sanitárias usarem os dados disponibilizados da melhor forma possível", explicou o docente.

Segundo a assessoria de imprensa do MPT, Campinas e outros municípios da região demonstraram interesse pelo uso da tecnologia, que será transferida gratuitamente depois que os testes forem realizados, mediante a assinatura de um termo de cooperação. O aplicativo estará disponível para qualquer cidade ou Estado do Brasil. "A ideia é que o web app se torne um legado da pandemia, como proteção à vida e saúde dos trabalhadores da educação e dos estudantes, podendo ser usado para o controle de outras doenças em escolas. Esta é a primeira plataforma que disponibilizará em tempo real, de forma integrada com os órgãos de monitoramento, informações precisas que possibilitam além do acompanhamento, a prevenção da transmissão da doença", concluiu a Procuradora do MPT, Clarissa Ribeiro Schinestsck.

 

Rede escolar registra 15 infectados

O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas informou que, até ontem, 15 profissionais da Rede Municipal de Educação foram infectados pelo novo coronavírus, depois que os mais de oito mil profissionais das 206 unidades escolares do município retomaram as atividades presenciais. O levantamento é do dia 14 de maio, mas conforme a Prefeitura, os dados permanecem inalterados. Segundo a Administração, não há evidência de que essas infecções tenham ocorrido no interior das unidades escolares.

A Secretaria de Educação informou que as escolas com casos suspeitos - pessoas com sintomas gripais -, devem seguir os protocolos sanitários preconizados. "Não há surtos confirmados até o momento nas unidades da Prefeitura. Em todas as escolas são adotadas as medidas recomendadas de distanciamento, uso de álcool gel, lavagem de mãos e ocupação de até 35%. Profissionais da educação também foram capacitados sobre as medidas de prevenção à covid-19. Além disso, está prevista para julho a vacinação de todos os trabalhadores da educação, independente da faixa etária, conforme cronograma do Ministério da Saúde", informou em nota a Prefeitura de Campinas.

 

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