Publicado 08 de Junho de 2021 - 16h05

Por Correio Popular

Bruno Batista, diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte

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Bruno Batista, diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte

“A cidade de Campinas, encravada em uma região que conta com uma malha rodoviária em ótimas condições, possui uma realidade muito diferente do restante do Brasil”. A afirmação pertence ao diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Bruno Batista. Todos os anos, a entidade realiza uma ampla pesquisa sobre as condições das rodovias brasileiras e elege as melhores e as piores estradas do País.

Intitulada como Pesquisa CNT de Rodovias, após 23 edições, o estudo não foi realizado em 2020 por conta da pandemia de covid-19. Na última edição, a rodovia D. Pedro I (SP-065), administrada pela Rota das Bandeiras, e a Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), da AutoBAn, ocuparam, respectivamente, os postos de melhores estradas do Brasil. Para o diretor executivo da CNT, o fato mostra a importância da política de concessões rodoviárias para o desenvolvimento do sistema rodoviário da região.

Correio Popular – A última pesquisa CNT, realizada em 2019, analisou mais de 108 mil quilômetros de rodovias em todo o Brasil. De acordo com a realidade encontrada, como o senhor analisa atualmente a situação das estradas que servem a região de Campinas?

Bruno Batista – O fato da Região Metropolitana de Campinas dispor de uma malha rodoviária pavimentada, com ótimas condições para o tráfego de motoristas, mostra que a região de Campinas é uma exceção dentro da realidade brasileira. Atualmente, somente 12,4% da malha rodoviária brasileira é pavimentada.

Além da segurança e do conforto para os motoristas, quais são os principais benefícios que estradas em boas condições trazem a uma região?

Uma rodovia em boas condições tende a tornar o transporte, tanto o de carga como o de passageiros, mais seguro e mais barato. Além disso, serve como um grande atrativo para as outras áreas como o Comércio, a Indústria e a Logística, gerando desenvolvimento econômico e riqueza para a região. No caso de Campinas, isso se torna muito mais visível, já que se trata de uma região bastante desenvolvida.

Conforme comprova o estudo da CNT, as rodovias de Campinas estão entre as melhores do país. Inclusive as duas melhores, D. Pedro I e Bandeirantes, cortam a cidade e estão sob concessões da iniciativa privada. Esse é o melhor modelo para o motorista ter rodovias em boas condições?

A experiência brasileira comprova que fazer concessões traz bons resultados, a própria pesquisa CNT é uma prova dessa constatação. O Estado tem dificuldade em fazer a manutenção das rodovias, esse é um trabalho que exige um investimento bastante pesado. Então, a manutenção gerada por meio de recursos provindos da arrecadação de pedágio é uma boa opção. A nossa pesquisa constatou que 74,7% das rodovias concedidas receberam a avaliação ótima ou boa. Nas rodovias públicas, somente 41% das vias alcançaram esse resultado. De forma geral, as rodovias concessionadas possuem maior segurança, são mais sinalizadas e possuem mais serviços à disposição do usuário.

Desta forma, senhor acredita que a saída para o País seria definitivamente a política de concessão.

As concessões são positivas, mas o seu modelo não é expansível para toda a malha brasileira. Há muitas rodovias que não contam com fluxo suficiente para se tornarem atraentes à iniciativa privada. Neste caso, cabe ao Estado garantir condições para a melhoria e a expansão do sistema rodoviário.

Quais são os principais itens que uma rodovia tem que atender para ser considerada segura?

Em nossa pesquisa, nós analisamos pavimento, sinalização e geometria viária. Se você perguntar a um motorista, ele vai dizer que é somente o pavimento. Mas nós percebemos que sobretudo a sinalização tem uma importância fundamental. Rodovias bem sinalizadas têm índices mais baixos de acidentes. A presença de faixas horizontais, a existência de faixas adicionais nas subidas e acostamento. Tudo isso é muito importante.

Historicamente, o Brasil mantém a preferência por rodovias e caminhões para o transporte de cargas. Esse cenário permanecerá assim?

Nos últimos anos tem sido tentada a expansão das ferrovias. Aos poucos, o país começa a diversificar a sua estrutura modal. No entanto, o tipo de carga que é transportado em rodovias é diferente do que pode ser levado por ferrovias. A tendência é a manutenção do sistema atual para cargas e passageiros.

Em 2020, a Pesquisa CNT de Rodovias foi adiada devido à pandemia. Em 2021, a pesquisa será realizada?

Nós ainda estamos avaliando a situação devido à pandemia de covid-19. A pesquisa depende da rede de apoio como hotéis e restaurantes. Os pesquisadores chegam a ficar um mês em campo. Há todo um processo para a definição de rotas, para a computação dos dados, a realização da pesquisa consome cerca de sete meses de trabalho. Então, ainda não temos essa definição.

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Desde os primeiros meses de 2020, a vida que estávamos acostumados a ter, mudou. Com o desembarque da pandemia de covid-19 no Brasil, as concessionárias de rodovias enxergaram a necessidade de atuar no apoio aos motoristas e, principalmente, aos caminhoneiros, que continuaram atuando de forma ininterrupta, mesmo durante os momentos mais críticos, como o atual.

Ainda em março de 2020, quando os primeiros casos do novo coronavírus foram registrados no país e a maioria dos estabelecimentos foi fechada, a Rota das Bandeiras distribuiu 6,5 mil kits lanches aos motoristas. Depois, com a reabertura dos postos de serviços ao longo da malha viária, mais 20 mil vouchers de alimentação foram entregues pela Concessionária para troca por refeições.

No Corredor Dom Pedro, foram realizadas oito campanhas de vacinação contra a gripe (H1N1), a aplicação de 260 testes rápidos para a detecção de Covid-19 e a distribuição de 645 cestas básicas a famílias em situação de vulnerabilidade.

Já a CCR AutoBAn disponibilizou mais de 200 mil itens ou serviços para caminhoneiros que utilizam o Sistema Anhanguera-Bandeirantes, por meio do Plano de Apoio ao Caminhoneiro do Grupo CCR. Os profissionais receberam, por exemplo, kits de higiene e alimentação, vales-banho e vales-refeição, frascos de álcool 70%, consultas médicas online, atendimentos de saúde e máscaras de tecido, entre outros.

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