Publicado 07 de Junho de 2021 - 9h20

Por Gilson Re/Correio Popular

O reitor Germano Rigacci Júnior: PUC-Campinas

Kamá Ribeiro/Correio Popular

O reitor Germano Rigacci Júnior: PUC-Campinas "segue comprometida com a realização de sonhos"

A acelerada incorporação de inovações, com o objetivo de ampliar o conhecimento e aperfeiçoar a sua vocação de formar profissionais de excelência, está entre as principais iniciativas da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), que comemora 80 anos nesta segunda-feira, dia 7. Ao longo de sua história, a universidade contabiliza mais de 200 mil profissionais formados, firmando-se como uma das mais importantes escolas de ensino superior do Brasil. Uma das novidades anunciadas pela instituição foi a solidificação do PUC-Digital, projeto que transforma as ações de ensino e prepara a universidade enfrentar novos desafios.

Em entrevista ao Correio Popular, o professor Germano Rigacci Júnior, reitor da PUC-Campinas, destacou os cinco eixos que formam o planejamento estratégico da universidade até 2025: Inovação e Empreendedorismo; Sustentabilidade Econômica e Ambiental; Longevidade; Internacionalização; e Relações Humano-afetivas. Nesse contexto, Rigacci realçou a importância de realizar sonhos. "Este ano a PUC-Campinas completa 80 anos de um percurso de vitórias e conquistas, mas também de desafios que exigiram esforços e inabalável capacidade de superação. Oito décadas de história levam aos pioneiros que deslocaram o ensino superior da Capital para o Interior, compromissados em realizar sonhos, concretizar projetos e transformar uma pequena reunião de faculdades em uma grande Universidade Pontifícia", disse o dirigente.

A universidade tem, segundo o reitor, a vocação para o desenvolvimento de estudos nas mais variadas áreas, refletindo a diversidade do conhecimento. Grandes mestres formaram-se na instituição ao longo dos 80 anos. "Quando a universidade surgiu, com aval do Ministério da Educação e Cultura, foi movida pela Filosofia, Ciências e Letras. O propósito era o de oferecer formação superior para professores normalistas. A universidade nasce, portanto, com a vocação de formar professores. Mantém isso até os dias de hoje", assinalou.

Rigacci lembrou que entre os mais de 200 mil egressos dos cursos da PUC-Campinas estão grandes juízes, promotores, desembargadores, arquitetos, engenheiros, médicos, dentistas, entre outros tantos profissionais. "A PUC-Campinas desenvolve atualmente mais de 60 cursos de graduação de qualidade nas áreas de exatas, humanas e biológicas, distribuídos em cinco centros. Oferece, ainda, dez programas de mestrados e três de doutorados, além de uma série de cursos de especialização, extensão e grupos de pesquisa", comentou.

O reitor também destacou que a instituição está em constante evolução. "Há muitos projetos estratégicos que continuaram sendo desenvolvidos. Os de pesquisa não pararam. Os espaços acadêmicos internos, que envolvem empreendedorismo, também estão disponíveis para a aceleração de startups, porque pesquisa requer inovação. A universidade não parou por causa da pandemia. Com todas as limitações que o momento coloca, a instituição continua a se desenvolver", garantiu o dirigente.

[INTERTITULO]PUC-Digital

[/INTERTITULO]Um dos projetos que acaba de ser lançado é o PUC-Digital, que envolve três derivações. "A primeira já está em andamento internamente, que é a digitalização de processos e de documentos. É uma transformação digital interna, onde estão documentos acadêmicos e administrativos. A segunda vertente, lançada esta semana, é denominada PUC-Educação Digital, que oferecerá cursos de especialização, atualização e extensão no ambiente digital, usando instrumentos, tecnologias e metodologias apropriadas para isso", elencou. A terceira e última componente é o projeto Mescla, cuja estrutura física já está pronta e tem contatos de parcerias. O projeto está focado na inovação e no empreendedorismo.

Rigacci destacou que, dentro do PUC-Digital, o projeto Mescla apresenta quatro vertentes. "Um é o fomento às startups que já está em andamento: 16 grupos já estão na fase de aceleração. Tem também a vertente da inovação e tecnologia, focado na produção de pesquisas que resultam em patentes e propriedade intelectual", explicou. Outra vertente do Mescla é ligada às unidades de referência: Tecnologia Emergente; Novos Sistemas Construtivos (engenharia civil e arquitetura); Agricultura Sustentável; Gestão em Negócios; e Design, Tecnologia e Artes.

"São unidades de referência, porque a intenção é desenvolver pesquisas em parceria com a sociedade civil e com o Estado. É a chamada tríplice hélice que une universidade, Estado e sociedade civil, atendendo as demandas. A intenção deste projeto é de atrair os doutores e pós-doutores, de modo a ampliar a excelência em pesquisa, reter cérebros e dar perspectivas de futuro dentro do país", comentou o reitor.

A quarta vertente do programa Mescla é a PUCCorp, que envolve o conjunto das estruturas anteriores. "O Mescla surge com a ideia de inovação e empreendedorismo. É um nome que significa união, mistura de projetos. Não existem criações individualizadas. A meta é misturar criações, mesclar e fazer junto, em processos criativos", ressaltou Rigacci. De acordo com ele, um ponto fundamental é promover a retenção dos profissionais formados em Campinas.

"A PUC-Campinas forma doutores altamente preparados, que migram para outros países em busca de melhores oportunidades de trabalho. Precisamos manter esses jovens em Campinas e no país. Eles têm uma formação muito consistente, que é indispensável para impulsionar o processo de desenvolvimento regional", comentou. O reitor observou que o Mescla é aberto a quaisquer interessados, independentemente de vínculo com a Universidade. A metodologia contempla três fases. Na primeira, o interessado precisa apresentar uma ideia, que posteriormente tem que ser validada por uma pesquisa realizada junto a 100 pessoas.

"Se pelo menos 50% delas comprarem a ideia, então o proponente será admitido para participar da segunda fase, que consiste no processo de aceleração", esclarece o reitor. A terceira e última etapa, como já dito, é a incubação. A estrutura do Mescla é formada por espaço de coworking, sala de reuniões e Laboratório de Fabricação Digital, onde são produzidos os protótipos dos projetos.

O estímulo ao empreendedorismo é um dos focos da PUC-Campinas, mas não é o único. A Universidade também está comprometida em impulsionar a inovação social. "Estamos abrindo espaço no Mescla para a participação de jovens das periferias, não necessariamente estudantes. Queremos que eles apresentem projetos que sejam importantes para melhorar o bairro ou a região onde eles vivem", adiantou. A estratégia para chegar até esse público, informa o reitor, é usar a Igreja, que tem representações católicas espalhadas por toda a cidade.

O eixo da internacionalização é outro aspecto de destaque previsto pela universidade. "A internacionalização não é apenas o foco no intercâmbio acadêmico, mas exige que seu corpo docente e de pesquisadores construa um network internacional, participando de núcleos de pesquisas e estabelecendo conexões mútuas", disse. "Algumas pesquisas, por exemplo, já são oferecidas em inglês. Cursos de extensão podem ser realizados, porém a universidade deve se estruturar para que todos tenham oportunidade", afirmou.

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Gilson Re/Correio Popular