Publicado 03 de Junho de 2021 - 12h31

Por Thifany Barbosa/Correio Popular

Vista panorâmica da celebração de Corpus Christi, no Largo da Catedral Metropolitana de Campinas, realizada em 2019, último ano em que foi possível montar o tapete colorido em homenagem à eucaristia

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Vista panorâmica da celebração de Corpus Christi, no Largo da Catedral Metropolitana de Campinas, realizada em 2019, último ano em que foi possível montar o tapete colorido em homenagem à eucaristia

O feriado de Corpus Christi faz parte do calendário católico. Contudo, por conta da pandemia do coronavírus, a celebração deste ano, comemorada hoje, não contará com a procissão e os tradicionais tapetes, confeccionados voluntariamente pelos fiéis, que marcam artisticamente a data. Na produção, materiais como serragem, areia colorida, café em pó, tampinha de garrafa, pedaços de telas, flores, glitter, sal grosso e farinha de trigo, dão forma às estampas dos tapetes. Assim, objetos e imagens sacras ganham vida com o colorido dos materiais.

O tapete de Corpus Christi é uma alegoria relacionada à simbologia do sacramento da eucaristia. Assim, diversas imagens que fazem parte do tema como a hóstia, o pão, o vinho, o cálice e a figura de Nossa Senhora, são representados nas estampas. A passagem pelo tapete também carrega um significado especial.

Segundo o professor Leonardo Henrique Piacente, que leciona a disciplina de Sacramentos da Iniciação Cristã, na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), na simbologia católica, o tapete remete à entrada de Cristo em Jerusalém, seguido pela sua paixão, morte e ressurreição, quando as pessoas o acolhem como rei, colocando roupas, mantos e folhas de palmeiras para que ele passasse por cima.

De acordo com Piacente, o ritual serve para demonstrar que o tapete só pode ser atravessado por algo sagrado, pois só o Santíssimo Sacramento passa por cima dele. Os fiéis só podem pisar nele após a passagem do sacerdote, portador da hóstia, que representa o corpo de Cristo. Mas os tapetes não são obrigatórios, e sim, uma decoração festiva.

Mas essa tradição tem desaparecido das celebrações das grandes cidades, como explica o professor: "Por conta da logística, organizações e trânsito, algumas igrejas optam por não realizar a confecção do tapete".

No Brasil, a tradição foi introduzida pelos colonizadores portugueses, que trouxeram primeiro para Salvador e Recife e depois, Minas Gerais. Junto com outras festas e costumes lusitanos, os primeiros tapetes confeccionados no Brasil foram retratados na literatura brasileira. "No livro de Érico Veríssimo, o "Tempo e o Vento", ele narra sobre isso também, na relação dos indígenas com os jesuítas, que confeccionavam ervas e folhas para que o santíssimo passasse por cima", ensina Piacente.

Na Paróquia de São Marcos, a catequista Lúcia Ferreira mantém viva a tradição dos tapetes há sete anos. "A tradição começou em 2014, quando o padre da paróquia convidou o grupo da catequese a retomar a montagem dos tapetes, que são feitos com areia colorida e imagens que representam a vida na paróquia e a celebração".

 

Celebração foi instituída pelo Papa Urbano IV

Celebração do Corpo de Cristo é uma referência à morte e ressurreição de Jesus Cristo e à eucaristia

Corpus Christi é uma expressão originária do latim e, em tradução para o português, significa "corpo de Cristo". Desse modo, o nome escolhido para essa comemoração já sugere o seu significado: uma homenagem à eucaristia. A eucaristia é um sacramento do catolicismo é realizado como uma forma de relembrar a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Este sacramento é o próprio corpo e sangue de Cristo, que em cada celebração - por isso que são chamadas celebrações eucarísticas (celebrações já são de Graças a Deus) se consagra o pão e o vinho em corpo e sangue de Cristo.

A festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV (1261 - 1264) com a Bula 'Transiturus' de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes. O Papa Urbano IV teve contato com a Irmã Juliana de Mont Cornillon, que lhe confiou as visões que lhe pediam uma festa para Eucaristia, quando ainda era o cônego Tiago Pantaleão de Troyes e residia na Diocese de Liège, na Bélgica.

Antes de ser instituída como festa litúrgica obrigatória, que ocorre a partir do pontificado de Clemente V em 1313, esta ação de graças a Deus pelo benefício da Eucaristia, teve seus primórdios, como celebração local, já em 1230 na paróquia de San Martin, onde a irmã Juliana residia. Daí passou para uma festa nacional e depois mundial.

O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrado antes de 1270. Sendo assim, é neste momento que Santo Tomás de Aquino elabora o ofício divino, os hinos e orações para a celebração litúrgica.

Tanto o Concílio de Trento (1545 - 1563) como o novo Código de Direito Canônico (cânon 944) de 1983, mantêm a obrigação de se manifestar 'o testemunho público de veneração para com a Santíssima Eucaristia' e 'onde for possível, haja procissão pelas vias públicas', mas possibilita aos bispos escolherem a melhor maneira de fazer o realizar, garantindo a participação do povo e a dignidade da manifestação.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: "Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim". Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: "Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós" (Lc 22,19-20). Visto que a instituição da Eucaristia foi na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi é celebrado sempre numa quinta-feira.

No Concílio Vaticano II, a Igreja assumiu, através do decreto Unitatis Redintegratio que há na Eucaristia, pontos que unem algumas igrejas cristãs, como por exemplo as igrejas Luterana e Metodista, onde no decorrer da celebração a eucaristia é tida como sacramento. E também há uma lembrança, da Ceia Pascal realizada por Jesus, durante a celebração da ceia em diversas outras igrejas cristãs.

Contudo, a Eucaristia é também celebração do amor e união, da comunhão com Cristo e com os irmãos. A Eucaristia, que é a renovação do sacrifício de Cristo na cruz, significa também reunião em torno da mesa, da vida e da unidade para repartir o pão e o amor.

Corpus Christi é uma expressão originária do latim e, em tradução para o português, significa "corpo de Cristo". Desse modo, o nome escolhido para essa comemoração já sugere o seu significado: uma homenagem à eucaristia. Esse sacramento do catolicismo é realizado como uma forma de relembrar a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Nesse sacramento, o pão que é consumido representa o corpo de Cristo, e o vinho ingerido simboliza o sangue de Cristo.

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Thifany Barbosa/Correio Popular