Publicado 03 de Junho de 2021 - 9h07

Por Gilson Rei/Correio Popular

Antônio de Oliveira Filho, superintendente do HC: situação preocupante

Kamá Ribeiro/Correio Popular

Antônio de Oliveira Filho, superintendente do HC: situação preocupante

A alta de 75,6% nas internações por covid-19 no período de quatro meses no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) motivou a suspensão das cirurgias eletivas até a próxima segunda-feira e do atendimento no Pronto-Socorro (PS) por 48 horas. A interrupção do atendimento no PS será reavaliada hoje à tarde. Já as cirurgias eletivas terão o cenário revisto somente na tarde da próxima segunda-feira.

Dados do Núcleo de Vigilância Epidemiológica do HC-Unicamp mostram que no dia 1o de fevereiro existiam 772 infectados por covid-19 no hospital, incluindo leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e leitos de enfermaria. O total de pessoas internadas pela doença aumentou consideravelmente em 120 dias, pois em 31 de maio haviam 1.358 infectados por coronavírus na unidade, um aumento de 586 pacientes no período, volume que representa evolução de 75,6% nas internações.

Em abril, eram de cerca de 70 a 80 pacientes internados por dia em UTI e enfermaria. Atualmente, a média é de aproximadamente 100 internações por dia. Antônio Gonçalves de Oliveira Filho, superintendente do HC, destacou que houve uma grande demanda nos últimos dias e que o quadro atual reflete as aglomerações ocorridas nos últimos 14 dias, período que coincide com o Dia das Mães. "A situação foi de um grande afluxo de pacientes no OS, num cenário de falta de leitos de UTI para covid. O mais grave problema que estamos tendo refere-se a pacientes não covid. O PS é de porta-aberta e 80% do nosso movimento diário é de procura espontânea", afirmou.

A capacidade de atendimento do PS estava em 295% na terça-feira, com cinco pacientes intubados na urgência, sem vagas de UTI. Além disso, 38 pessoas esperavam leito em enfermaria. O superintendente do HC informou também que seis pessoas aguardavam para fazer cateterismo, algumas com infarto suspeito ou confirmado. Nesta quarta-feira, a situação continuava grave, pois quatro pacientes aguardavam internação em UTI, sendo que dois estavam intubados no PS.

O hospital deixou de realizar dez cirurgias eletivas, que tem sido a média diária durante a pandemia. "O que nós estamos mantendo ainda são tratamentos e operações dos pacientes com câncer. Isso a gente não suspende". Oliveira Filho lembrou que pacientes à espera das cirurgias eletivas também podem ter agravamento na situação de saúde. O quadro de internações é avaliado dia a dia e o Núcleo de Vigilância Epidemiológica vai indicar os próximos passos.

"Outras medidas podem ser tomadas de novo. É importante a gente estar atento a isso, porque um dos grandes problemas para você gerenciar isso tudo é a imprevisibilidade do que vai acontecer. Um termômetro nosso é o pronto-socorro", comentou Oliveira Filho. Para o atendimento da população em PS, o superintendente ressaltou que uma indicação é a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Anchieta Metropolitana, que estabeleceu um convênio recentemente entre a Prefeitura de Campinas e a Unicamp para pediatria e clínica médica.

A UPA Anchieta está disponível para atender a população, com suas equipes, porém é uma unidade voltada a casos de baixa e média complexidade e não pode absorver demandas hospitalares mais complexas. Os casos mais graves devem ser direcionados aos pronto-socorros dos hospitais Mário Gatti e Ouro Verde.

Mais jovens

As internações no HC-Unicamp registradas nos últimos 14 dias revelam que os pacientes são mais jovens e ficam mais tempo sob cuidados. Dados do Núcleo de Vigilância Epidemiológica do hospital revelam que o tempo de internação médio de cada paciente covid-19 é de 12 dias. Antes deste período, a média era de dez dias. O médico infectologista Plínio Trabasso, coordenador de assistência do HC, disse que as pessoas na faixa etária de 40 a 49 anos tiveram um aumento de 100,9% no índice de internações, saltando de 109 pacientes no dia 1o de fevereiro para 219 pessoas no dia 31 de maio.

Outro percentual alto foi registrado na faixa de 30 a 39 anos, que no início de fevereiro estava em 69 internações e aumentou para 137 pessoas infectadas nos leitos no final de maio - crescimento de 98,6%. Os jovens entre 20 e 29 anos estão também ocupando mais os leitos do HC-Unicamp, representando o terceiro maior percentual de internações, passando de 37 casos internados em fevereiro para 69 em maio, uma ampliação de 86,5% nas internações desta faixa etária.

Trabasso destacou que "os jovens são os menos aderentes às medidas de isolamento social. Quando a gente ouve falar de festas clandestinas e outras aglomerações clandestinas, a maior parte das pessoas que fazem esse tipo de aglomeração é de indivíduos de faixa etária menor, o que propicia a infecção de um grupo não vacinado".

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Gilson Rei/Correio Popular