Publicado 01 de Junho de 2021 - 12h53

Por Gilson Rei/Correio Popular

Barracão industrial disponível para locação às margens da Rodovia Anhanguera: sem a coalizão entre setores da sociedade, não será possível impulsionar a atividade econômica

Ricardo Lima/Correio Popular

Barracão industrial disponível para locação às margens da Rodovia Anhanguera: sem a coalizão entre setores da sociedade, não será possível impulsionar a atividade econômica

Remar o barco no mesmo sentido, criar um pacto para vencer a tempestade da pandemia por covid-19 e fazer a roda da economia girar para frente em Campinas são os principais objetivos de consenso estabelecido ontem entre representantes do setor industrial, da Prefeitura e da Câmara Municipal. A união em torno de tais propósitos pretende estabelecer um pacto ainda mais amplo com o convite para que movimentos sociais e outras forças da sociedade se unam em torno do esforço para a realização de ações de desburocratização, modernização das leis e execução de medidas para reduzir os níveis de pobreza e aumentar oportunidades de empregos.

A proposta da criação de um pacto para o desenvolvimento econômico e social foi costurada ontem, durante a décima reunião virtual da Comissão Especial de Estudos da Câmara de Campinas, criada para analisar os impactos econômicos e sociais da pandemia do coronavírus. Participaram do encontro o presidente do colegiado, vereador Luiz Rossini (PV); Adriana Flosi, secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo; e José Nunes Filho, diretor titular do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo em Campinas (Ciesp-Campinas).

Nunes Filho destacou que o sistema econômico, por si só, não conseguirá se reerguer. "Vivemos uma pandemia que trouxe prejuízos não somente para as indústrias da região, mas para todo o planeta. A alta no preço das commodities, que é determinada pelas leis da oferta e da demanda no mercado internacional; a alta do dólar; a falta de insumos; e outros fatores são aspectos que fogem do controle de qualquer indústria", explicou.

Segundo o diretor do Ciesp-Campinas, a saída contra as adversidades é juntar forças. "A meta é criar este pacto e fazer um movimento em que todos remem para o mesmo lado. Com isso, a chance de sair da tempestade e se recuperar ganha força. O ideal é esquecer os ranços ideológicos, pois isso divide as forças e não dá certo. Tem que ter uma coalizão, unindo pelo bem comum todos os segmentos: legislativo, executivo, indústrias, comércio, serviços, movimentos sociais e a sociedade como um todo", defendeu.

O caminho, acrescentou o dirigente do Ciesp-Campinas, é criar propostas para vencer as barreiras. "É necessário haver a boa intenção de todos em criar propostas, aprimorar e aprovar medidas para ajudar a economia a crescer e a sociedade se reerguer. A economia dos Estados Unidos deve crescer 6%. Na China, o crescimento previsto é de 8%. Ambos são os nossos maiores parceiros comerciais. Portanto, é importante que haja uma legislação mais moderna e menos burocrática para atrair novos negócios e investimentos, que vão gerar mais empregos e fazer a roda da economia mover para cima", explicou.

Nunes Filho disse ainda que é fundamental a sociedade se unir, deixando de lado as diferenças ideológicas. "Esta união depende muito das pessoas deixarem de lado os ranços ideológicos, porque fica complicado cada um remando para um lado. Não é hora de divisão, é hora de união. O setor da indústria está trabalhando para levar ideias ao legislativo. Estas ideias devem ser apreciadas e aperfeiçoadas para gerar investimentos e empregos, aumentando a competitividade na economia e reduzindo a pobreza e o desemprego", finalizou.

Prefeitura e Câmara

Adriana Flosi, secretária de Desenvolvimento Econômico, defendeu também a proposta de um pacto entre todos os setores da sociedade e destacou a importância de reduzir o desemprego. "Devemos nos empenhar na mesma causa: em reverter a pandemia o mais rápido possível e buscar soluções para que, de fato, os que ficaram mais vulneráveis possam ter trabalho e renda. Lembrando que a abertura de empresas na RMC, no primeiro trimestre deste ano, foi 30,35% maior do que em 2020. E, do total das 4.501 abertas na região, 2.024 escolheram Campinas para instalarem-se", afirmou.

Rossini, vereador presidente do colegiado na Câmara, disse que reafirma a importância da criação de um acordo para o desenvolvimento econômico e social. "É fundamental haver investimentos na produção, comércio, serviços, com apoio do Poder Público e dos movimentos sociais. A união de todos os setores sem ideologias é o melhor caminho para que a região de Campinas e o país consigam obter sucesso na retomada", disse.

Segundo Rossini, o apoio às famílias vulneráveis também deve fazer parte deste pacto. "Tem que produzir este entendimento, incluindo também o apoio às famílias vulneráveis, pois há informações de que Campinas apresentou um aumento de 14% no número de pessoas vivendo na linha da pobreza neste um ano de pandemia. A sociedade deve ser vista como um todo para voltar a crescer", ponderou.

A proposta será incluída no relatório da Comissão Especial de Estudos da Câmara de Campinas sobre os impactos da pandemia, que já realizou dez audiências com diversos setores da cidade e que ainda vai realizar mais alguns encontros. A expectativa é de entregar o documento final em 45 dias ao prefeito Dário Saadi (Republicanos).

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Gilson Rei/Correio Popular