Publicado 01 de Junho de 2021 - 12h19

Por Correio Popular

Farmácia de Alto Custo do governo do Estado de São Paulo, na Ponte Preta: sem previsão de entrega

Diogo Zacarias/Correio Popular

Farmácia de Alto Custo do governo do Estado de São Paulo, na Ponte Preta: sem previsão de entrega

O medicamento Somatropina está em falta na farmácia de Alto Custo de Campinas, localizada no bairro Ponte Preta. Segundo o vereador Luiz Rossini (PV), o esgotamento do fármaco ocorreu no início de maio, e ainda não há previsão para que a compra do remédio seja feita. Para tentar reverter a situação, Rossini apresentou uma moção que vai ser votada nesta quarta-feira na Câmara de Campinas. Trata-se de um pedido ao governo do Estado de São Paulo, para que o estoque do medicamento seja regularizado imediatamente. "Algumas mães me procuraram para relatar a falta do remédio. Não é a primeira vez que isso acontece", afirmou.

De acordo com Rossini, a intenção é ressaltar a importância do medicamento no tratamento das pessoas que possuem deficiência na produção do hormônio do crescimento, e mostrar como a paralisação do uso do remédio pode trazer consequências graves. "Elaboramos a moção como um documento da Câmara, na tentativa de sensibilizar os gestores a nível estadual, sobre a seriedade do problema", ressaltou.

De acordo com o médico endocrinologista do hospital Vera Cruz, Marcelo Miranda, a Somatropina repõe o hormônio do crescimento quando o organismo não produz a quantidade adequada durante a infância e a adolescência. "O remédio tem que ser usado por vários anos, até que a pessoa atinja a idade em que o crescimento é concluído. A paralisação do tratamento acarreta em danos irreversíveis", afirmou. Quando a pessoa permanece por 30 dias ou mais sem utilizar o fármaco, acrescentou, é tempo suficiente para que a cartilagem dos ossos comece a calcificar.

Quando isso ocorre, há perda do crescimento adequado, segundo Miranda. "À medida que a adolescência vai avançando, a cartilagem do osso vai se fechando, o que interrompe o crescimento aos poucos. As meninas crescem até aos 15 anos, e os meninos até aos 18. O crescimento acelera a partir dos 12 anos. Por isso, se a interrupção do tratamento for feita a partir dessa idade, os reflexos são ainda piores", explicou.

A Somatropina, segundo o endocrinologista, é usada também em mulheres que desenvolvem a Síndrome de Turner, uma doença genética que gera a baixa produção dos hormônios sexuais, que auxiliam no crescimento dos ossos. "Quando o tratamento é interrompido nesses casos, também há a calcificação dos ossos antes do ideal. Cada mês sem o remédio faz toda a diferença", informou. Conforme o osso se calcifica, não tem como reverter o processo. De acordo com o médico, há casos graves em que a deficiência da produção do hormônio do crescimento pode acarretar em níveis baixos de açúcar no sangue, e gerar hipoglicemia.

Drama

A farmacêutica Soraya Albieri Camillo, mãe de Daniel Albieri Camillo, de apenas 12 anos, afirmou que mesmo antes da falta do medicamento, ele não era fornecido com regularidade. A situação atual é pior, segundo Soraya, pois não há previsão para que a compra da Somatropina seja realizada. Daniel usa o fármaco desde os quatro anos, quando foi identificado o problema para a produção do hormônio do crescimento.

Em 2020, acrescentou a mãe, o remédio começou a faltar em maio e a distribuição somente foi retomada em julho. Cada frasco do medicamento, segundo Soraya, contém 1 ml, o que rende duas aplicações e custa R$ 300. "Meu filho faz uso de 0,43ml por dia, o que resulta no consumo de três frascos e meio por semana", informou.

Para conseguir o acesso ao medicamento sem custo, Soraya recorreu ao Estado e teve de passar por um processo burocrático para garantir a disponibilidade do remédio. A cada seis meses o procedimento é refeito. "Eu não conseguiria arcar com esse custo, por isso é fundamental o envio do remédio pelo Estado. No ano passado, quando passamos pelo mesmo problema, eu tive que comprar oito frascos de Somatropina. Para que o meu filho não ficasse com o tratamento paralisado, tive que diminuir o volume das doses. Assim aplicava uma quantidade menor, mas todos os dias", lembrou.

Envio pendente

A Secretaria de Estado da Saúde informou em nota que o medicamento Somatropina é adquirido pelo Ministério da Saúde, responsável pelo planejamento, compra e compartilhamento do remédio aos Estados. "O envio da medicação está pendente, impactando na distribuição e assistência aos pacientes das Farmácias de Medicamentos Especializados. Por isso, a Secretaria tem mantido contato com o Ministério para que o reabastecimento do estoque ocorra o mais breve possível, para dar continuidade à assistência aos pacientes", informou o Estado.

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