Publicado 29 de Maio de 2021 - 17h22

Por Rodrigo Piomonte/Correio Popular

Vista parcial do ginásio dos Patrulheiros, onde funcionou o hospital de campanha da Prefeitura no ano passado, com 30 leitos para covid-19

Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

Vista parcial do ginásio dos Patrulheiros, onde funcionou o hospital de campanha da Prefeitura no ano passado, com 30 leitos para covid-19

Com a taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) exclusivos para pacientes com covid-19 nas redes pública e particular de saúde de Campinas no limite máximo, a Prefeitura anuncia a desmobilização do que viria a ser este ano, novamente, o hospital de campanha na sede do Patrulheiros, no Parque Itália.

O local, cedido pela administração dos Patrulheiros Campinas, foi utilizado no ano passado durante a primeira onda da pandemia, entre 15 de maio e 13 de agosto, e desmobilizado em seguida. A unidade abrigou mais de 30 leitos e toda operação teve custo total de cerca de R$ 6milhões e contribuiu para evitar o colapso do sistema de saúde.

Em março deste ano, com a chegada da segunda onda da pandemia, o hospital de campanha na sede do Patrulheiros chegou a ter sua retomada anunciada pelo presidente da Rede Mário Gatti, Sérgio Bisogni, o que não se consolidou. Na ocasião, falou-se até em prazo de três a quatro semanas para o funcionamento da estrutura ser retomada.

A unidade ainda mantém todos os equipamentos que foram cedidos pela organização Expedicionários da Saúde, faltando apenas as estruturas de oxigênio. No entanto, a Prefeitura justifica a decisão de desmobilizar definitivamente o local ao fato de não ter encontrado empresas interessadas em concluir essa estrutura faltante.

Informa ainda que os dois chamamentos públicos para operacionalizar a unidade fracassaram, e que enfrentou ainda dificuldade para licitação de empresa para manter o fornecimento de oxigênio. A falta de mão de obra para atuar no local também pesou na decisão de desistir de ocupar o local com leitos para pacientes covid-19. Em 2020, o hospital de campanha atendeu 614 pacientes e registrou 28 óbitos.

Drama aumenta

Se isso já não fosse motivo de sobra para preocupação, a Administração ainda enfrenta problemas em conseguir leitos também na iniciativa privada. As negativas às tentativas de contratar novos leitos de UTI para pacientes infectados junto aos hospitais particulares são justificadas pelo fato da sobrecarga ocorrer também na rede privada, que está com um grande número de internações devido ao que se apresenta ser a terceira onda da pandemia na cidade.

A tentativa de se conseguir leitos na rede particular de Campinas ocorreu por meio de ofícios que foram enviados pela Prefeitura para oito hospitais particulares da cidade na semana passada. Nesses ofícios a administração manifesta o interesse em adquirir leitos para uso do SUS municipal. As respostas dos hospitais tinham que ser enviadas até a última segunda-feira, porém, os retornos ainda podem ser encaminhados.

No entanto, o cenário não foi muito animador. Seis instituições sinalizaram para a impossibilidade de ofertar a estrutura neste momento. Sendo que três informaram que vão manter o número de leitos contratados atualmente, uma informou que vai reduzir e duas já responderam que não têm condições de oferecer leitos neste momento. Outras duas ainda não deram retorno.

No momento, Campinas conta com 54 leitos de UTI contratados para o enfrentamento da covid-19 junto aos hospitais particulares. São gastos R$ 2.460,98 por leito ocupado. Caso não esteja ocupado, o leito custa aos cofres públicos 70% do valor. Quanto aos hospitais com contratos ativos para enfrentamento da pandemia, estão o Hospital da PUC, a Casa de Saúde, a Beneficência Portuguesa e a Irmandade da Misericórdia. Além disso, a Prefeitura conta para o enfrentamento da pandemia de covid-19 com a abertura de leitos na UPA Metropolitano - Anchieta, UPA Carlos Lourenço, Mário Gatti-Amoreiras (antigo Hospital Metropolitano, que está sob intervenção administrativa da prefeitura) e nos próprios hospitais da rede, Mário Gatti e Ouro Verde.

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Rodrigo Piomonte/Correio Popular