Publicado 28 de Maio de 2021 - 11h54

Por Gilson Rei/Correio Popular com Estadão Conteúdo

Governador Doria e o prefeito Dário Saadi mostram cartão para compra de alimentos em supermercados

Kamá Ribeiro/Correio Popular

Governador Doria e o prefeito Dário Saadi mostram cartão para compra de alimentos em supermercados

Durante visita à região de Campinas nesta quinta (27), o governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou a gestão do governo federal na pandemia da covid-19, repudiou as declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre a China e afirmou que espera obter a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no “início de junho” para iniciar os testes da ButanVac em humanos. “A CPI está colocando às claras para que os brasileiros saibam, com certeza, quem foi o responsável por mais da metade das mortes que se acumulam no País”, disse também Doria, referindo-se à Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, que apura ações e omissões do governo na pandemia.

O governador João Doria esteve em Campinas para anunciar medidas de apoio ao combate do coronavírus e aos reflexos econômicos provocados pela pandemia nos municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC).

Na solenidade realizada no Salão Vermelho da Prefeitura, Doria voltou a “cutucar” o governo de Jair Bolsonaro. “É importante que a gente reaja positivamente na pandemia. Não reagir com a indiferença ao distanciamento e à ciência, mas sim com a solidariedade e compaixão. É compreender a importância da vacina, e não da cloroquina. O que os brasileiros querem é vacina, não é cloroquina. Cloroquina não salva, pelo contrário, coloca em risco a vida das pessoas”, afirmou.

As críticas feitas pelo presidente Bolsonaro à China foram também mencionadas por Doria. “A China é o maior parceiro econômico e comercial do Brasil e de São Paulo. Agora, é o maior parceiro da vida e da saúde. Quase 65% de todos os insumos de vacinas produzidas no mundo vêm da China. É um absurdo Bolsonaro agredir a China, justamente o país que está salvando o mundo. Houve uma colocação muito infeliz e injusta do presidente Bolsonaro e do ministro Paulo Guedes. Ambos disseram que os chineses criaram o vírus, espalharam o vírus para poder vender a vacina. Só numa mente deturpada e doentia para falar uma coisa deste tipo”, desabafou.

ButanVac

O governador anunciou que espera obter a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no “início de junho” para começar os testes da ButanVac em humanos – imunizante que está sendo produzido pelo Instituto Butantan com insumos do próprio Brasil. “Estamos aguardando a aprovação da Anvisa para início da testagem, o que deve ocorrer até o início de junho, que é uma instituição séria, uma agência independente, mas que precisa ter senso de urgência diante de um país que está perdendo 2,5 mil vidas por dia e já perdemos 450 mil brasileiros”, disse Doria.

O governador espera que, após a aprovação dos resultados da pesquisa, ocorra uma autorização para aplicação da vacina no fim de setembro. O Butantan já iniciou a produção de 40 milhões de doses da ButanVac. “Imediatamente, no mesmo dia, elas serão distribuídas para serem aplicadas.

CPI da Covid

O governador de São Paulo também comentou ontem o depoimento que o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, concedeu à CPI da Covid. "Primeiro, eu defendo a CPI. Segundo, defendo que a CPI continue tendo a qualidade que vem demonstrando na defesa da verdade, porque esta é a função de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, e ela vem se destacando pela busca da verdade e é a verdade que Dimas Covas está falando.

Na opinião de Doria, o presidente do Butantan mostrou, em seu depoimento à CPI, que o governo federal não fez o que devia fazer: ter providenciado vacinas desde o ano passado e iniciado a vacinação. “Preferiu comprar cloroquina em vez de comprar vacina, que não comprou nem seringas nem agulhas para o programa de vacinação, que estimulou aglomerações, que não recomendou o uso de máscaras, chamou de 'covardes' as pessoas que ficaram em casa protegendo a vida de seus familiares."

"Tudo isso é muito triste, mas a CPI está colocando às claras para que os brasileiros saibam, com certeza, quem foi o responsável por mais da metade das mortes que se acumulam no País. Quatrocentos e cinquenta mil brasileiros estão sepultados neste momento, metade poderia ter sido salva se tivéssemos vacinas e comportamento que liderasse o Brasil para a vida e não para a morte", disse o governador na visita à região de Campinas.

Governador anuncia R$ 18 mi

para combate à covid

Também serão fornecidas 14,3 mil cestas básicas na RMC

Com o lema “alimento no prato e vacina no braço”, o governador João Doria oficializou nesta quinta a entrega de R$ 18 milhões para a área da Saúde, mais 14,3 mil cestas básicas e 10 mil cartões para a compra de alimentos em supermercados. Serão beneficiados os 20 municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC).

A solenidade no Salão Vermelho da Prefeitura de Campinas contou com a presença do governador Doria; do secretário de Desenvolvimento Regional do Estado, Marco Vinholi; do prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos); e do vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento da RMC e prefeito de Jaguariúna, Gustavo Reis (PMDB); entre outras autoridades da região.

A distribuição dos R$ 18 milhões entre as 20 cidades será definida pelo Conselho de Desenvolvimento da RMC. As cestas e os cartões de alimentos serão distribuídos às famílias em situação de vulnerabilidade por meio das secretarias de ação social de cada cidade. Já os 10 mil cartões, doados em parceria com a Associação Paulista de Supermercados (APAS), têm o valor de R$ 100,00, destinados à compra exclusiva de alimentos e itens de primeira necessidade em comércios do varejo, sendo vedada a aquisição de bebidas alcoólicas e produtos derivados do tabaco.

“Normalmente, o governador vem para a entrega de obras e pontes. Hoje, entretanto, estamos com duas ações fundamentais que enobrecem os gestores públicos, pois estamos tratando de vida, de existência. Hoje, a nossa ponte é a ponte da esperança, que é o alimento no prato e a vacina no braço”, disse Doria.

Segundo o governador, as 14.330 cestas entregues no Programa Alimento Solidário aos 20 municípios da RMC são “mais robustas”, feitas por nutricionistas, permitindo que uma família com até cinco pessoas tenha alimentação por até três semanas. “Já entregamos 10 mil. Agora, mais 14,3 mil e, na segunda quinzena de junho, serão mais 10 mil, totalizando 34,3 mil cestas”, disse.

O prefeito Dário Saadi afirmou que foram vacinadas quase 500 mil pessoas em Campinas, sendo 370 mil com a primeira dose e o restante com duas doses. “A entrega da Coronavac para todo o País está sendo fundamental, representando 80% das vacinas aplicadas”, lembrou o prefeito.

“Estamos estudando a realização da vacinação em massa em outro final de semana, a exemplo do que ocorreu na semana passada, quando 25 mil pessoas foram vacinadas”, comentou. “Chegando mais vacinas, vamos poder ampliar esse combate, unindo as forças dos gestores de todos os municípios da região, que têm sido parceiros do Estado”, disse.

Bolsa do Povo

Ontem, o governador sancionou a Lei 17.37 2021, que cria o programa Bolsa do Povo, que visa concentrar a gestão de benefícios, ações e projetos para pessoas vulneráveis.

Para 2021, estão previstos R$ 1 bilhão para o Bolsa do Povo, que pagará benefícios de até R$ 500 para até 500 mil pessoas direta e indiretamente em 645 municípios. Também está prevista a contratação de mães e pais nas escolas, além de agentes de apoio na Saúde. Com a aprovação do Bolsa do Povo, o Bolsa-Trabalho poderá chegar a um salário mínimo, a jornada de atividade poderá ser fixada entre 4 e 8 horas por dia, cinco dias na semana.

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Gilson Rei/Correio Popular com Estadão Conteúdo