Publicado 27 de Maio de 2021 - 12h16

Por Gilson Rei/Correio Popular

Setor de freios da Bosch em Campinas: indústria da região aposta na vacinação da população contra a covid-19 para manter a tendência de recuperação da produção

Cedoc/Correio Popular

Setor de freios da Bosch em Campinas: indústria da região aposta na vacinação da população contra a covid-19 para manter a tendência de recuperação da produção

Depois de um ano de prejuízos e recessão por causa dos impactos da pandemia por covid-19, o setor industrial da região de Campinas (RMC) conseguiu sair da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e começou a apresentar sinais de recuperação. Apesar da boa notícia, a saúde econômica das indústrias da região ainda exige cuidados e muito empenho.

Dados divulgados ontem pela Regional Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp-Campinas) revelam que, nos últimos três meses, houve melhora no volume de produção e no faturamento; manutenção no quadro de funcionários; e redução no nível de endividamento. Além disso, houve aumento no nível de utilização da capacidade instalada.

Os dados integram a pesquisa mensal da "Sondagem Industrial" sobre indicadores do setor em maio, feitas pela Ciesp-Campinas com 494 empresas associadas, em 19 municípios da região. Segundo o vice-diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, o resultado apresenta perspectivas otimistas. "Os números da sondagem industrial apontaram em maio perspectivas de melhora com relação ao volume de produção das indústrias, faturamento e utilização da capacidade instalada", destacou Corrêa.

O vice-diretor ressaltou que outra perspectiva positiva foi o índice de 52% das empresas informando que pretendem atualizar ou ampliar o número de máquinas nos próximos 12 meses. "Isso é um indicativo positivo para uma melhora da atividade industrial", acrescentou.

Quanto à melhora no volume de produção, Corrêa avaliou que as indústrias continuam com saldos negativos, mas que existe uma evolução contínua a partir de março. "O volume de produção de março foi menor em 41% das empresas. Em abril, a queda foi em 39% das associadas e em maio a diminuição foi identificada em 22% das empresas. Ou seja, a produção foi estável ou melhorou para a grande maioria", comparou.

Sobre a evolução no faturamento das empresas, Corrêa destacou que em março 50% das empresas tiveram redução no valor das vendas totais e que em abril o menor faturamento ocorreu em 44% das indústrias. Em maio, a situação melhorou um pouco mais, quando 22% das empresas declararam que tiveram redução no faturamento. Isto significa que as empresas estão com mais dinheiro em caixa", comentou.

Outro dado importante foi sobre a evolução no nível de utilização da capacidade instalada de produção. Em março, parte das empresas (31%) estava com o nível de capacidade entre 0% e 50%. Em abril, a situação melhorou porque a mesma parcela de 31% informou que estava com o nível de utilização de sua capacidade de produção entre 50,1% e 70%. No mês de maio, houve outra melhora, pois 37 das companhias consultadas declararam estar com o nível de capacidade entre 70,1% e 80%.

A pesquisa também apontou que 62% das indústrias tiveram aumento nos custos de matérias-primas em maio. Em abril, 72% das indústrias enfrentaram o mesmo problema, enquanto no mês de março o aumento de custos de matérias-primas afetou 79% das empresas. Ou seja, menos empreendimentos estão sofrendo com este dilema, que ainda é objeto de preocupação para o setor industrial.

 

Empregos e endividamento

Sobre o comportamento das empresas na questão de empregabilidade, as indústrias declararam na pesquisa que a situação é de estabilidade no quadro de funcionários e até de aumento das contratações em algumas delas. A grande maioria das empresas manteve o quadro de funcionários (71%) nos três meses: março, abril e maio. Além disso, houve aumento nas contratações em 10% delas no mês de março; em 13% em abril e em 14% em maio.

O nível de endividamento foi outro indício de melhora no setor industrial. No mês de março, 14% das empresas apresentaram aumento no nível de endividamento e em abril houve uma pequena melhora porque 9% declaram que estavam nesta situação. Já em maio nenhuma empresa declarou ter ocorrido aumento no nível de endividamento. "As indústrias aumentaram a produção e o faturamento e, por isso, reuniram mais dinheiro para cumprir em dia com seus compromissos", salientou Corrêa.

A diretoria do Ciesp-Campinas avaliou que, mesmo com a possibilidade de uma terceira onda de contágios, a ampliação em massa da vacinação contra a covid-19 será um fator importante para a melhoria no ambiente de negócios, especialmente no segundo semestre do ano. Corrêa destacou que a imunização vai contribuir com a retomada de toda a atividade econômica, consolidando assim os indicadores apontados pela indústria da região de Campinas na sondagem de maio.

 

Balança comercial

Ontem, o Ciesp-Campinas apresentou também os números da Balança Comercial Regional do mês de abril deste ano. Segundo o diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas, Anselmo Riso, houve aumento nas exportações em 33,9% no mês de abril deste ano, comparado ao mesmo mês em 2020. O valor exportado em abril deste ano foi de US$ 248,8 milhões. Já as importações no mesmo mês foram de US$ 805 milhões, um volume 16% maior do que em abril do ano passado.

Com isso, o saldo da balança comercial regional em abril de 2021 foi negativo em US$ 556,2 milhões, um descompasso 9,4% maior em comparação ao registrado em abril de 2020. A soma das exportações e importações em abril de 2021 foi de US$ 1,053 bilhão, representando um volume 19,7% maior que no mesmo mês do ano passado. Em abril os principais municípios exportadores da Regional Campinas do Ciesp foram, pela ordem: Campinas, Paulínia, Sumaré, Mogi Guaçu e Santo Antônio de Posse. Já os municípios que mais importaram foram: Paulínia, Campinas, Jaguariúna, Hortolândia e Sumaré.

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Gilson Rei/Correio Popular