Publicado 27 de Maio de 2021 - 11h20

Por Rodrigo Piomonte/Correio Popular

Paciente internada em Unidade de Pronto Socorro do Jardim São José, em Campinas; rede pública de saúde começa a sentir a pressão

Ricardo Lima/Correio Popular

Paciente internada em Unidade de Pronto Socorro do Jardim São José, em Campinas; rede pública de saúde começa a sentir a pressão

A chegada da nova variante indiana do coronavírus no Estado de São Paulo e o aumento do número de internações e de transmissão do vírus em Campinas, já identificado pelos indicadores de monitoramento precoce desenvolvidos pela Prefeitura, levam especialistas a recomendar que sejam antecipadas a implementação de medidas mais rígidas de circulação na cidade.

Embora isso esteja claro do ponto de vista técnico, a Prefeitura de Campinas optou por aguardar uma confirmação dos números para anunciar alguma medida efetiva de controle do que pode vir a ser a terceira onda da pandemia na cidade. Pelos indicadores precoces da Prefeitura já foi possível identificar aumento de 36% nos casos de internações covid-19 e de 30% nos casos positivos realizados por meio de testes PCR a cada dez realizados.

Os riscos que podem estar por vir são percebidos por meio de um levantamento realizado pelo Observatório Covid, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, (PUC-Campinas), que comparou a média móvel de isolamento social na cidade com o aumento das internações entre as fases emergencial e vermelha, mais restritivas, e a atual fase de transição do Plano São Paulo, mais flexível e em vigor há cerca de um mês.

Conforme os dados, entre 20 de março e 22 de maio, o isolamento na cidade caiu de 42% na fase emergencial, para menos de 37% na atual fase de transição. Nesse mesmo período de queda gradativa nos índices de isolamento social houve aumento na média móvel de novas internações por covid-19 na cidade, que passaram de 15%, na fase emergencial, mais restritiva, para 25% atualmente na fase de transição.

De acordo com o médico infectologista da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, André Giglio Bueno, o fato da Prefeitura conseguir perceber com antecedência a mudança de tendência através do monitoramento precoce da pandemia na cidade deveria vir acompanhado de uma estratégia de controle que, segundo ele, neste caso, passa pelo retorno de medidas de restrição de circulação de pessoas, como a que ocorreu na fase emergencial.

"Campinas conseguiu organizar um sistema de monitoramento de dados bastante robusto e que deveria ser replicado para outras cidades. Mas o principal é o que fazer com esses dados", disse.

Segundo ele, fica evidente ao comparar a média móvel de isolamento social e de internação que o aumento da circulação do vírus está totalmente relacionado com o aumento de circulação de pessoas. "Esperar a situação piorar para estabelecer condutas ou esperar o posicionamento do Estado para ter um respaldo maior ou um ônus político menor, pode gerar consequências", explica.

Segundo o médico, o momento da intervenção precisa ser oportuno. "Flexibilizamos precocemente, com os números de internação ainda em patamares altos. O que deveria ser iniciado com essa mudança de padrão é aumentar as medidas restritivas", conclui.

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